segunda-feira, 2 de maio de 2016

Reflexão do Evangelho de terça-feira 03 de maio



Reflexão do Evangelho de terça-feira 03 de maio

Jo 14,7-14 – União dos homens a Deus





        O conhecimento e a atividade do ser humano são um itinerário para Aquele que veio restaurar a criação em sua glória divina original: em sua Encarnação, Jesus é o início da nova verdadeira criação de Deus, pois a vitória sobre o pecado e o mal o torna primícias do homem novo da nova criação, o primeiro entre muitos irmãos. Ele é o homem novo, o Caminho para o Pai; Ele é aquele que torna Deus acessível à criatura humana, sem diminuir nem eliminar o humano, que nele se realiza em sua forma mais elevada e autêntica. Assim, ao afirmar: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”, Ele revela ser nossa inalienável união com Deus, pois escreve S. Gregório Nazianzo: “O que não foi assumido por Cristo não é salvo, e o que está unido a Deus é salvo”. Em outro momento, ele conclui: “Nós tínhamos necessidade de um Deus feito carne e entregue à morte para podermos viver de novo”. Portanto, ao assumir nossa humanidade, o Filho de Deus restaura a criação em sua beleza primitiva e nos permite antever a nossa transfiguração, como homens novos num mundo novo, portadores da imensa capacidade de luz e de paz.

       Essa estreita união com o Pai é condição para se compreender a autoridade de Jesus e a sua perfeita adequação à vontade de Deus. Consequentemente, sua missão não se reduz a uma simples função dada pelo (apó) Pai, tampouco é Ele um homem dotado de carismas especiais: Ele é um ser proveniente de uma esfera de realidade diversa e sua missão, mais do que um mandato do Pai, é expressão dele mesmo, o Filho, que provém do (ek) Pai: “Se Deus fosse vosso Pai, amaríeis também a mim, porque saí do Pai e dele venho” (8,42).

 Mais uma vez, percebemos que a preocupação do Evangelista não é salientar a humanidade de Jesus, mas pôr em evidência que Ele é a Palavra, “que estava com Deus” e que se tornou carne. Efetivamente, para S. João, é decisivo ter em mente que, por origem, Jesus pertence não à esfera humana, mas a outra ordem, da qual já temos uma experiência viva e acessível. Por isso, diante da pergunta de Filipe: “Mostra-nos o Pai, isso nos basta! ”, Jesus lhe diz: “Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? ”. Se não cremos em sua Palavra, ao menos acreditemos por causa do que Ele faz.



Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

domingo, 1 de maio de 2016

Reflexão do Evangelho de segunda-feira 02 de maio



Reflexão do Evangelho de segunda-feira 02 de maio
Jo 15,26-16,4 - Quando vier o Espírito Santo


       Na noite da refeição pascal, reunido com os Apóstolos, Jesus fala do Espírito que Ele enviará de junto do Pai: o Espírito da Verdade, que os consolará e os fortalecerá, pois os seus seguidores, como Ele, irão passar pelo batismo do sofrimento e serem perseguidos. Se até aquele instante, o Espírito estava junto deles, após a sua partida, Ele virá aos seus corações para iluminá-los e revigorá-los no testemunho que eles darão diante dos tribunais do “mundo”. Nada deverá desanimá-los. Diz Jesus: “Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, vos conduzirá na verdade plena”, pois Ele não virá para revelar a si próprio, mas para revelar o Filho de Deus, no qual tudo foi criado e em quem se dá a “recapitulação” de todas as coisas: Ele é o fim último e verdadeiro da criação.   
       Os antigos valorizavam o testemunho dado em favor de quem apresentasse uma mensagem. Assim, Moisés só é acolhido pelos israelitas por ter sido designado por Deus e agraciado por Ele através de manifestações e revelações. Da mesma forma, a autoridade dos Apóstolos se baseia no fato de eles terem sido credenciados e escolhidos por Jesus para serem seus porta-vozes, e pelo poder do Espírito Santo, que neles se manifesta.
Por isso, vendo os Apóstolos tristes ante a sua iminente partida, o Mestre não os repreende, simplesmente lhes diz: “É bom para vós que eu vá, pois se eu não for o Paráclito não virá a vós”. Num primeiro instante, eles não o compreendem; só, mais tarde, eles irão reconhecer que a ida de Jesus para junto do Pai correspondia à vinda do Espírito divino, que perpetuaria a comunhão deles com o Cristo glorificado. Então, o que eles contemplaram no monte Tabor, a transfiguração de Jesus, irá se realizar, pelo Espírito Santo, na vida dos que creem no Filho de Deus.
       Firmados na fé e guiados pelo Espírito da Verdade, os discípulos tornam-se testemunhas de Jesus e do Evangelho, vivendo numa comunidade “nova”, sob o signo da liberdade no amor e na misericórdia. S. Agostinho reconhece que “o testemunho apostólico para ser ‘fiel e verdadeiro’ deve estar duplamente fundado: no ensinamento de Jesus, seguindo-o fielmente, como também na firmeza e na luz do Espírito Santo”.
Ao final, despedindo-se, Jesus deseja a paz, apelo aos Apóstolos, para que se coloquem a caminho da Terra Prometida, pois sua paz, shallom, não é uma mera fórmula, é um dom, que superando a paz que o mundo oferece, constitui, com o amor e a alegria, um dos primeiros frutos do Espírito Santo. A sua paz permanecerá no coração dos que o seguem, pois resulta de um amor, não apenas criador, mas salvador, melhor, recriador, porquanto renova a vida do pecador e confere a todos uma nova esperança: eis a boa nova do Reino de Deus anunciado e, na generosidade de Jesus, introduzido na vida de seus discípulos.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

