terça-feira, 21 de abril de 2015

Reflexão do Evangelho - Quarta-feira 22 de Abril e Quinta-feira 23 de Abril

Reflexão do Evangelho
Jo 6, 30-51- Eu sou o pão da vida
Quarta-feira 22 de Abril e Quinta-feira 23 de Abril

       Ao lado de Jesus, aglomera-se uma multidão. De modo claro e singelo, Ele acaba de afirmar: “Eu sou o pão da vida”. As pessoas se entreolham e um murmúrio se eleva. Sobretudo porque a essas palavras Jesus acresceu uma referência ao maná dado por Moisés, no deserto, que “vossos pais, diz Ele, comeram e, no entanto, morreram”. Ao contrário, o pão, ao qual Ele se refere, desceu do céu e é garantia de vida eterna, pois quem dele comer não morrerá. A admiração de todos é grande. Diante dessas palavras, muitos, inclusive os Apóstolos, ficam profundamente chocados com o realismo das palavras do Mestre. Alguns lembravam as palavras ditas em Nazaré: “Não é Ele o filho do carpinteiro?” Por que está agora dizendo que desceu do céu? Sentiam-se enganados quando o ouvem dizer que lhes daria sua carne para comer. Como é possível? Como entender essas suas palavras?
       Para os ouvintes, à primeira vista, elas refletem uma inaudita ousadia, sugerem ser Ele o segundo e perfeito Moisés, em quem se realizará a totalidade da salvação, ou seja, a entrada definitiva na Terra Prometida. Seus ouvintes o interpretam ao pé da letra. Jesus, porém, não pensa na restauração do reino de Israel, mas sim na realização última e perfeita da nova aliança com o Pai, memorada pela Eucaristia, o pão vivo, que anuncia e realiza a nossa adesão à ação salvadora de Deus.         
       Perplexos, os Apóstolos cochicham entre si: “Estas palavras são difíceis; quem pode entendê-las?” Percebendo o que se passava em seus corações, Jesus procura explicar que suas palavras não se reduzem ao sentido literal ou à finitude da realidade humana, pois “o que eu vos disse são espírito e vida”. Ele se refere ao “pão do céu”, ao “pão da vida”, e deseja avivar no coração dos discípulos a fé, fonte de vida nova, que os conduzirá a participar de uma vida duradoura e imortal.
Mais tarde, a caminho do martírio, S. Inácio de Antioquia proclama que pela Eucaristia sua vida se orienta “para a eternidade”, não no sentido de ela ser um mero prolongamento da vida terrena ou um “descanso eterno”, mas abertura para uma vida nova, que o situará na própria órbita divina. Por sua vez diz S. Ambrósio: “Quem come a vida não pode morrer. Ide a Ele e saciai-vos, porque Ele é o pão da vida. Ide a Ele e sereis iluminados, porque Ele é a luz. Ide a ele e vos tornareis livres, porque onde está o Espírito do Senhor lá está a liberdade”. O Corpo eucarístico é aquele do Deus feito homem, que incluiu em sua vida toda a nossa finitude, toda a nossa condição de morte, para tudo plenificar com a sua luz e glória.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Reflexão do Evangelho - Terça-feira 21 de Abril

Reflexão do Evangelho
Jo 6, 30-35 -  Deu-lhes pão do céu a comer
Terça-feira 21 de Abril
      
