quinta-feira, 24 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 20,20-28 - Pedido da mãe dos filhos de Zebedeu - Sexta-feira 25 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 20,20-28 - Pedido da mãe dos filhos de Zebedeu
Sexta-feira 25 de Julho
      
       A expectativa era grande. Os Apóstolos aguardavam a qualquer momento a manifestação do Reino de Deus. Com um olhar sereno, porém triste, Jesus fala de sua morte e ressurreição: “O Filho do Homem será entregue aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado. Mas no terceiro dia ressuscitará”. Absorvidos em seus pensamentos de glória, os discípulos não o entenderam bem e a mãe de João e Tiago pressente em suas palavras o anúncio da iminência da realização messiânica. Por isso, omemn HHpede-lhe que “seus dois filhos se assentem um à direita e outro à esquerda” em seu Reino. A mãe fez o pedido, mas são os filhos que recebem a resposta. Há uma ambição a ser corrigida. Aliás, não é a primeira nem a última vez que o Evangelho sublinha o desejo de precedência. Ora, estar com Ele na glória é viver, desde agora, o abandono total na renúncia a si mesmo. Escreve S. João Crisóstomo: “Quem procura a ostentação, enquanto o Senhor segue a humildade, não reflete a imagem de Cristo, pois não é verdadeiro discípulo quem não imita o seu Mestre”, participando de sua morte e de sua ressureição.  
       Então, Jesus pergunta aos dois irmãos: “Podeis beber o cálice que eu vou beber, ou receber o batismo que estou para receber?” Sem titubear, eles respondem: “Nós podemos”. De fato, Tiago morrerá mártir e João estará no Calvário, partilhando do cálice com Jesus, no sofrimento da cruz. Embora não se pronuncie sobre quem irá sentar-se à direita ou à esquerda em seu Reino, Jesus não deixa de despertar nos Apóstolos a consciência de ser Ele o Filho amado de Deus, por quem e em quem se realiza o desígnio do Pai.
Mas a decisão última cabe ao Pai. No momento, o importante não é preocupar-se com o lugar que se terá na glória do Senhor, mas empenhar-se em participar, desde já, do Reino de Deus. Observa S. Agostinho: “O caminho para sua glória, a pátria celeste, é a humildade. Se tu recusas o caminho, por que buscas a pátria?” Somos, assim, convidados a assumir e a viver o humilde serviço realizado por Jesus.  S. João Crisóstomo diz que “Deus, pelo fato de se humilhar, trouxe-nos um proveito: aumentou o número de seus servidores e estendeu o seu Reino. Quando te humilham, pensas que estás sendo diminuído? O abaixamento de Jesus não foi causa de diminuição, mas ele produziu inumeráveis benefícios, milhares de ações boas e permitiu que a sua glória brilhasse com maior resplendor”. Como aos Apóstolos, também a nós, a graça divina não nos faltará. Pois, desde já, a força de Deus nos acompanha e transfigura nossa frágil e opaca realidade humana, de modo que em Jesus nos tornamos um “deus criado”, um “deus pela graça divina”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

terça-feira, 22 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 1-23 - Parábola do semeador - Quarta-feira 23 de Julho, Quinta-feira 24 de Julho e Sábado 26 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 1-23 - Parábola do semeador
Quarta-feira 23 de Julho, Quinta-feira 24 de Julho e Sábado 26 de Julho

        A Bíblia é a declaração solene de que Deus, após a queda do pecado, não abandonou o mundo. A vinda do Filho Unigênito evidencia o seu amor inquebrantável pela humanidade e o seu desejo de restabelecer a harmonia entre os homens e a natureza, entre o mundo e o Criador. Antes do relato da parábola, o texto fala que Jesus saiu de casa e sentou-se junto ao mar, sugerindo assim sua vinda ao mundo, “para estar, pela sua Encarnação, mais próximo a nós” (S. João Crisóstomo). Aliás, já no início da parábola, Jesus se refere a si mesmo como “o semeador que saiu a semear”, ou seja, Ele é aquele que veio lançar a semente da Palavra em todos os corações, desejando que neles ela crie raízes e produza frutos de amor e de misericórdia. Nesse sentido, S. Cirilo de Alexandria diz “ser Jesus o verdadeiro Semeador, que comunica a nós, terra boa, a boa semente da Palavra e cuja messe são os frutos espirituais”. 
        A parábola, contada pelo Mestre, traça a aventura da semente no terreno dos corações humanos, pois proveniente do alto, ela germina de acordo com a qualidade de cada terreno. Uma parte das sementes “foi lançada à beira do caminho”, terreno “pisado pelos pés de todos”, duro e pedregoso. Estas não terão vida longa, pois são levadas pelos pássaros e não chegam a criar raízes. Outra parte caiu em lugares de camada fina de terra e, ao nascerem, apresentam-se frágeis e logo são sufocadas pelas tribulações, perseguições e paixões desordenadas. Elas representam todos os que têm uma fé vacilante e pouco profunda e a sua piedade é evanescente e sem consistência ou, no dizer de S. Jerônimo, elas simbolizam “os escravos dos prazeres e dos cuidados deste mundo, que sufocam a Palavra de Deus e fragilizam a virtude”.
No entanto, o insucesso de algumas sementes é superado pelo número vertiginoso do tríplice rendimento do grão que encontra terra boa. Este produz “fruto à razão de cem, sessenta e trinta por um”, porque a luz divina é capaz de penetrar até numa pequena e estreita fresta do coração humano para dilatá-lo prodigiosamente, de tal modo que ele, transformado e purificado, irradia justiça, paz e alegria espiritual. Eis a força eficaz da Palavra de Deus! Seus frutos são abundantes, pois o desígnio divino não é arbitrário, é presença de Cristo que anuncia e realiza nossa filiação divina: em e por Jesus, tornamo-nos filhos e filhas amados do Pai celestial.  Por isso, ao terminar a parábola, Jesus diz aos ouvintes: “Quem tem ouvidos, ouça”. Forte, solene e conciso apelo. Se o terreno corresponde à disposição interior do coração humano, a responsabilidade de acolher a semente cabe a cada um de nós. Comenta S. Basílio Magno: “É evidente que alguns possuem ouvidos melhores e melhor podem entender as palavras de Deus. Mas o que dizer dos que não têm tais ouvidos? ‘Surdos, ouvi, e vós cegos, vede’ (Isaías 42,118). Expressões todas elas usadas em relação ao homem interior”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

domingo, 20 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Jo 20, 1-2.11-18 - Aparição às santas mulheres - Terça feira 22 de Julho

Reflexão do Evangelho de Jo 20, 1-2.11-18 - Aparição às santas mulheres
Terça feira 22 de Julho
      
       João Batista pregava só quando um grupo de pessoas se reunia ao seu redor, Jesus, por sua vez, vai ao encontro das pessoas, peregrinando de cidade em cidade. Numa vida itinerante, Ele ia às cidades e aldeias e sua voz era ouvida nas sinagogas e no Templo; noutras ocasiões, Ele falava às multidões, reunidas em lugares desertos ou sobre belas colinas e mesmo à beira do lago de Genesaré. Acompanham-no os Apóstolos, fiéis seguidores, e as santas mulheres que os serviam com os seus bens. Elas mostravam-se silenciosas, de grande afabilidade e generosidade, exprimindo, assim, seu agradecimento pelo muito que tinham recebido do Senhor.
Após o sepultamento do Mestre, as mulheres serão as primeiras a irem ao túmulo para lhe prestar homenagem. Chegando, veem a pedra retirada e debruçando sobre o túmulo, constatam que estava vazio. À sua entrada, guardando o recinto, um anjo as exorta: “Não temais! Sei que vós estais procurando Jesus, o Crucificado. Ele não está aqui, ele ressurgiu, conforme havia dito”. É a vitória da vida, em que a morte é vencida e surge um novo tempo, primícias da consumação dos séculos. Exclama Melitão de Sardes: “Ressuscitando dos mortos, Jesus ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro”.
       O sol projetava seus primeiros raios de luz, com os olhos marejados de lágrimas, as santas mulheres temem que os soldados tenham levado o corpo do Senhor. As palavras do anjo não aquietaram seus corações apreensivos. Sempre compreensivo e bondoso, o próprio Jesus “sai ao encontro delas, dizendo-lhes: alegrai-vos. Reconhecendo-o, elas se aproximam dele, abraçam-lhe os pés, e se prostram diante dele”. Imediatamente, a tristeza dá lugar à alegria e à gozosa adoração. O sepulcro, lugar de dor e de lamentação, torna-se expressão de esperança e de conforto. Também as lágrimas se transformam. Agora, com lágrimas de alegria, elas partem apressadamente para dar a boa-nova aos Apóstolos e transmitir-lhes a mensagem do Senhor: “Anunciai a meus irmãos que se dirijam para a Galileia; lá me verão”. Mas os inimigos de Jesus não dão trégua. Ao saber, pelos guardas, do sucedido, os chefes dos sacerdotes lançam um último e desesperado intento para sufocar a ação gratuita e benevolente da vontade de Deus. Subornam os soldados. Eles não deveriam narrar a verdade dos fatos, mas desfigurá-los, dizendo falsamente “que os discípulos tinham roubado seu corpo enquanto eles dormiam”. Último vislumbre da maldade urdida pelos inimigos do Senhor.
       Nesse episódio, é ressaltada a perseverança das santas mulheres. Embora os discípulos tivessem se retirado, Maria Madalena permanecia junto ao túmulo. Diz S. Gregório Magno: “Buscando, ela chorava, e o fogo de seu amor, tornava ainda mais vivo o desejo por seu Senhor desaparecido. Ela foi recompensada, é a única a vê-lo, pois da perseverança provém a força de toda boa ação”. Ao adverti-la de não tocá-lo, “porque, dizia Ele, não subi ainda ao Pai”, Jesus a erige como sinal para todos os seus discípulos: antes de tocá-lo há de se ter a experiência pessoal e interiorizada de sua presença. A propósito, observa S. Jerônimo: “Como os Apóstolos, também ela deve crer espiritualmente, pois Ele já se encontra estabelecido à direita do Pai, na glória celestial”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

Reflexão do Evangelho de Mt 12,38-42 - O sinal de Jonas - Segunda-feira 21 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 12,38-42 - O sinal de Jonas
Segunda-feira 21 de Julho
      
         Jesus veio para oferecer a Salvação e a Redenção à humanidade. Suas palavras causavam estranheza às autoridades da época, pois Ele considerava o amor a Deus e aos homens, incomparavelmente, mais importante do que as múltiplas tradições e prescrições humanas. Presença do amor benevolente do Pai, Jesus quer estabelecer uma nova e eterna aliança com os homens. A resposta à sua oferta é consentimento e abandono total ao seu desígnio salvador. Ora, os escribas e fariseus, em sua incredulidade, não confiam em suas palavras e revelam certa aversão, que bem pode refletir uma ponta de inveja, porque até então eles se tinham como único padrão e critério da verdade e da ortodoxia. Não obstante isso, eles lhe pedem um sinal do alto.
A resposta de Jesus, serena e desafiadora, remete-os ao profeta Jonas, que Ele apresenta como figura de sua morte e ressurreição. O povo de Nínive, descrito em seu processo de penitência e conversão, simboliza o novo Povo de Deus, instituído por Ele. Mas inebriados pelo orgulho e pelo sentimento de superioridade, eles não conseguem entendê-lo e alguns chegam a afirmar que as palavras e sinais realizados por Ele eram obras do demônio. A resposta de Jesus é imediata. Com palavras duras e severas, Ele os compara a uma geração adúltera e perversa. A ira deles aumenta ainda mais, mas Jesus, sem se alterar, continua a anunciar a vitória da graça divina.
Contudo, o poder de Jesus é o poder do amor, e o amor respeita a liberdade do outro. Sem reconhecer a Verdade de Deus, presente junto a eles, fariseus e escribas não creem em suas palavras e se afastam com ares ameaçadores. Outros creem em suas palavras e se estreitam em torno dele. Estes eram guiados pela liberdade da fé, que descerra a cegueira interior do coração e permite contemplar, refletida nas Palavras do Mestre, a grandeza da misericórdia divina. Da mesma forma que o povo de Nínive, diante da pregação de Jonas, orienta-se para Deus, também eles entregam-se à Palavra de Jesus, que os exorta à penitência e ao arrependimento. Ao invés, assim como João Batista foi rejeitado, também agora os fariseus e escribas não acolhem os sinais realizados pelo Messias, o Ungido de Deus, e recusam a sua mensagem.
       Escreve S. Pedro Crisólogo: “A fuga do profeta Jonas é figura do próprio Senhor. O terrível naufrágio simboliza sua morte e ressurreição. Aos judeus que pediam um sinal, Ele decidiu dar um único sinal, para que eles soubessem que a glória messiânica é transferida às nações, a todos os povos. Portanto, com toda justiça, conclui Jesus, os ninivitas hão de se levantar no dia do Julgamento e condená-los, pois eles fizeram penitência por força da pregação de um único profeta. E esse profeta era um náufrago, um estrangeiro, um desconhecido”. No presente momento, urge corresponder à Palavra de Jesus, que, segundo Orígenes, “oferece não dons corruptíveis como o ouro ou os aromas, mas sim o perfume espiritual da fé, o suor da virtude e o sangue do martírio”.  


