quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 18, 1-5.10 - Quem é o maior? - Quinta-feira 02 de Outubro

Reflexão do Evangelho de Mt 18, 1-5.10 - Quem é o maior?
Quinta-feira 02 de Outubro

       Desde que foi escolhido para ser um dos doze apóstolos, Simão Pedro recebe vários sinais que mostram preferência por parte do Senhor. O mais evidente foi quando Jesus diz que Simão Pedro seria a pedra fundamental da Igreja que fundará, e acrescenta: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 16-19).
           Mas houve outras demonstrações de apreço em relação a esse Apóstolo. Cristo subiu ao alto de uma montanha levando apenas Pedro, Tiago e João. Lá em cima, os três foram os únicos a testemunhar a transfiguração de Jesus. Também é bastante significativo o episódio da cobrança do imposto do Templo. Jesus não era obrigado a pagar, mas para evitar confusão com as autoridades locais, diz a Pedro para ir pescar, que dentro da boca do primeiro peixe que fisgasse ele encontraria um estater (uma moeda): “Toma-o e dá-o por mim e por ti” (Mt 17, 24-27). São Jerônimo escreveu a respeito disso: “Não esqueçamos que os demais apóstolos tinham visto que Pedro e o Senhor pagaram o mesmo tributo”. Tanta atenção a Pedro poderia despertar, entre os Apóstolos, certa rivalidade. Vem, então, muito a propósito a questão dos discípulos de Jesus, que se aproximam dele e lhe perguntam: “Quem é o maior no Reino dos Céus?”.
Em todos os tempos, o desejo de grandeza e de glória esteve presente, mas nada escapa ao olhar atento de Jesus. Como seus seguidores admiravam-se mais com seus feitos do que compreendiam suas palavras, Jesus procura mostrar que para partilhar da sua glória era necessário passar pela cruz: “O Filho do Homem há de ser entregue às mãos dos homens!” (Lc 9, 44). De imediato, os discípulos não o entendem. Não podiam compreendê-lo porque faziam uma ideia menos trágica e mais gloriosa da vinda do Messias. Escreve São Jerônimo: “Pacientemente, Jesus quer agora purificar, por meio da humildade, o desejo de glória manifestado por eles”. Ele se assenta, como no sermão da Montanha, e profere um solene apelo, pois não se trata simplesmente de uma situação hierárquica ou posição social. O essencial não é o lugar que os apóstolos ocuparão junto a Ele, mas a condição necessária para entrar no Reino de Deus. E esta consiste em seguir o Mestre e abraçar como sentido de sua vida o amor a Deus e ao próximo.
         Para tanto, há uma exigência, a de conversão, que requer mudança na maneira de ser e de pensar. Pois, disse Jesus: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 35). Ele exemplifica tomando uma criança e colocando-a no meio deles. Com este gesto, segundo Orígenes, o Senhor procurou simbolizar a humildade, obra do Espírito Santo na vida de quem o segue.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 57-62 - Exigências da vocação apostólica - Quarta-feira 01 de Outubro

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 57-62 - Exigências da vocação apostólica
Quarta-feira 01 de Outubro
      
Fascinados, muitos ouviam Jesus falar do triunfo de Deus sobre o reino das trevas, do pecado e do mal. Inclusive, os fariseus e os escribas, que com grande respeito o chamavam de Rabi, Mestre. Criou-se assim ao seu redor um clima de alegria e de amor. Impressionava-os seu modo compassivo e misericordioso para com os fracos e pecadores, e o rigor exigido dos discípulos e seguidores. A estes, Ele lançava um forte apelo para livrá-los do comodismo e levá-los a acolher o poder misericordioso de Deus. Mas com os hipócritas e vendilhões do Templo, Ele era duro e, por vezes, até irônico: “Coam um mosquito e engolem um camelo”. Porém, a simplicidade e a serenidade não o abandonavam o que permite Goethe dizer: “Todos os quatro Evangelhos transmitem um reflexo daquela grandeza espiritual, cuja fonte foi a própria pessoa do Cristo, ápice espiritual mais divino do que qualquer outra coisa no mundo”.
 Certa feita, um dos discípulos, que lhe pede para primeiro enterrar seu pai, é surpreendido com as palavras: “segue-me e deixa que os mortos enterrem os seus mortos”. Seu intuito é transmitir aos ouvintes o conteúdo principal da sua mensagem, que pressupõe não desprezo aos parentes, mas ter, em meio às adversidades, os olhos voltados para o alto. Observa S. João Crisóstomo: “Cristo faz tal proibição não para que rejeitemos a honra devida a quem nos gerou, mas para indicar que não há nada mais importante para nós do que as realidades do céu. Por elas devemos nos interessar, com todo o fervor e empenho, sem afastar-nos delas um só instante, ainda que sejam graves e urgentes os motivos que nos levam a estar distantes de Jesus”.
Por conseguinte, a proposta de Jesus é que os discípulos participem de sua vida simples, pobre e humilde, e tenham a convicção de que seus ensinamentos não são puros conceitos e ideias, mas expressam e consolidam o encontro deles com o Pai. Indica-lhes um itinerário a ser seguido: das realidades transitórias e terrenas às realidades eternas e espirituais. Verdadeiro programa de vida, que evidencia a necessidade de trilhar o caminho da renúncia, sem a qual jamais se poderá alcançar a libertação das paixões desordenadas e a liberdade diante dos bens materiais. Calam-se, no interior do coração deles, as vozes do pecado e do mal, e eles ouvem, no silêncio do amor, a voz do Mestre, guiando-os à união com o Pai celestial.  Orígenes coloca nos lábios de Jesus a recomendação: “Mortificai o que em vós atrai para a terra, lançai de vós toda ligação com a corrupção da carne, todo mal”. Livre e sereno, o discípulo entende ou intui que a misericórdia, presente em Jesus, é a única força capaz de vencer o pecado e os ídolos do mal.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 51-56 - Jesus não é acolhido pelos samaritanos - Terça-feira 30 de Setembro

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 51-56 - Jesus não é acolhido pelos samaritanos
Terça-feira – 30 de setembro

       A caminho de Jerusalém, Jesus envia mensageiros, à sua frente, com o objetivo prático de preparar os samaritanos para a sua visita. Eles recebem a mesma missão do precursor João Batista: preparar o caminho do Senhor. Vindo da Galileia, Jesus dirige-se à Cidade Santa, onde pretende oferecer a própria vida em sacrifício para a salvação da humanidade. Mas o anúncio prévio de sua chegada de nada adiantou. Jesus e seus discípulos não são bem recebidos pelos samaritanos.   
       Indignados, os Apóstolos Tiago e João perguntam a Jesus: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma?” Ditas pelos Apóstolos, tais palavras causam estranheza. Ficamos surpreendidos ao vê-los sugerindo a destruição de uma pequena aldeia. Embora judeus e samaritanos estivessem divididos por séculos de história, Jesus decide passar por esse território, que ficava entre a Galileia e a Judeia, e ali lhes pedir hospitalidade. Mesmo não compreendido, o gesto revela o coração humilde e generoso de Jesus. Sua oferta de amizade é recusada.
       À pergunta feita, os Apóstolos recebem de Jesus, como resposta, uma dura repreensão: “Não sabeis de que espírito sois animados”. Ao mesmo tempo, Ele procura fazê-los compreender o que o aguarda em Jerusalém. Lá seria crucificado e entregaria sua vida pela redenção dos judeus, samaritanos e gentios. Reconciliados com Deus, todos se tornariam um só povo. Escreve S. Cirilo de Jerusalém: “Jesus persuade, deste modo, os Apóstolos a serem pacientes e a se guardarem distantes de perturbações de tal gênero”. No fundo, Jesus já os preparava para também serem rejeitados. A perseguição dos cristãos era iminente. 
        Brotam questões sobre a atitude dos samaritanos nessa recusa em hospedar Jesus. Sem dúvida, eles gozam da liberdade de ação. Liberdade de acolher ou não o Mestre. No entanto, por razões culturais, que os precedem, e quem sabe por temerem algum tipo de represália, não o fazem. Por isso é difícil julgar o modo de agir dos samaritanos do ponto de vista moral.  Para culpá-los seria necessário definir a conduta humana, independentemente de tais determinações. Em vista disso, em sua sabedoria e conhecendo o coração das pessoas, Jesus silencia e continua seu caminho que trará salvação a todos, inclusive aos samaritanos. 


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Jo 1, 47-51 - Encontro com Natanael - Segunda-feira 29 de Setembro

Reflexão do Evangelho de Jo 1, 47-51 - Encontro com Natanael
Segunda-feira 29 de Setembro

 Natanael é considerado por Jesus como um verdadeiro israelita, um homem “sem duplicidade”, em quem “não há artifícios”. Ele não é uma pessoa entregue ao fingimento e à mentira.  Ao expressar a pureza de coração e o dom sem reserva de Natanael, Jesus nos recorda o mandamento de “amar a Deus, sem reserva, de todo o coração”. O contrário seria ter um “coração duplo” ou não ser alguém inteiramente de Deus, porque alimentar a duplicidade em seu agir implica estar em desobediência a Deus.
 A saudação a Natanael reflete o conhecimento profético de Jesus: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento”. Surpreso, Natanael pergunta: “De onde me conheces?” Buscando tranquilizá-lo, Jesus lhe diz: “Antes que Felipe te chamasse, quando estavas sob a figueira, eu te vi”. Pasmo, Natanael se prostra, exclamando: “Rabi, tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel”.
Jesus podia estar se referindo à árvore do paraíso ou à árvore dos idosos julgados por Daniel. Os livros históricos indicavam o repouso “sob a vinha ou a figueira”, imagem da paz, de acordo com a interpretação feita pelos profetas. Por outro lado, segundo a tradição rabínica, interpretação mais comum na época, ao falar de estar sob uma árvore, Jesus estaria sugerindo a ideia de que Natanael estivesse lendo as Escrituras, fonte do conhecimento sagrado e do anúncio do Messias.
O diálogo com Natanael oferece-nos um belo exemplo da pedagogia de Jesus para promover o crescimento na fé daquele que procura Deus. Se no início, Natanael possui um conhecimento imperfeito e interessado a respeito do Messias, rei de Israel, agora, no encontro com Jesus, ele reconhece estar diante do Messias e passa a professar a fé no Filho do Homem, que haverá de abrir as portas do céu para toda a humanidade. S. João Crisóstomo declara que Natanael interroga como homem e Jesus responde como Deus: “Eu te vi sob a figueira”. Jesus já o conhecia, não como um homem que observa, mas sim como Deus que tudo conhece. Ao ouvi-lo, Natanael reconhece o sinal indubitável e profético do Messias, e confessa: “Tu és o Filho de Deus, tu és aquele que esperamos”. Então, Natanael “decola” para participar da grandeza da revelação de Deus a Israel, povo no qual Ele faz a sua morada.
A narração do encontro encerra-se com as palavras de Jesus: “Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. O Mestre alarga os horizontes espirituais de Natanael pois, no dizer de S. João Crisóstomo, “não há nada mais importante do que as realidades do céu. Nada deve distanciar a nossa atenção da expectativa do reino de Deus”. Nesse mesmo sentido, S. Cirilo de Alexandria diz que “com essa alusão aos anjos de Deus, o Senhor nos convoca a passar das realidades passageiras às eternas, das terrenas às celestes, das carnais às espirituais”. Nada terreno pode satisfazer-nos ou definir-nos. Como Natanael, somos convocados a nos ultrapassarmos constantemente, a voltarmos nossos olhos para o alto.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

Reflexão do Evangelho de Mt 21, 28-32 - Parábola dos dois filhos - Domingo 28 de Setembro

Reflexão do Evangelho de Mt 21, 28-32 - Parábola dos dois filhos
Domingo 28 de Setembro
      
       O contraste entre os dois filhos de um agricultor mostra que não é o nascimento ou a riqueza que separa e distingue os homens, mas sim o fato de ter ou não um coração reto, justo e bondoso. O pai pede aos dois para irem trabalhar no campo. Um deles se dispõe a ir imediatamente, mas não vai, o outro contesta com uma categórica recusa, mas termina indo. A parábola ressalta que a obediência ao pai só se manifesta pelos fatos, não simplesmente pelas palavras. Já afirmava o profeta Ezequiel que tanto o justo, quanto o pecador, não é julgado em seu ponto de partida, só no final, por suas obras. 
       De modo singelo e direto, Jesus ilustra o caminho para o Reino do céu. Por isso, volta-se para os ouvintes e pergunta-lhes: “Qual dos dois realizou a vontade do pai?” Sem titubear, eles respondem: Aquele que se arrependeu e foi trabalhar no campo. A conclusão do Mestre é surpreendente, sobretudo, para os chefes do povo e doutores da Lei que o escutavam: “João veio a vós, num caminho de justiça, e não crestes nele. Os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, vendo isto, nem sequer reconsiderastes para crer nele, afinal”. Apesar do apelo de João Batista, seus interlocutores não tinham dado indício de se converter e de tomar o caminho para entrar no Reino. Se tivessem ouvido João, teriam agora atendido ao Senhor em seu apelo à conversão e à prática do bem.  Nesse sentido, escreve S. Bento: “Eis para nós a hora de deixar o sono. Tenhamos os olhos abertos à luz divina, as orelhas sensíveis à voz. Então, escutaremos a potente voz de Deus que nos solicita todo dia: ‘Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os vossos corações’”.  
A feição do Senhor não é sombria nem triste; a voz serena e tranquila reflete seu olhar admirativo e exprime o desejo de que eles se convertam e compreendam que “falar de Deus é uma grande coisa, diz S. Gregório Nazianzo, melhor é ser purificado por Ele”. No silêncio do seu amor, Jesus sussurra aos nossos ouvidos: Ninguém deplore os pecados, o perdão superou o mal; ninguém tema a morte, a do Salvador vos libertará do seu poder!


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 43-45 - Segundo anúncio da paixão - Sábado 27 de Setembro

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 43-45 - Segundo anúncio da paixão
Sábado 27 de Setembro

       O primeiro anúncio da Paixão deu-se após a confissão de Pedro em Cesareia. Na ocasião, Jesus confere a Pedro uma função de primeiro plano em sua Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Naquele momento, Pedro não tinha ainda compreendido a missão do Mestre em toda a sua extensão. Presos à imagem do Messias terreno, que iria restaurar o reino de Israel, os Apóstolos sentiam dificuldades em acolher o anúncio do seu sofrimento e de sua morte dolorosa. Desta vez, porém, eles já têm conhecimento dos ensinamentos de Jesus e da sua rejeição a todo poder terreno.   
Com efeito, o segundo anúncio deu-se após a Transfiguração de Jesus no monte Tabor, momento de glória e de intimidade com o Pai. “Lá diante deles, escreve S. Cirilo de Alexandria, Jesus se transfigurou, seu rosto resplandeceu como o sol. Mostrando-lhes a glória com a qual, no tempo devido, ele ressuscitaria dos mortos, prepara-os para que a hora da cruz e de sua morte não fosse ocasião de escândalo”. Mesmo assim, os Apóstolos não deixam de estranhar suas palavras, pois não tinham entendido bem a razão do seu sofrimento e que papel eles iriam desempenhar em tal acontecimento. A compreensão deles não foi imediata. Só mais tarde, graças ao Espírito Santo, eles irão compreender que foi justamente com a sua morte que o Filho de Deus se uniu profundamente a nós, identificando-se conosco na solidão da cruz e da morte. Então seus olhos interiores, maravilhados, irão reconhecer que o Deus eterno e imortal uniu-se com a imagem pecadora e mortal, para conduzi-la, pela ressurreição de Jesus, à sua restauração gloriosa.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 18-22 – Confissão de S. Pedro - Sexta-feira 26 de Setembro

Reflexão do Evangelho de Lc 9, 18-22 – Confissão de S. Pedro
Sexta-feira 26 de Setembro
        
Antes de introduzir os Apóstolos no mistério da sua missão, Jesus retirou-se para um lugar deserto e rezou a noite toda. Seu objetivo era formar e constituir o novo povo de Deus. De manhã, reuniu os Apóstolos e, desejando associá-los à sua missão, perguntou-lhes: “Quem dizem as multidões que eu sou?” A opinião popular identificava-o com um dos profetas do passado. “Disseram-lhe: uns afirmam que és João Batista, outros que és Elias, outros, ainda, que és Jeremias ou um dos profetas”. Voltando-se para os Apóstolos, Jesus pergunta: “E vós quem dizeis que eu sou?” Eles pressentem, diz S. Hilário, que, “para além do que se via nele, havia algo mais”. A resposta decisiva e imediata, em nome de todos, é dada por Pedro: “Tu és o Cristo de Deus”.
Momento solene e revelador. Arrebatados ao âmago da vida de oração, transportados à comunhão com o Pai, os Apóstolos têm seus olhos interiores iluminados e reconhecem nas palavras de Jesus uma aquiescência implícita à sua missão de Servo Sofredor. Chamando-o de “o Cristo de Deus”, Pedro professa ser Ele o Messias, não por considerá-lo um rei terreno e político, mas sim o Salvador esperado e desejado por todos os homens, cuja missão vai além dos horizontes de Israel e abraça todas as nações. Eis a realização da esperança messiânica: a reunião de todas as gentes no único povo de Deus. Os Apóstolos reconhecem naquele peregrino simples e misericordioso o Filho do Deus vivo.      
Assim, aos poucos ia comunicando aos discípulos a novidade de sua presença transformadora. Novidade absolutamente inédita em relação à revelação antiga. Ao final, aquele que vence é o amor: amor de Jesus que reconcilia os homens com o Pai e estes entre si. Então, toda a sua vida é iluminada pela cruz, vida doada, existência aberta a todas as criaturas, que nele se constituem primícias de uma humanidade regenerada. S. Atanásio exclama: “Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus”. A humanidade assumida por Jesus não é apenas semelhante a nossa, ela é de fato a mesma que está em nós. Por isso, ao retornar aos céus, Ele não permanecerá só, pois também nós estaremos com Ele junto do Pai. Nesse sentido, o seu retorno para o Pai é lugar de cumprimento da sua missão: presença do povo messiânico no coração do Pai.  


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.