       Logo após o milagre da multiplicação dos pães, parece descabida a pergunta feita a Jesus: “Que sinal realizas, para que vejamos e creiamos em ti? Que obras fazes?” Aliás, não são poucos os que desejam testá-lo e mesmo confundi-lo. Há outros, que o querem conhecer melhor e lhe pedem um sinal “proveniente do céu”. E é justamente do alto que provém a sua resposta.  
       Preparando-os, Jesus se reporta ao maná, concedido ao povo de Deus a caminho da Terra Prometida. Mais uma vez, Ele se esforça para que seus ouvintes se disponham a acolher o dom que Ele lhes concede: o verdadeiro maná, o pão descido do céu. Por sua natureza, ele é imperecível; por seu efeito, ele é fonte de vida eterna para os que o recebem. Ao contrário do maná dado no deserto, perecível e apenas capaz de alimentar o corpo mortal, o pão que Ele dará é o “verdadeiro pão do céu”, o “pão da vida”.
       Agora, são os Apóstolos que se voltam para o Mestre e, sentindo arderem seus corações, exclamam: “Dá-nos sempre deste pão!” Talvez eles entendessem suas palavras ao pé da letra. De imediato, sua resposta os deixa perplexos: “Eu sou o pão da vida”. O pão do céu é Ele mesmo. Só mais tarde, eles compreenderão que Jesus falava da Eucaristia, alimento de ressurreição. Porque o corpo flagelado e o sangue derramado, o corpo ressuscitado e glorificado, é o corpo eucarístico.
Passados alguns anos, com agudeza de espírito e incontestável fidelidade ao Senhor, S. Inácio de Antioquia fala da Eucaristia como “fermento de imortalidade”, presença do Ressuscitado que nos confere as forças sobrenaturais necessárias para o dia a dia, ou seja, a fé-confiança que os Hebreus tanto necessitavam no deserto. O maná eucarístico é Cristo ressuscitado, que nos permite entrar no espaço de uma perpétua comunhão com o Pai e, vivificados pelo Espírito Santo, percorrer o caminho da travessia terrena.  
 A refeição dada pelo Senhor é alimento para o espírito; é alimento de ressurreição, que realiza a aliança, a união da criatura com o Criador. A propósito, diz S. Gregório de Nissa: “O pão divinizado não só é assimilado por nós, mas nos assimila ao próprio Senhor. Nossa finitude, assumida por Ele, participa, desde já, de um modo de ser que não conhece jamais a corrupção”.  Na Eucaristia, o corpo da humanidade, as criaturas humanas e o mundo criado, vibra no imenso ondular da ressurreição de Cristo. 

domingo, 19 de abril de 2015

Reflexão do Evangelho - Segunda-feira 20 de Abril

Reflexão do Evangelho
Jo 6, 22-29 - Jesus em Cafarnaum
Segunda-feira 20 de Abril

       Jesus e os Apóstolos entram na cidade de Cafarnaum, “Caphar” que significa campo, “naum” consolação ou formoso.  A pregação de Jesus não é uma palavra abstrata ou simplesmente informativa. Por isso, ao ouvi-lo, muitos ficaram “extasiados, pois ensinava com autoridade (ecsousia) e não como os escribas”. “Ele ensinava, observa S. Jerônimo, como Senhor, não se apoiando em outra autoridade superior, mas a partir de si mesmo”. Justamente por essa razão, os escribas, que vieram de Jerusalém, o acusam de falta de respeito pela “tradição dos pais” e contestam o direito de Ele se contrapor à Lei. Sábio, manso, cheio de amor, Jesus não os rebate, nem se justifica.  
Ademais, pasmos, os escribas ouvem a multidão, proveniente de Tiberíades, narrar com entusiasmo o milagre da multiplicação dos pães e perguntar a Jesus, com certa familiaridade: “Rabi, quando chegaste aqui?” Sua resposta não é menos surpreendente. Desejando levar seus ouvintes a viver a Lei do Evangelho, sem destruir a antiga Lei, Ele responde: “Vós me procurais, não por terdes visto sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes”. De fato, no deserto, nem todos tinham reconhecido a multiplicação dos pães como um milagre, mas apenas como um meio de matar a fome.
As perguntas se alternam. Outros, maravilhados com as obras realizadas por Jesus, procuravam saber o que Ele realmente desejava deles ou o que deviam fazer para “trabalhar nas obras de Deus”. Sua resposta é imediata e simples: “A obra de Deus é que vós creiais naquele que Ele enviou” e que compreendais que há algo mais do que o alimento ou o bem-estar físico. E para que não houvesse dúvida, Ele acrescenta: “Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”. Refere-se certamente aos seus ensinamentos, e particularmente ao  “pão do céu”, ao “pão da vida”, a Ele mesmo, que se dá plenamente a nós na Eucaristia.  

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Reflexão do Evangelho - Domingo 19 de Abril

Reflexão do Evangelho
Lc 24, 35-48 - Aparição aos Apóstolos
Domingo 19 de Abril
        
       S. Lucas narra os mais decisivos atos do testemunho evangélico sobre a Ressurreição de Jesus: a verificação do túmulo vazio e as aparições. Ditas “privativas”, estas aparições deram origem a dúvidas e incertezas, alimentando fervorosa discussão entre os Apóstolos. Já era noite e eles lá estavam no Cenáculo, e enquanto discutiam, eis que lhes chega a notícia de que o Mestre aparecera a Pedro. Pouco antes, tinham chegado os dois discípulos provenientes de Emaús, contando o que lhes tinha sucedido e o fato de o terem reconhecido na fração do pão. Mesmo assim havia ainda dificuldade em acreditar em suas palavras. A discussão corria acalorada, quando, de repente, eles ouvem uma voz que lhes era bastante familiar: “A paz esteja convosco”. O espanto paralisou-os. Aterrados e cheios de medo, “eles julgam ver um espírito”. Sereno, Jesus os olhava e para tranquilizá-los pergunta: “Por que vos perturbais, por que sobem ao vosso coração esses pensamentos de dúvida?” E para que todo temor se afastasse de seus corações e se dissipasse a dúvida de ser Ele uma simples visão, Jesus dá provas de sua identidade: “Vede minhas mãos e meus pés, pois sou eu”. A dúvida e o receio afastam-se e dão lugar à alegria e à certeza interior da presença de Jesus ressuscitado. Era o Mestre!
Depois, como se nada tivesse acontecido, Ele lhes pede algo para comer. Pasmos, os Apóstolos o acompanham à refeição. Não bastasse o fato de lhes mostrar as marcas dos cravos nas mãos e nos pés, “tomando um pedaço de peixe assado”, Ele confirma a sua corporeidade. Os Apóstolos não conseguiam crer que era o mesmo Senhor, em sua vida de Deus, que estava presente no meio deles. Mas era justamente essa vida que Ele desejava transmitir a eles e à humanidade inteira. Por isso, após render graças, Ele lhes fala do começo de um novo tempo, vivido na comunhão com Ele, “lugar” em que o homem se eleva a Deus e participa da vida divina.
A ressurreição não o tornou diferente do que Ele era antes; revelou o que ele sempre foi: presença radiosa e fonte da ação do Espírito divino na vida dos seus seguidores. Com efeito, a vida imortal não lhes é estranha, graças a ela, eles “resplandecem como o sol no reino de seu Pai”.  Se na Encarnação eles foram inseridos em Jesus, na sua Ressurreição, imersos num oceano de luz e de silêncio, eles são introduzidos em sua glória. Mais tarde, o Apóstolo S. Paulo irá proclamar: “Assim como em nós carregamos a imagem do homem terrestre, carreguemos, igualmente, em nós a imagem do homem celeste” (1Cor 15, 49). 

Reflexão do Evangelho - Sábado 18 de Abril

Reflexão do Evangelho
Jo 6, 16-21 - Jesus caminha sobre as águas
Sábado 18 de Abril
      
Após despedir o povo e enviar os discípulos para a outra margem do lago, “Jesus subiu ao monte, a fim de orar”. Silêncio e solidão. Entre as nuvens, tocadas pelo vento forte, talvez Ele tenha avistado o barco dos discípulos, que buscavam em vão chegar a Cafarnaum.  “Na quarta vigília da noite”, nos primeiros albores do dia, Ele vai ao encontro deles. Aproxima-se, “caminhando sobre o mar”. Soprava ainda um vento intenso e impetuoso, quando eles avistam, em meio às águas encapeladas, um vulto que se aproxima. Vendo aquilo, sentiram medo e chegaram a exclamar: “É um fantasma!”
       Assustados, eles viam o vulto se avizinhar, andando sobre as águas. Em meio ao fragor das ondas, que ameaçavam virar o pequeno barco, uma voz serena os tranquiliza: “Não temais, sou eu!” Imediatamente, eles reconhecem que é o Mestre, que faz menção de passar adiante, como o fez com os discípulos em Emaús. Provocação para despertá-los à responsabilidade da liberdade, pois Deus é aquele que passa. Assim se deu na primeira Páscoa do Egito ou nas grandes visões de Moisés ou de Elias, como também na sua vinda entre os homens. “Jesus não acorre logo para salvar os discípulos, observa S. João Crisóstomo, mas os instrui, através do temor, a afrontar os perigos e aflições”.
As palavras do Senhor: “não temais”, recordam a promessa feita por Deus a Isaías: “Não temais, pois eu estou convosco”, isto é, “crede unicamente”. Para os Apóstolos, as palavras do Mestre são um apelo para que eles estejam abertos interiormente à presença divina, sempre surpreendente. Nesse sentido, ao dizer: “Sou eu”, Jesus desperta nos Apóstolos a lembrança das manifestações inauditas de Deus, conduzindo o povo de Israel no deserto. Mais tarde, os Apóstolos irão recordar esta cena à luz da missão do Messias, que conduz seu povo à Jerusalém celeste.
 Do mesmo modo que o Pai, Jesus exige dos discípulos confiança e entrega. Atitude indispensável para participar do seu poder, manifestado no fato de Pedro, obediente às suas palavras, caminhar sobre as águas. Se em meio às dificuldades e perseguições, eles vacilarem ou vierem a afundar, uma certeza os anima: não lhes faltará a mão misericordiosa do Mestre para reconduzi-los ao barco, onde estarão com Ele e alcançarão serenidade (apátheia) e repouso (hesychia). Sugestivamente, o relato termina: “Assim que eles subiram ao barco, o vento amainou”.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Reflexão do Evangelho - Sexta-feira 17 de Abril

Reflexão do Evangelho
Jo 6, 1-15 - Multiplicação dos pães (primeira)
Sexta-feira 17 de Abril