Reflexão do Evangelho de domingo 01 de maio



Reflexão do Evangelho de domingo 01 de maio
Jo 14,23-29: Quando vier o Espírito Santo


       Na noite da refeição pascal, reunido com os Apóstolos, Jesus fala do Espírito que Ele enviará de junto do Pai: o Espírito da Verdade, que os consolará e os fortalecerá, pois os seus seguidores, como Ele, irão passar pelo batismo do sofrimento e serem perseguidos. Se até aquele instante, o Espírito estava junto deles, após a sua partida, Ele virá aos seus corações para iluminá-los e revigorá-los no testemunho que eles darão diante dos tribunais do “mundo”. Nada deverá desanimá-los. Diz Jesus: “Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, vos conduzirá na verdade plena”, pois Ele não virá para revelar a si próprio, mas para revelar o Filho de Deus, no qual tudo foi criado e em quem se dá a “recapitulação” de todas as coisas: Ele é o fim último e verdadeiro da criação.   
       Os antigos valorizavam o testemunho dado em favor de quem apresentasse uma mensagem. Assim, Moisés só é acolhido pelos israelitas por ter sido designado por Deus e agraciado por Ele através de manifestações e revelações. Da mesma forma, a autoridade dos Apóstolos se baseia no fato de eles terem sido credenciados e escolhidos por Jesus para serem seus porta-vozes, e pelo poder do Espírito Santo, que neles se manifesta.
Por isso, vendo os Apóstolos tristes ante a sua iminente partida, o Mestre não os repreende, simplesmente lhes diz: “É bom para vós que eu vá, pois se eu não for o Paráclito não virá a vós”. Num primeiro instante, eles não o compreendem; só, mais tarde, eles irão reconhecer que a ida de Jesus para junto do Pai correspondia à vinda do Espírito divino, que perpetuaria a comunhão deles com o Cristo glorificado. Então, o que eles contemplaram no monte Tabor, a transfiguração de Jesus, irá se realizar, pelo Espírito Santo, na vida dos que creem no Filho de Deus.
       Firmados na fé e guiados pelo Espírito da Verdade, os discípulos tornam-se testemunhas de Jesus e do Evangelho, vivendo numa comunidade “nova”, sob o signo da liberdade no amor e na misericórdia. S. Agostinho reconhece que “o testemunho apostólico para ser ‘fiel e verdadeiro’ deve estar duplamente fundado: no ensinamento de Jesus, seguindo-o fielmente, como também na firmeza e na luz do Espírito Santo”.
Ao final, despedindo-se, Jesus deseja a paz, apelo aos Apóstolos, para que se coloquem a caminho da Terra Prometida, pois sua paz, shallom, não é uma mera fórmula, é um dom, que superando a paz que o mundo oferece, constitui, com o amor e a alegria, um dos primeiros frutos do Espírito Santo. A sua paz permanecerá no coração dos que o seguem, pois resulta de um amor, não apenas criador, mas salvador, melhor, recriador, porquanto renova a vida do pecador e confere a todos uma nova esperança: eis a boa nova do Reino de Deus anunciado e, na generosidade de Jesus, introduzido na vida de seus discípulos.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM