domingo, 25 de janeiro de 2015

Reflexão do Evangelho - Segunda-feira 26 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 3, 22-30 - Jesus e Beelzebul (calúnias dos fariseus)
Segunda-feira 26 de Janeiro
      
       Os milagres realizados por Jesus são “sinais”, manifestações, que ultrapassam o poder do homem, levando-o à conclusão: ou se crê nele como “vindo de Deus” e esta é a compreensão de Nicodemos, do cego de nascença e de todos os que reconhecem nele o Messias esperado. Ou afirma-se um poder que está além do nosso controle como expressão do fundamento pessoal de nossa culpabilidade. É a este poder que os escribas, descidos de Jerusalém, se referem ao dizer: “É por Beelzebul, príncipe dos demônios, que Ele expulsa os demônios”.
       O título Beelzebul liga-se a textos antigos e designa o primeiro dentre os inimigos de Deus, considerados pelos pagãos como demônios. Ele está à frente e governa as forças do mal, que constituem um reino em oposição ao reino de Deus. Daí as palavras de Jesus: “Todo reino dividido contra si mesmo não poderá subsistir”, pois o poder do Mal estaria combatendo contra si próprio. Assim, as acusações dos escribas e fariseus resultam absurdas.
Mas o tema central do presente texto não é a luta entre a luz e as trevas, mas sim a vitória da luz sobre as trevas, porque quem acolhe Jesus é iluminado pela luz da verdade. Este nada tem a temer, “pois chegou a ele o Reino de Deus”. Ao contrário, o demônio é aquele que recusa o amor, é mentiroso e pai da mentira, e os seus seguidores rejeitam a verdade do amor divino, não pertencem a Deus e abraçam o mal. Tornam-se cúmplices do Maligno.
A resposta às acusações dos fariseus é dada pelo próprio Jesus, quando, no dizer de S. João Crisóstomo, “afirma que expulsar os demônios, como Ele acabara de fazer, é obra de um poder grandíssimo e sinal da vinda do Reino de Deus”. Ele o expulsa pelo “dedo de Deus”, ou seja, pelo poder do Espírito divino, nada mais restando do que recolher os despojos, que “são as ovelhas perdidas da casa de Israel”.

        Ao ouvir essas palavras, escribas e fariseus, unem-se contra Jesus e aliam-se aos inimigos do passado, diz o texto bíblico, que provocaram a dispersão do povo entre as nações e negaram a ação do Espírito Santo. Em reação a eles, diz Jesus: “A palavra que eu vos disse, é ela que vos julgará no último dia”. E, voltando-se para os discípulos, acrescenta: “Se alguém me ama guardará minha palavra e o Pai o amará, e viremos a ele e faremos nossa morada nele”.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Reflexão do Evangelho - Domingo 25 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 1, 14-20 - Vocação dos quatro primeiros discípulos
Domingo 25 de janeiro
      
Num dia comum, Jesus caminha junto ao mar da Galileia e, como por acaso, encontra Pedro e seu irmão André. Ambos eram pescadores e dirigiam uma pequena empresa pesqueira à margem do lago de Genesaré. Vendo-os, Jesus não os saúda, nem se apresenta, simplesmente lança um apelo: “Vinde após mim!”. “Deixando as redes, eles o seguiram”. Adesão irresistível a Cristo, que lhes confere uma nova orientação de vida, a de serem “pescadores de homens”. Mais do que ouvintes de seus ensinamentos, eles irão tomar parte ativa em seu ministério e serão, mais tarde, após sua partida, aqueles que irão anunciar a salvação a todos os povos e nações. O mesmo se deu, mais adiante, com os outros dois irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu, que também “deixando imediatamente o barco e o pai, seguiram-no”.  
A brevíssima narração da chamada dos primeiros discípulos destaca o fato de eles seguirem Jesus, sem reservas e sem delongas. Pescadores, homens simples, considerados por S. Cromácio de Aquileia “felizes, pois o Senhor não escolheu entre os doutores da Lei, nem entre os escribas, ou entre tantos sábios do mundo, mas entre simples e pobres pescadores, homens analfabetos e inexperientes! Ele os chama para a missão de pregadores e para o apostolado: tiveram o privilégio de serem os primeiros”. Sem hesitar, eles deixam tudo e seguem Jesus, que, de modo suave e amoroso, os conduz, paulatinamente, não a um divino anônimo, mas ao rosto divino do Filho de Deus transfigurado. De fato, no alto do monte Tabor, eles irão contemplar a luz eterna de sua divindade e reconhecerão que Ele é o Filho do Homem triunfante, caminho para o Reino misericordioso do Pai.  