       O capítulo sexto tem um significado todo especial no Evangelho de S. João. Jesus acaba de atravessar o lago da Galileia, subindo a um alto monte com seus Apóstolos. Atraída por sua fama e por “causa dos sinais que ele operava nos doentes”, uma grande multidão o acompanha. Quem os visse andando, por entre aquelas colinas áridas, pensaria estar diante de um novo Moisés, conduzindo o povo pelas estradas da liberdade. Falando com as pessoas e tocando-as, mais uma vez, Jesus “sentiu compaixão delas”.  Se elas estão em busca de sinais, Jesus, ao invés, quer que elas ultrapassem o aspecto miraculoso e portentoso dos milagres, para alcançar a verdadeira fé. Sua ação revela a presença de Deus e a inaudita misericórdia divina, presente no mundo.
       A noite se aproxima e o Senhor nota que a hora vai avançada. “Levantando os olhos, pergunta a Filipe: ‘Onde compraremos pão para alimentá-los?’ - ‘Duzentos denários de pão não seriam suficientes para que cada um receba um pedaço’”, responde Filipe. A morosidade dos Apóstolos em compreendê-lo é impressionante. No entanto, a paciência do Senhor é inesgotável. A pouco e pouco Ele os irá instruindo e conduzindo-os a uma fé vigorosa e esclarecida.
         De novo, Jesus perguntou-lhes: Mas quantos pães tendes? “Um de seus discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, lhe diz: Há aqui um menino, que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantas pessoas?” Jesus queria conceder à multidão, antes de tudo, o alimento espiritual, mas, em outra ocasião, Ele também havia dito: “A quem procura o Reino de Deus, todo o resto lhe será dado em acréscimo”. Mais tarde, os Apóstolos irão compreender a grandeza do gesto misericordioso do Mestre. No momento, cabe a eles, unicamente, dizer à multidão para se assentar: “sentaram-se, pois os homens, em número de cinco mil, aproximadamente”. Então, tomando os poucos pães e peixes, Jesus dá justamente aos Apóstolos para que os distribuam. Embora pudesse despedir as pessoas famintas para buscarem alimento nos vilarejos vizinhos, ainda que distantes, Ele as acolhe e lhes dá de comer. Bondade e ternura do Senhor!
       Pasmos, os Apóstolos distribuem o alimento, sem saberem bem como tinha acontecido a multiplicação. A confiança no Mestre os fortalece interiormente, sobretudo, vendo a fé viva e a união dos que recebem um naco de pão e alguns peixinhos, que mostram que o penhor das bênçãos divinas será concedido na vida eterna, mas também já agora em nossa trajetória terrena. A refeição festiva dos irmãos antecipa a ceia da Eucaristia, o pão rompido, que irá alimentar os corações famintos de Deus e de seu amor misericordioso. Os doze cestos repletos dos restos  dos cinco pães atestam a superabundância do dom divino e prenuncia o banquete messiânico no monte de Deus. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Reflexão do Evangelho - Quinta-feira 16 de Abril

Reflexão do Evangelho
Jo 3, 31-36 - Último testemunho de João Batista
Quinta-feira 16 de Abril

       As atividades de Jesus desenrolavam-se na região da Judeia, lugar de mananciais, talvez não distante do rio Jordão. Após os ensinamentos ministrados a Nicodemos a respeito do batismo, Jesus, seguido pelos discípulos, percorre a região, anunciando o Evangelho e batizando. Na mesma ocasião, João, que “não tinha ainda sido encarcerado”, batiza com água. No encontro com um judeu, seus discípulos discutem a respeito dos “ritos de purificação”, que correspondem ao batismo.  
Os discípulos de João defendiam o batismo na água, outros, citando as palavras dos profetas, falavam da purificação pelo “espírito” ou pelo fogo. Em pauta, o batismo de penitência, realizado por João Batista, e o batismo de Jesus. O clima tornou-se tenso, a discussão acalorou os ânimos, a ponto de os discípulos perguntarem a João: quem é que batiza legitimamente, Jesus ou ele? Em quem acreditar? O embate é providencial, pois propicia o testemunho final e decisivo do Precursor sobre Jesus. João não protesta, simplesmente pronuncia o “nunc dimittis”: “deixa agora seu servo ir em paz”, palavras do velho Simeão, pronunciadas no Templo, ao receber em seus braços o Menino Jesus. E mais uma vez, ele deixa claro não ser o Messias e declara, de modo incisivo: “É necessário que Ele cresça e eu diminua”.  A grandeza de alma e a fidelidade à missão que lhe foi conferida por Deus, jamais deixarão de ser lembradas pelos cristãos.  
         O tema inicial é esquecido, não é mais o batismo, passa a ser a vinda daquele que procede do alto. Então, sem hesitar, João volta a dizer que a sua missão é preparar os caminhos para Jesus que, vindo do alto, comunica o Espírito divino, “dom sem medida”. Escreve S. Cirilo de Alexandria: “João Batista se regozija por ter ultrapassado a condição de servidor, para poder ser chamado ‘amigo’”. Sua missão se cumprira. Agora, após tão longa preparação, com grande clareza e não menor humildade, ele concita todos a irem ao encontro do Esposo e, com fervor, acolhê-lo. Em Jesus, Deus se doa, ama-nos e, entrando em nossa história, quer que o amemos, reciprocamente, sem reserva.