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 24-30 - Semente boa e má - Domingo 20 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 24-30 - Semente boa e má
Domingo 20 de Julho

       Às voltas com a discussão sobre o fim dos tempos, os fariseus indagam Jesus sobre o Reino de Deus. Ele responde: “O Reino de Deus não vem de maneira visível, não se pode dizer ‘Ei-lo aqui’, ou Ei-lo ali’ ... porque o Reino de Deus está próximo, está dentro de vós”. Para explicitar, Jesus utiliza imagens extraídas do mundo rural e conta-lhes uma parábola: “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo” e quer ele durma, quer esteja acordado, de noite e de dia, a semente germina e cresce. Mas “enquanto dormiam, veio o inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora”. É a parábola do joio. Jesus alerta que se tentarem separar, imediatamente, o joio do trigo toda a colheita pode ser prejudicada e mesmo destruída. Só mais tarde, após o crescimento de ambos.  
De uma maneira singela, Jesus fala da realização dos planos de Deus, que semeou, em nossos corações, a boa semente, podendo, no entanto, ser ela prejudicada pela força negativa do pecado e do mal. S. Agostinho observa que “no campo do Senhor, isto é na Igreja, quem era trigo por vezes se transforma em erva daninha e os que eram erva daninha se transformam em trigo. Daí ter sido reservada a separação aos anjos. Mais exatamente. A separação cabe ao pai de família, que conhece todos, e sabe aguardar o tempo da separação”.
         A semente do mal, presente no coração do homem, é considerada como uma decisão pecaminosa de sua vontade livre. Nesse sentido, Diadoco fala que “a natureza do bem é mais forte que o hábito do mal, pois o bem é, enquanto o mal não é ou, melhor dito, ele só existe no momento em que se efetiva”. S. Gregório de Nissa dirá que “o pecado é uma enfermidade da vontade, que se equivoca tomando por bem a ilusão (o fantasma) do bem”.
 Na parábola do joio, o mundo e a vida interior de cada cristão são como um campo de batalha, que exige uma luta contínua. Mesmo que nele o Inimigo semeie a erva daninha do pecado e do mal, a vitória será de Cristo, luz de todo homem, mesmo daqueles que não o conhecem, contanto que correspondam ao chamado de Deus e ao seu dom, pela fé e por uma consciência reta e justa. O Reino de Deus realiza-se lá onde a Palavra do Senhor é acolhida por aqueles que têm sua vida norteada pela Lei nova do amor e da misericórdia. Então, a boa semente se desenvolve e o coração humano se abre ao panorama da divina Sabedoria.  


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 12, 14-21 - Jesus é “o servo de Deus” - Sábado19 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 12, 14-21 - Jesus é “o servo de Deus”
Sábado19 de Julho
        
