quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 8, 1-3 - Mulheres que seguem o Mestre - Sexta-feira 19 de Setembro



Reflexão do Evangelho de Lc 8, 1-3 - Mulheres que seguem o Mestre
Sexta-feira 19 de Setembro

       Acompanhado por seus Doze Apóstolos, Jesus anuncia o Evangelho do Reino de Deus. Eles adotam um estilo de vida itinerante, indo de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, o que leva muitos cristãos a se inspirarem neste modo de viver e a se tornarem pregadores itinerantes. O Evangelho também se refere “à presença de algumas mulheres – escreve S. Agostinho - que colocavam à disposição de Jesus e dos Doze os seus bens, enquanto estes se dedicavam à pregação do Evangelho”. Além das mulheres que acompanhavam habitualmente Jesus e os Apóstolos, outras mulheres aparecem episodicamente no Evangelho, as que o Senhor encontrou em sua missão e foram curadas, as convertidas e as que lhe ofereceram hospedagem.    
       Dentre as mulheres citadas, destaca-se sua mãe Maria. Há a “outra” Maria, originária de Magdala, cidade ao norte do Tiberíades, vizinha de Cafarnaum, onde Jesus exerceu grande parte de sua missão. Ao falar dela, o Evangelista a caracteriza como sendo aquela “da qual haviam saído sete demônios”. Número que simboliza, como os sete dias da semana, a totalidade e indica a ação onipotente de Deus, libertando-a de toda ação do Maligno. Outra mulher citada é Joana, “mulher de Cuza, o procurador de Herodes”, proveniente, portanto, de um ambiente bem diferente daquele dos demais discípulos. Ela se encontra entre as mulheres que estão junto ao túmulo de Jesus (Lc 24,10).
       Inumeráveis e inestimáveis são as iniciativas de serviço das santas mulheres, naquele e em todos os tempos. Elas se desvelam em ajudar os profetas. Servem aos Apóstolos e, ainda hoje, estão presentes em toda ação evangelizadora da Igreja. Dedicam-se aos estudos bíblicos, tão agradavelmente realizados em nossa geração, cujas raízes estão presentes nos primeiros anos da vida da Igreja. A propósito, observa S. Jerônimo: “Nos primeiros séculos, os estudos da Sagrada Escritura constituem parte integrante dos ambientes monásticos e não são estranhos à vida dos leigos, sobretudo, das mulheres”. Basta lembrarmos as pregações do Apóstolo S. Paulo, às quais elas acorriam para ouvir, onde ele estivesse. Finalmente, impressiona-nos a coragem e o desprendimento de muitas mulheres, conduzidas ao martírio, como a jovem Blandina, em Lyon, e Felicidade e Perpétua, na África.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 7, 36-50 - A pecadora perdoada - Quinta-feira 18 de Setembro



Reflexão do Evangelho de Lc 7, 36-50 - A pecadora perdoada
Quinta-feira 18 de Setembro
      
       Diante de Jesus, ninguém permanece indiferente, rejeita-o ou é atraído por Ele. Compreensivo e bondoso para com todos, por vezes, suas palavras são duras. Certa feita, Ele foi à casa de um fariseu e “reclinou-se à mesa” para comer com ele. Ele não rejeita o convite, diz S. Gregório de Nissa, “embora seu anfitrião não seja um dos seus discípulos, aliás, ele não crê nele. Por que então S. Lucas transmite-nos esta cena? Talvez para dar-nos um exemplo da conduta de Jesus. De fato, deparamo-nos com muitas pessoas que, fechadas sobre si mesmas, julgam-se justas e tratam as demais pessoas com desprezo por tê-las como pecadoras. Sem esperar o dia do julgamento, separam os cabritos dos cordeiros, pois pensam ver as portas do céu abrirem-se, exclusivamente, para elas, pois não querem partilhar com as demais o lugar nem a mesa”.
       Trazendo nas mãos um vaso de alabastro com um precioso perfume, aproxima-se de Jesus uma mulher tida como pecadora. Chorando, ela lavava os pés do Mestre com suas lágrimas e os enxugava com os seus cabelos.  “Porque Maria viu claramente as manchas de sua vergonha, diz S. Gregório Magno, correu para lavá-las na fonte da Misericórdia, e não teve vergonha diante dos convivas. No seu interior, a vergonha era tão grande, que ela não temia mais nada proveniente do exterior. Mas, o que mais admiramos? Maria que se aproxima ou o Senhor que a recebe? Mais exato seria perguntar: é Ele quem a recebe ou é Ele quem a atrai? Ele a atrai e a recebe, pois a atrai no interior de sua misericórdia e a recebe com bondade”. A cena desagradou o dono da casa que dizia, em seu coração: “Se este homem fosse profeta, saberia bem quem é a mulher que o toca, porque é uma pecadora!” Mas Jesus lê os seus pensamentos.
- “Simão, tenho uma coisa a dizer-te”.
- “Fala, Mestre!”.
- “Um credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas; outro, cinquenta. Como não tivessem com que pagar, perdoou a dívida de ambos. Na tua opinião, qual dos dois o amará mais?”
- “Suponho que aquele ao qual mais perdoou”.
- “Julgaste bem, disse-lhe Jesus”. E explicou-lhe a parábola, mostrando a diferença entre ele, Simão, e aquela mulher. Simão que se julgava justo e irrepreensível, diante de Deus, não lhe tinha prestado o respeito devido, derramando água em seus pés e óleo na cabeça, conforme costume judaico. A atitude da mulher era totalmente diferente: ela reconhecia a sua culpa e recorria a quem podia perdoá-la e conceder-lhe vida nova. Então, voltando-se para ela, diz-lhe: “Teus pecados estão perdoados”. E aos convivas, Ele declara que os numerosos pecados daquela mulher tinham sido perdoados, “porque ela demonstrou muito amor”.
       Presentes na ceia e presos às aparências e ao passado da mulher, os fariseus a rotulavam e a desprezavam. A atitude do Mestre é bem outra. Aquele que sonda “os rins e os corações” e lê o que se encontra no coração da mulher, prostrada aos seus pés, expressa misericórdia e bondade. Perturbados, os doutores da Lei se interrogam: Quem pode perdoar os pecados, além de Deus? E ainda mais admirados o ouvem dizer: “Tua fé te salvou; vai em paz”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Reflexão do Evangelho de Lc 7, 31-35 - Julgamento de Jesus sobre a sua geração - Quarta-feira 17 de Setembro



Reflexão do Evangelho de Lc 7, 31-35 -  Julgamento de Jesus sobre a sua geração
Quarta-feira 17 de Setembro
                 
A maneira livre de Jesus se relacionar com a Lei de Moisés provoca desconfiança nos chefes religiosos do seu povo. Eles o consideram ousado e desrespeitoso por não observar com estrito rigor as normas rituais e as prescrições da Lei. Talvez abalados em sua primazia espiritual, chamam-no de glutão e de beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores. Já anteriormente, João Batista, com vestes próprias de um profeta e vigorosas repreensões, tinha atraído atenção de todos. Agora, lá se encontra Jesus, em meio a eles, com seu modo de agir suave, palavras modestas e pregação tranquila nas sinagogas e praças públicas. Urge a conversão, mudança de vida, sem deixar de manifestar aos pecadores misericórdia e perdão. Acostumados a serem tidos como único padrão religioso para todos, eles o rejeitam e o criticam, falta-lhes a humildade, “sem a qual, comenta S. Agostinho, não há esperança de salvação”.
Sem dúvida, a liberdade de Jesus, que está longe de fazer das normas e práticas exteriores o centro de sua vida espiritual, provoca rejeição e suspeita. Sem se intimidar, Ele situa o amor a Deus e aos homens acima de todas as prescrições exteriores e recorda-lhes então uma cantiga de infância. Crianças que brincam de “casamento” e “enterro” na praça, umas cantando modinhas alegres, outras não acompanhando; umas entoando lamentações, outras não se interessando, como os ouvintes de João Batista e de Jesus, indiferentes às suas palavras. Diante de tal incredulidade, o Mestre suspira com tristeza e pergunta: “A quem, pois, hei de comparar os homens desta geração?” Segundo o modo semítico de falar, o termo geração adquire diversos sentidos, indicando, no caso presente, um apelo à conversão. Pois àquela geração é chegada a hora de Deus, a hora da graça, tempo propício para festejar com alegria a presença do esposo, que proclama a boa nova do Reino.
       Se a proclamação da boa nova é causa de grande alegria para os que a ouvem, ela não deixa de ser uma advertência para os que a recusam. Para todos, vale a exigência: abrir o coração para Deus. Eis o único caminho para quem deseja cumprir o desígnio divino de salvação e reconhecer que o Filho veio não para condenar, mas sim para salvar. Amigo dos pecadores, Jesus sente uma espiritual impaciência de conduzir todos à comunhão de vida com o Pai.   

Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.