Intencionalmente, o texto salienta que os Apóstolos não o acompanham, mas o seguem. Desta maneira, de modo bastante subtil, o evangelista indica que eles foram convocados não para lhe fazer companhia, mas para se integrarem totalmente à sua missão, imitando-o em tudo, tanto no serviço aos seus semelhantes e na entrega generosa e humilde a todos, como também na perseguição e na morte. Compreende-se, então, que a fé cristã é uma pessoa, não uma “coisa”, nem mesmo um ideal. Sua força advém do encontro com Cristo, que, despertando a fé, comunica a salvação, a vida eterna, aos discípulos, aos pecadores e publicanos e também aos pagãos impuros. Pasmos e agradecidos, reconhecemos que, desde o primeiro instante de sua missão, Jesus manifesta o poder invencível do amor, tornando os que o seguem arautos do Evangelho da misericórdia e da reconciliação com o Pai.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Reflexão do Evangelho - Sábado 24 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 3, 20-21- Providências da família de Jesus
Sábado 24 de Janeiro
      
       Do monte, Jesus e seus discípulos “foram para casa”. Expressão utilizada para significar que ele desejava se retirar e passar algum tempo com os seus discípulos. Porém, as multidões não o deixam em paz, vêm ao seu encontro, trazendo doentes, de modo que “nem mesmo seus discípulos podiam se alimentar”. Situação delicada. Seus parentes se mostram inquietos, preocupados e havia quem dissesse que Ele “tinha enlouquecido”, pois era-lhes difícil compreender que alguém, ligado a eles, pudesse se doar aos seus semelhantes, com tanta exclusividade. Sua missão não era compreendida.
       A entrega de Jesus à vontade do Pai é total. No monte das Oliveiras, Ele dirá: “Pai, que não se faça o eu quero, mas sim o tu queres”. Ou, no momento de sua morte: “Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito”. O amor infinito ao Pai é amor sem limites aos irmãos. É plena doação. Seus parentes, pasmos, julgam ter ele “enlouquecido”, pois para eles Jesus estava passando dos limites, negligenciando, por excesso de zelo, as regras ordinárias da vida. Não é de admirar que ainda hoje sua vida seja incompreensível para tantas pessoas.
       Os escribas, descidos de Jerusalém, levam ao exagero tais considerações, pois afirmam que era por força de  Beelzebu, príncipe dos demônios, que ele expulsava os demônios. Cegueira e obstinação. O Evangelho assegura a possibilidade do mal, ligada à liberdade humana, mas também a existência de um poder pessoal que quer conduzir os homens ao pecado. A tentação no deserto confirma tal asserção e coloca o império do mal contra o Messias, o Filho de Deus. Escreve s. João Crisóstomo: “O próprio Jesus declara que expulsar os demônios, como acabara de fazer, é obra de um poder grandíssimo e sinal da vinda do Reino de Deus”, país do amor, anunciado pelo Evangelho e vivido intensamente por Ele. O domínio do mal, do orgulho e da ganância é, então, naturalmente, repelido pelo amor gratuito e pela generosidade desinteressada.        

       Os Santos Padres situam esta passagem nos horizontes da luta interior entre os dois Reinos. Antagonismo entre a carne e o espírito. Os que recusam crer em Cristo estão “na carne”, pois “vivem segundo a carne”. A carne define a existência humana em oposição ao espírito, que assinala a existência humana orientada para Deus. Trava-se um combate, chamado por S. Paulo de mortificação, renúncia ao mal e ao pecado. Portanto, ser cristão é deixar-se guiar pelo “dedo de Deus”, pelo Espírito santificador: é morte ao mal, mortificação, é vitória da fé e do amor. 

Reflexão do Evangelho - Sexta - feira 23 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 3, 13-19 - Escolha dos Apóstolos
Sexta - feira 23 de Janeiro

       Logo no início de sua vida pública, Jesus escolhe doze apóstolos dentre os seus discípulos. Eles constituem as colunas da Igreja da qual serão juízes no final dos tempos. Naquela importante ocasião, Jesus, como nos momentos mais significativos da sua vida, conduziu seus discípulos ao monte, lugar de oração e de encontro com Deus.
       Após passar a noite em oração, Ele escolhe Doze aos quais dá o nome de Apóstolos, depositando neles toda a sua confiança. Já no Antigo Testamento existiam os sheluchim, apóstolos em grego, que tinham a incumbência de reforçar os vínculos existentes entre os lares de Israel. No Novo Testamento, o título apóstolo adquire o sentido de missionário, também de representante ou testemunha, pois eles terão a missão de atestar que Cristo ressuscitado é o mesmo com quem eles conviveram em sua vida pública. “Quem vos escuta, a mim escuta”, diz o Mestre. O primeiro “Apóstolo” ou a testemunha por excelência é Jesus, enviado pelo Pai. Os Doze serão designados à sua imagem: “Ó Pai, como vós me enviastes ao mundo, eu também os enviei ao mundo”.
 Sobre a missão dada a eles por Jesus, declara Santo Ambrósio: “Eles são semeadores da fé para tornar presente no mundo o auxílio da salvação dos homens. Presta também atenção ao desígnio divino: Ele não escolheu para o apostolado pessoas sábias, ricas, nobres, mas pescadores e publicanos, pois não devia parecer que eles atrairiam as multidões, por causa de sua sabedoria, nem que as comprassem com suas riquezas. Muito menos as atraíssem à graça divina por força de seu prestígio e de sua nobreza. Prevalecia o argumento intrínseco da verdade, não a atração do discurso”. De fato, Jesus os chama para que estejam com Ele e possam conhecê-lo como o Filho amado do Pai celestial, e sejam testemunhas de sua vida e ensinamentos. Eles deveriam começar pelas ovelhas perdidas de Israel, e depois levar a sua mensagem “até os confins da terra”.

Os Apóstolos passam, a Igreja continua. E do mesmo modo, a missão deles se estende no tempo, mediante seus sucessores. Mais tarde, os Atos dos Apóstolos falam de Paulo e Barnabé, vindos posteriormente, e que recebem o mesmo título de Apóstolos. Forma-se o colégio apostólico, depois perpetuado no colégio episcopal, do qual os Bispos estarão investidos como sucessores dos Apóstolos. Não se pode esquecer o caráter de representante, testemunha da Tradição, exercido pelo Bispo como “sinal de unidade na caridade”, na definição de Santo Inácio de Antioquia.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Reflexão do Evangelho - Quinta-feira 22 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 3, 7-12 - As multidões seguem Jesus
Quinta-feira 22 de Janeiro
      
       Por onde Jesus passava, as multidões acorriam para ouvi-lo e ver as obras que realizava. O poder de sua mensagem é impressionante. A sua palavra alimentava os que tinham fome de Deus e curava os que buscavam libertar-se de seus males. Movidos pela fé, muitos se achegavam a Jesus para tocá-lo e, pelo poder que dele provinha, eram curados e perdoados de seus pecados. Em sua presença, até os demônios tremiam e reconheciam sua verdadeira identidade, declarando: “Tu és o Filho de Deus”.  
       No entanto, S. Agostinho não deixa de observar: “Muito melhor que estar com o Senhor é ter fé nele”. Não basta estar em meio àquela multidão, pois “a fé é mais forte que tocá-lo com a mão. Se pensas que Cristo é só homem, tu o tocas, na terra, com as mãos, mas se tu crês que Cristo é o Senhor e igual ao Pai, então tu o tocas, na glória do céu”.
       Ao longo de sua missão, Jesus se doa e se comunica aos discípulos, também a nós, pela força de uma presença cativante e pelo seu modo despretensioso e simples de ser. Suas palavras tocam os corações e os milagres realizados por Ele adquirem um sentido todo especial: são manifestações de sua misericórdia e de seu amor. As multidões afluem de todas as partes, provêm da Galileia, também dos extremos sul e norte do país. Se elas são atraídas pelos milagres e querem tocá-lo, suas palavras não deixam de ser exigentes, pois não é a quem dorme que é dado o Reino de Deus, mas aos que ouvem a Palavra e cumprem os mandamentos de Deus. Fiéis à sua mensagem, os discípulos serão, em meio ao mundo, uma imensa reserva de silêncio, de paz e de amor fraterno, tornando possíveis as boas e duráveis realizações da história.

       Os últimos versículos falam da multidão, que se acotovela para chegar até Jesus. Sentindo-se apertado e um tanto sufocado, Ele pede aos discípulos um pequeno barco para melhor falar ao povo. S. Beda aproveita esse detalhe para dizer: “A barca, que serve com diligência ao Senhor no mar, é a Igreja, congregada dentre as nações e que se desliza entre as ondas deste mundo. Quanto mais se dilata para receber a graça de seu fundador, tanto mais majestosa ela se torna para armazenar as coisas de seus passageiros, e assim a barca agitada por quaisquer ventos faz frente às agitadas ondas do mar”. Por isso o clamor de S. Agostinho: “Toca-o tu com a fé, ó Igreja católica, toca-o com a fé”. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Reflexão do Evangelho - Quarta-feira 21 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 3,1-6 - Cura do homem com mão atrofiada
Quarta-feira 21 de Janeiro
      
       A cena da cura de um homem com mão atrofiada se passa numa sinagoga, em dia de sábado. Lá está Jesus, observado atentamente pelos escribas e fariseus, que desejavam “ver se Ele curaria no sábado, para assim encontrarem algo com que o acusar”. Buscam motivos para justificar a condenação de Jesus, fato já consumado em seus corações. Guardando sempre a serenidade e sem se preocupar com os olhares maldosos dos que o cercavam, Jesus pede ao homem que venha para o meio da assembleia. Tenso, o homem aproxima-se e permanece de pé, diante do divino Mestre. É sábado, mas Jesus, sem tergiversar, num gesto de afrontamento, realiza o milagre. Como era costume seu, Ele não condena seus inimigos, mas, desejando levá-los à conversão, questiona-os. Pergunta-lhes se é permitido, em dia de sábado, fazer o bem ou o mal, salvar sua vida ou arruiná-la. O silêncio dos fariseus prova sua obstinação. Não percebem que a intenção de Jesus é colocá-los diante do objetivo de sua missão: ser presença do bem.
Paradoxalmente, unem-se em Jesus o finito e o infinito, pois sendo verdadeiramente homem, limitado, Ele revela, em sua liberdade, abertura ao ilimitado de Deus. Ao curar no dia de sábado, Ele provoca os discípulos, sobretudo, os seus inimigos. Oferece perdão e restaura o homem de mão atrofiada, no desejo de que todos alcem voo em direção à misericórdia e ao amor gracioso de Deus. A reação é contrária. Os fariseus “enfureceram-se e combinavam entre si o que fariam a Jesus”. De modo decidido e livre, eles afastam-se de Deus. É o endurecimento (porósei) do coração, atitude que atrai a “cólera” divina, demonstrada pela indignação de Jesus. “Correndo os olhos sobre todos eles”, Ele os fixa com um olhar severo, ao mesmo tempo melancólico e suave, que reflete autoridade e plena liberdade interior.

Apesar da hostilidade dos inimigos, Jesus, movido por amor, diz ao homem: “estende a mão; e ela voltou ao estado normal”. Diz S. Ambrósio: “Também tu, que crês ter a mão sã, atingida, porém, pela avareza ou pelo sacrilégio, estende-a para o pobre que suplica, para ajudar o próximo, socorrer a viúva ou para corrigir a injustiça. Estende-a para Deus por todos os teus pecados e ela será curada”. Por entre esses atos, transluz a certeza do amor benevolente do Senhor por toda a humanidade. Juntos com S. Pedro Crisólogo podemos dizer: “Naquele homem, verifica-se a cura de todos, nele renova-se a salvação de todos, esperada durante tanto tempo”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Reflexão do Evangelho - Terça-feira 20 de Janeiro

Reflexão do Evangelho
Mc 2, 23-28 - A colheita das espigas
Terça-feira 20 de Janeiro

 O Sábado encerra o ritmo sacro da semana com um dia de encontro cultual e de repouso para todos, escravos e livres. Ele é, particularmente, um dia reservado à oração e à meditação, alimentos necessários à alma, e também ocasião para celebrar a bondade de Deus e a grandeza de sua obra criadora. Mas havia aqueles que o consideravam de modo muito estrito, e exigiam a sua observância em todo seu rigor. Estes são os escribas e fariseus, que ficam escandalizados quando veem os discípulos de Jesus, movidos pela fome, desrespeitar o sábado, colhendo milho para comer.  
Diante do protesto dos fariseus, Jesus pergunta-lhes: “Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros, como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição?” Ora, um dos rituais do Templo na época de Jesus era o dos doze pães da proposição, colocados no altar e substituídos todos os sábados por outros recém-assados. Apenas os sacerdotes podiam comê-los. Com estas palavras, o Mestre quer deixar claro que, antes de qualquer norma e prescrição legal, vinha a misericórdia. Aos famintos, que se lhe deem o que comer, mesmo que sejam espigas de milho colhidas no sábado consagrado ao Senhor: “Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado!”
Jesus não abroga a lei do sábado, mas censura a importância exagerada e o rigorismo dos fariseus, pois o sábado não é para ser visto como uma exigência arbitrária e tirânica, mas como um dia da semana que proclama e recorda a todos a disposição benevolente de Deus para proteger o homem em sua vida e em seu trabalho. Jesus não incita a trabalhar no sábado, no entanto, quer fazê-los compreender que o sábado jamais exclui as obras de caridade e os atos de misericórdia para com o próximo. Por isso, voltando-se para os fariseus, que hostilizam os discípulos, afirma “que no dia de sábado é permitido fazer o bem”. Aliás, pouco antes, Ele havia dito: “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado”. Mas parece inútil esse seu esforço para explicar-lhes que ajudar o próximo é sempre meritório e agradável aos olhos de Deus. Eles permanecem irredutíveis. Mas sem se perturbar, logo em seguida, Ele cura a mão atrofiada de um homem que estava na sinagoga. Isso em pleno sábado.

Assim, as atitudes de Jesus deixam entrever o Novo, que remete todos, inclusive os fariseus, “à prática das obras de misericórdia que Deus espera de todos nós” (São Cirilo de Alexandria). O zelo pela observância do sábado não é motivo de cegueira. Simplesmente, Jesus coloca acima dele a prática da caridade e do bem. Por conseguinte, não se despreza o antigo edifício, constrói-se o novo, no qual presidem a caridade, a fé e a atitude espiritual interior, manifestada na prática do bem e do amor fraterno.