       Na interpretação da lei do sábado, Jesus coloca em causa não só a sua observância, mas a questão da vinda do Messias. Os fariseus esperavam um Messias glorioso e cheio de poder.  Por outro lado, os profetas o apresentavam humilde e perseguido. O profeta Isaías o descreve como o “Servo sofredor de Javé”. S. João Crisóstomo observa que “o testemunho de Isaias sobre Jesus é citado para aliviar o peso da hostilidade dos fariseus e, igualmente, revela que Ele deveria vir na humildade, trazendo paz”.
       A figura do Servo sofredor assinala a importância de sua vida e de sua morte, pois ungido pelo Espírito de Amor e, em comunhão perfeita com Deus Pai, ele veio para oferecer a Redenção e a Salvação à humanidade. Nesse sentido, ele não só exerce uma atividade essencial para o futuro dos homens, mas, mais do que ninguém, representa-nos junto de Deus e, com seu testemunho, assegura-nos a visão e a assimilação a Deus, concedidas a nós na vida eterna.
Por isso, suas palavras e atitudes soam como um forte apelo à conversão e à preparação interior para acolher a sua divina mensagem. Como “servo sofredor”, Ele nos induz a sermos simples e humildes e a nos colocarmos totalmente a serviço de nossos semelhantes, pois, no dizer de Apolinário de Laodiceia, “ele ensinou com o exemplo da sua vida a não alardear ou louvar as próprias ações, mas a conduzir uma vida respeitosa, acompanhada de ações virtuosas”.
Jesus não se põe à frente de exércitos, nem se apresenta como um reformador ou revolucionário, segundo o parecer de seus conterrâneos a respeito do Messias. Ele se manifesta compreensivo e misericordioso, sempre pronto a socorrer os pecadores e a reavivar os ânimos abatidos. Cabe-nos ouvir e acolher a Palavra por Ele proclamada, que restaura nossa liberdade e nos torna artífices de um mundo novo, integralmente renovado e plenamente santificado.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

Reflexão do Evangelho de Mt 12, 1-8 - A colheita das espigas - Sexta-feira 18 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 12, 1-8 - A colheita das espigas
Sexta-feira 18 de Julho

 O Sábado encerra o ritmo sacro da semana com um dia de encontro cultual e de repouso para todos, escravos e livres. Ele é, particularmente, um dia reservado à oração e à meditação, alimentos necessários à alma, e também ocasião para celebrar a bondade de Deus e a grandeza de sua obra criadora. Mas havia aqueles que o consideravam de modo muito estrito, e exigiam a sua observância em todo seu rigor. Estes são os escribas e fariseus, que ficam escandalizados quando veem os discípulos de Jesus, movidos pela fome, desrespeitar o sábado, colhendo milho para comer.  
Diante do protesto dos fariseus, Jesus pergunta-lhes: “Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros, como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição?” Ora, um dos rituais do Templo na época de Jesus era o dos doze pães da proposição, colocados no altar e substituídos todos os sábados por outros recém-assados. Apenas os sacerdotes podiam comê-los. Com estas palavras, o Mestre quer deixar claro que, antes de qualquer norma e prescrição legal, vinha a misericórdia. Aos famintos, que se lhe deem o que comer, mesmo que sejam espigas de milho colhidas no sábado consagrado ao Senhor: “Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado!”
Jesus não abroga a lei do sábado, mas censura a importância exagerada e o rigorismo dos fariseus, pois o sábado não é para ser visto como uma exigência arbitrária e tirânica, mas como um dia da semana que proclama e recorda a todos a disposição benevolente de Deus para proteger o homem em sua vida e em seu trabalho. Jesus não incita a trabalhar no sábado, no entanto, quer fazê-los compreender que o sábado jamais exclui as obras de caridade e os atos de misericórdia para com o próximo. Por isso, voltando-se para os fariseus, que hostilizam os discípulos, afirma “que no dia de sábado é permitido fazer o bem”. Aliás, pouco antes, Ele havia dito: “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado”. Mas parece inútil esse seu esforço para explicar-lhes que ajudar o próximo é sempre meritório e agradável aos olhos de Deus. Eles permanecem irredutíveis. Mas sem se perturbar, logo em seguida, Ele cura a mão atrofiada de um homem que estava na sinagoga. Isso em pleno sábado.
Assim, as atitudes de Jesus deixam entrever o Novo, que remete todos, inclusive os fariseus, “à prática das obras de misericórdia que Deus espera de todos nós” (São Cirilo de Alexandria). O zelo pela observância do sábado não é motivo de cegueira. Simplesmente, Jesus coloca acima dele a prática da caridade e do bem. Por conseguinte, não se despreza o antigo edifício, constrói-se o novo, no qual presidem a caridade, a fé e a atitude espiritual interior, manifestada na prática do bem e do amor fraterno.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM