terça-feira, 29 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 44-46 - As parábolas do tesouro e da pérola - Quarta-feira 30 de Julho


 Reflexão do Evangelho de Mt 13, 44-46 - As parábolas do tesouro e da pérola
Quarta-feira 30 de Julho

       O Reino de Deus e o mundo novo que há de vir inauguram-se com a pregação de Jesus, que reúne ao seu redor os que se convertem e vivem a Lei nova do amor e da misericórdia. Essa mensagem é anunciada a todos e não conhece privilégios. Dirigindo-se às pessoas simples da Galileia, Jesus destaca que mesmo as realidades frágeis e precárias desta terra adquirem um novo sentido à luz do mistério de sua encarnação, pela qual reconhecemos que Ele se tornou um de nós, para que nós nele nos tornemos o que Ele é.
Em outras palavras, todos os homens podem alcançar a bem-aventurança da Terra Prometida do Reino de Deus, comparado por Jesus a um tesouro enterrado, descoberto de modo fortuito. Quem o encontra, com alegria, vai e vende tudo o que possui para comprar o campo. O mesmo acontece com o negociante que, “ao achar uma pérola de grande valor, vai e vende tudo o que possui e a compra”. A pérola é reconhecida pelo seu valor, beleza e perfeição. Em outras palavras, o Reino de Deus é o tesouro ou a pérola, cujo preço é inacessível e supera toda riqueza material.
Dom precioso, o Reino de Deus nos atrai e, ao mesmo tempo, nos impede de identificá-lo totalmente com o mundo material, pois graças a ele, exclama Pascal, “o homem ultrapassa infinitamente o homem”. Por conseguinte, nenhum condicionamento meramente humano pode contê-lo, nem defini-lo. Mas, embora ele seja uma dádiva divina, Deus não dispensa jamais a cooperação humana, como evidenciam as palavras de Jesus, dirigidas ao paralítico, antes de curá-lo: “Tua fé te salvou”.
         Portanto, o Reino não é apenas iniciativa de Deus (ex opere operato), independente da ação do homem, pois Deus, em seu amor, espera a resposta livre do amado, como se tudo dependesse da sua decisão. Neste sentido, a parábola contada por Jesus pressupõe esforço e sacrifício daquele que encontrou o tesouro: ele vai e vende tudo o que possui para comprar o campo, onde se encontra o tesouro. Assim, também nós devemos estar prontos a atender ao convite do Senhor: vender tudo, isto é, despojar-nos do pecado, dos vícios e das paixões desordenadas para alcançar o Reino de Deus. Nossa colaboração é essencial. O mesmo se diga da oração, que jamais poderá ser compreendida como total passividade, ela é tensão interior, abertura do espírito humano para receber o Espírito divino, que conduz aquele que ora ao coração mesmo do mistério de Deus. Por isso, animando-nos, diz admiravelmente S. João Crisóstomo: “Participai do banquete da fé, acolhei todos vós as riquezas da misericórdia”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Jo 11, 19-27 - Ressurreição de Lázaro - Terça-feira 29 de Julho

Reflexão do Evangelho de Jo 11, 19-27 - Ressurreição de Lázaro
Terça-feira 29 de Julho

       Nenhuma obra humana carece totalmente da luz de Deus, pois mesmo em meio às trevas e à culpa do homem um raio da luz divina não deixa de resplandecer. Assim, apesar de suas incertezas e inseguranças, aquele que aceitou a mensagem cristã não vaga a esmo, porque ele entrevê no seu coração, para além do mistério, o vulto misericordioso do Senhor. Este não lhe é estranho, pois nele brilham centelhas de sua luz, causa de tudo quanto existe de bom, justo e verdadeiro, em todas as culturas e povos. S. Justino fala da semente da Verdade, presente em todo coração humano, caminho que conduz a Cristo, “o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira” (Ap 3,14), em quem o cristão experimenta, banindo o medo e o horror da solidão, a beleza e a alegria da eterna comunhão espiritual.
       Mas alguns amigos da Judeia trouxeram a notícia de que Lázaro estava gravemente enfermo. Apesar de os Apóstolos temerem voltar para lá, onde os judeus tinham procurado apedrejá-lo, Jesus volta-se para os Apóstolos e diz: “Vamos lá”! A cada passo de seu itinerário, Jesus traduz esperança e vida nova. Ao chegar a Betânia, Ele sente, pulsando no coração de Marta e Maria, refletido em suas lágrimas, o drama pela morte do irmão. Para reanimar e conduzir Marta a uma fé mais vigorosa, após algumas palavras delicadas e esperançosas, Ele lhe diz: “Teu irmão ressuscitará”. Ao ouvi-lo, sem ter entendido bem o que Ele dizia, ela simplesmente faz uma profissão de fé: “Sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia!” Indubitavelmente, ela crê que o seu irmão ressuscitará no último dia, porém, o Mestre vai além, sugere algo mais. Crer na ressurreição é acolher o segredo da verdadeira e interminável vida de Deus, manifestada pela sua presença radiosa. Por isso, chorando, Maria repetiu as mesmas palavras de sua irmã: “Se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”.
Então, uma profunda emoção toma conta de Jesus. Notando seus olhos marejados, muitos dos que lá estão comentam: “Vede como Ele o amava”. Outros ainda disseram: “Como é que este homem, que abriu os olhos ao cego, não poderia ter feito com que ele não morresse?” “De novo, Jesus comoveu-se e dirigiu-se ao sepulcro”. Retirai a pedra - ordena o Mestre. Marta procura ainda opor-se e, com delicadeza, observa que certamente o corpo já devia estar cheirando mal. Com insistência e voz firme, o Senhor lhe responde: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” A pedra foi retirada e, após erguer os olhos ao Céu, Ele ordena: “Lázaro, vem para fora!” Lázaro retorna à vida participada por ele em sua vida terrena, sinal da ressurreição final, quando definitivamente, todos nós ouviremos a voz do Senhor: “Vem para fora!”. Exclama S. Agostinho: “Todos ouviremos a voz do Senhor, a mesma voz ouvida por Lázaro, através da pedra: que a sua voz penetre nossos corações de pedra!” Desde já, nós o ouvimos dizer: “‘Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que morra, viverá”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

domingo, 27 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 31-35 - As parábolas do grão de mostarda e do fermento - Segunda-feira 28 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 31-35 - As parábolas do grão de mostarda e do fermento
Segunda-feira 28 de Julho

       Através de breves histórias, as parábolas, o Senhor fala às pessoas de boa vontade. Nesse sentido, Ele compara o crescimento da vida espiritual ao processo lento e progressivo de maturação na natureza, dando como exemplos o grão de mostarda e o fermento colocado na farinha para fermentá-la. Palavras simples e acessíveis para dispor os ouvintes, diz S. Jerônimo, “a receber o grão da pregação da Palavra e a se nutrir com a fé, de modo que o pequeno grão germine e cresça no campo de seus corações”.
Nas margens do mar de Genesaré, seus ouvintes veem, diante de si, um arbusto de três metros de altura. O pequeno grão tornou-se uma árvore frondosa, com bela ramagem e fortes galhos, “a tal ponto que as aves dos céus se abrigam em seus ramos”. As aves simbolizam, no dizer de S. Hilário de Poitiers, “os Apóstolos, os quais se dividem e se espalham a partir do poder de Jesus”. Como o fermento, eles irão promover o crescimento do Reino de Deus a partir da Palavra proclamada ou, no dizer de S. João Crisóstomo, “eles irão difundir progressivamente por toda a massa a mensagem do Evangelho”.   
Apesar dos meios serem simples, semente e fermento, os resultados se apresentam extraordinários. Assim, instruídos pelo Senhor e inspirados por Ele, os discípulos são orientados a conceber a difusão do Reino de um modo discreto e singelo. A concepção dos judeus era bem diferente: eles esperavam a vinda do Reino como manifestação grandiosa e estupenda do poder de Deus. Ao invés, os Apóstolos concebem a instauração do Reino como uma transformação interior, escondida e silenciosa, totalmente estranha à concepção vigente na época. 
       Mediante as parábolas, Jesus mostra como Deus, de uma maneira silenciosa, manifesta-se na fraqueza e na pequenez daqueles que o buscam. Mais tarde, o Apóstolo S. Paulo dirá: “Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10). Portanto, a pequenez do grão e a pequena quantidade de fermento representam não a grandeza do Reino, mas sim o poder do Evangelho, que chegará a todos os povos alegoricamente representados pelas “aves do céu, que se abrigam” na bela árvore do grão de mostarda. S. Jerônimo exclama: “Tenhamos também nós asas de pomba para que, voando para o mais alto, possamos habitar nos ramos dessa árvore e fazer, para nós, ninhos dos ensinamentos do Mestre, fugindo das coisas da terra e correndo para as do céu”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 44-46 - As parábolas do tesouro e da pérola - Domingo 27 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 44-46 - As parábolas do tesouro e da pérola
Domingo 27 de Julho

       O Reino de Deus e o mundo novo que há de vir inauguram-se com a pregação de Jesus, que reúne ao seu redor os que se convertem e vivem a Lei nova do amor e da misericórdia. Essa mensagem é anunciada a todos e não conhece privilégios. Dirigindo-se às pessoas simples da Galileia, Jesus destaca que mesmo as realidades frágeis e precárias desta terra adquirem um novo sentido à luz do mistério de sua encarnação, pela qual reconhecemos que Ele se tornou um de nós, para que nós nele nos tornemos o que Ele é.
Em outras palavras, todos os homens podem alcançar a bem-aventurança da Terra Prometida do Reino de Deus, comparado por Jesus a um tesouro enterrado, descoberto de modo fortuito. Quem o encontra, com alegria, vai e vende tudo o que possui para comprar o campo. O mesmo acontece com o negociante que, “ao achar uma pérola de grande valor, vai e vende tudo o que possui e a compra”. A pérola é reconhecida pelo seu valor, beleza e perfeição. Em outras palavras, o Reino de Deus é o tesouro ou a pérola, cujo preço é inacessível e supera toda riqueza material.
Dom precioso, o Reino de Deus nos atrai e, ao mesmo tempo, nos impede de identificá-lo totalmente com o mundo material, pois graças a ele, exclama Pascal, “o homem ultrapassa infinitamente o homem”. Por conseguinte, nenhum condicionamento meramente humano pode contê-lo, nem defini-lo. Mas, embora ele seja uma dádiva divina, Deus não dispensa jamais a cooperação humana, como evidenciam as palavras de Jesus, dirigidas ao paralítico, antes de curá-lo: “Tua fé te salvou”.
         Portanto, o Reino não é apenas iniciativa de Deus (ex opere operato), independente da ação do homem, pois Deus, em seu amor, espera a resposta livre do amado, como se tudo dependesse da sua decisão. Neste sentido, a parábola contada por Jesus pressupõe esforço e sacrifício daquele que encontrou o tesouro: ele vai e vende tudo o que possui para comprar o campo, onde se encontra o tesouro. Assim, também nós deveremos estar prontos a atender ao convite do Senhor: vender tudo, isto é, despojar-se do pecado, dos vícios e das paixões desordenadas para alcançar o Reino de Deus. Nossa colaboração é essencial. O mesmo se diga da oração, que jamais poderá ser compreendida como total passividade, ela é tensão interior, abertura do espírito humano para receber o Espírito divino, que conduz aquele que ora ao coração mesmo do mistério de Deus. Por isso, animando-nos, diz admiravelmente S. João Crisóstomo: “Participai do banquete da fé, acolhei todos vós as riquezas da misericórdia”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 20,20-28 - Pedido da mãe dos filhos de Zebedeu - Sexta-feira 25 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 20,20-28 - Pedido da mãe dos filhos de Zebedeu
Sexta-feira 25 de Julho
      
       A expectativa era grande. Os Apóstolos aguardavam a qualquer momento a manifestação do Reino de Deus. Com um olhar sereno, porém triste, Jesus fala de sua morte e ressurreição: “O Filho do Homem será entregue aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado. Mas no terceiro dia ressuscitará”. Absorvidos em seus pensamentos de glória, os discípulos não o entenderam bem e a mãe de João e Tiago pressente em suas palavras o anúncio da iminência da realização messiânica. Por isso, omemn HHpede-lhe que “seus dois filhos se assentem um à direita e outro à esquerda” em seu Reino. A mãe fez o pedido, mas são os filhos que recebem a resposta. Há uma ambição a ser corrigida. Aliás, não é a primeira nem a última vez que o Evangelho sublinha o desejo de precedência. Ora, estar com Ele na glória é viver, desde agora, o abandono total na renúncia a si mesmo. Escreve S. João Crisóstomo: “Quem procura a ostentação, enquanto o Senhor segue a humildade, não reflete a imagem de Cristo, pois não é verdadeiro discípulo quem não imita o seu Mestre”, participando de sua morte e de sua ressureição.  
       Então, Jesus pergunta aos dois irmãos: “Podeis beber o cálice que eu vou beber, ou receber o batismo que estou para receber?” Sem titubear, eles respondem: “Nós podemos”. De fato, Tiago morrerá mártir e João estará no Calvário, partilhando do cálice com Jesus, no sofrimento da cruz. Embora não se pronuncie sobre quem irá sentar-se à direita ou à esquerda em seu Reino, Jesus não deixa de despertar nos Apóstolos a consciência de ser Ele o Filho amado de Deus, por quem e em quem se realiza o desígnio do Pai.
Mas a decisão última cabe ao Pai. No momento, o importante não é preocupar-se com o lugar que se terá na glória do Senhor, mas empenhar-se em participar, desde já, do Reino de Deus. Observa S. Agostinho: “O caminho para sua glória, a pátria celeste, é a humildade. Se tu recusas o caminho, por que buscas a pátria?” Somos, assim, convidados a assumir e a viver o humilde serviço realizado por Jesus.  S. João Crisóstomo diz que “Deus, pelo fato de se humilhar, trouxe-nos um proveito: aumentou o número de seus servidores e estendeu o seu Reino. Quando te humilham, pensas que estás sendo diminuído? O abaixamento de Jesus não foi causa de diminuição, mas ele produziu inumeráveis benefícios, milhares de ações boas e permitiu que a sua glória brilhasse com maior resplendor”. Como aos Apóstolos, também a nós, a graça divina não nos faltará. Pois, desde já, a força de Deus nos acompanha e transfigura nossa frágil e opaca realidade humana, de modo que em Jesus nos tornamos um “deus criado”, um “deus pela graça divina”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

terça-feira, 22 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 1-23 - Parábola do semeador - Quarta-feira 23 de Julho, Quinta-feira 24 de Julho e Sábado 26 de Julho

Reflexão do Evangelho de Mt 13, 1-23 - Parábola do semeador
Quarta-feira 23 de Julho, Quinta-feira 24 de Julho e Sábado 26 de Julho

        A Bíblia é a declaração solene de que Deus, após a queda do pecado, não abandonou o mundo. A vinda do Filho Unigênito evidencia o seu amor inquebrantável pela humanidade e o seu desejo de restabelecer a harmonia entre os homens e a natureza, entre o mundo e o Criador. Antes do relato da parábola, o texto fala que Jesus saiu de casa e sentou-se junto ao mar, sugerindo assim sua vinda ao mundo, “para estar, pela sua Encarnação, mais próximo a nós” (S. João Crisóstomo). Aliás, já no início da parábola, Jesus se refere a si mesmo como “o semeador que saiu a semear”, ou seja, Ele é aquele que veio lançar a semente da Palavra em todos os corações, desejando que neles ela crie raízes e produza frutos de amor e de misericórdia. Nesse sentido, S. Cirilo de Alexandria diz “ser Jesus o verdadeiro Semeador, que comunica a nós, terra boa, a boa semente da Palavra e cuja messe são os frutos espirituais”. 
        A parábola, contada pelo Mestre, traça a aventura da semente no terreno dos corações humanos, pois proveniente do alto, ela germina de acordo com a qualidade de cada terreno. Uma parte das sementes “foi lançada à beira do caminho”, terreno “pisado pelos pés de todos”, duro e pedregoso. Estas não terão vida longa, pois são levadas pelos pássaros e não chegam a criar raízes. Outra parte caiu em lugares de camada fina de terra e, ao nascerem, apresentam-se frágeis e logo são sufocadas pelas tribulações, perseguições e paixões desordenadas. Elas representam todos os que têm uma fé vacilante e pouco profunda e a sua piedade é evanescente e sem consistência ou, no dizer de S. Jerônimo, elas simbolizam “os escravos dos prazeres e dos cuidados deste mundo, que sufocam a Palavra de Deus e fragilizam a virtude”.
No entanto, o insucesso de algumas sementes é superado pelo número vertiginoso do tríplice rendimento do grão que encontra terra boa. Este produz “fruto à razão de cem, sessenta e trinta por um”, porque a luz divina é capaz de penetrar até numa pequena e estreita fresta do coração humano para dilatá-lo prodigiosamente, de tal modo que ele, transformado e purificado, irradia justiça, paz e alegria espiritual. Eis a força eficaz da Palavra de Deus! Seus frutos são abundantes, pois o desígnio divino não é arbitrário, é presença de Cristo que anuncia e realiza nossa filiação divina: em e por Jesus, tornamo-nos filhos e filhas amados do Pai celestial.  Por isso, ao terminar a parábola, Jesus diz aos ouvintes: “Quem tem ouvidos, ouça”. Forte, solene e conciso apelo. Se o terreno corresponde à disposição interior do coração humano, a responsabilidade de acolher a semente cabe a cada um de nós. Comenta S. Basílio Magno: “É evidente que alguns possuem ouvidos melhores e melhor podem entender as palavras de Deus. Mas o que dizer dos que não têm tais ouvidos? ‘Surdos, ouvi, e vós cegos, vede’ (Isaías 42,118). Expressões todas elas usadas em relação ao homem interior”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

domingo, 20 de julho de 2014

Reflexão do Evangelho de Jo 20, 1-2.11-18 - Aparição às santas mulheres - Terça feira 22 de Julho

Reflexão do Evangelho de Jo 20, 1-2.11-18 - Aparição às santas mulheres
Terça feira 22 de Julho
      
       João Batista pregava só quando um grupo de pessoas se reunia ao seu redor, Jesus, por sua vez, vai ao encontro das pessoas, peregrinando de cidade em cidade. Numa vida itinerante, Ele ia às cidades e aldeias e sua voz era ouvida nas sinagogas e no Templo; noutras ocasiões, Ele falava às multidões, reunidas em lugares desertos ou sobre belas colinas e mesmo à beira do lago de Genesaré. Acompanham-no os Apóstolos, fiéis seguidores, e as santas mulheres que os serviam com os seus bens. Elas mostravam-se silenciosas, de grande afabilidade e generosidade, exprimindo, assim, seu agradecimento pelo muito que tinham recebido do Senhor.
Após o sepultamento do Mestre, as mulheres serão as primeiras a irem ao túmulo para lhe prestar homenagem. Chegando, veem a pedra retirada e debruçando sobre o túmulo, constatam que estava vazio. À sua entrada, guardando o recinto, um anjo as exorta: “Não temais! Sei que vós estais procurando Jesus, o Crucificado. Ele não está aqui, ele ressurgiu, conforme havia dito”. É a vitória da vida, em que a morte é vencida e surge um novo tempo, primícias da consumação dos séculos. Exclama Melitão de Sardes: “Ressuscitando dos mortos, Jesus ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro”.
       O sol projetava seus primeiros raios de luz, com os olhos marejados de lágrimas, as santas mulheres temem que os soldados tenham levado o corpo do Senhor. As palavras do anjo não aquietaram seus corações apreensivos. Sempre compreensivo e bondoso, o próprio Jesus “sai ao encontro delas, dizendo-lhes: alegrai-vos. Reconhecendo-o, elas se aproximam dele, abraçam-lhe os pés, e se prostram diante dele”. Imediatamente, a tristeza dá lugar à alegria e à gozosa adoração. O sepulcro, lugar de dor e de lamentação, torna-se expressão de esperança e de conforto. Também as lágrimas se transformam. Agora, com lágrimas de alegria, elas partem apressadamente para dar a boa-nova aos Apóstolos e transmitir-lhes a mensagem do Senhor: “Anunciai a meus irmãos que se dirijam para a Galileia; lá me verão”. Mas os inimigos de Jesus não dão trégua. Ao saber, pelos guardas, do sucedido, os chefes dos sacerdotes lançam um último e desesperado intento para sufocar a ação gratuita e benevolente da vontade de Deus. Subornam os soldados. Eles não deveriam narrar a verdade dos fatos, mas desfigurá-los, dizendo falsamente “que os discípulos tinham roubado seu corpo enquanto eles dormiam”. Último vislumbre da maldade urdida pelos inimigos do Senhor.
       Nesse episódio, é ressaltada a perseverança das santas mulheres. Embora os discípulos tivessem se retirado, Maria Madalena permanecia junto ao túmulo. Diz S. Gregório Magno: “Buscando, ela chorava, e o fogo de seu amor, tornava ainda mais vivo o desejo por seu Senhor desaparecido. Ela foi recompensada, é a única a vê-lo, pois da perseverança provém a força de toda boa ação”. Ao adverti-la de não tocá-lo, “porque, dizia Ele, não subi ainda ao Pai”, Jesus a erige como sinal para todos os seus discípulos: antes de tocá-lo há de se ter a experiência pessoal e interiorizada de sua presença. A propósito, observa S. Jerônimo: “Como os Apóstolos, também ela deve crer espiritualmente, pois Ele já se encontra estabelecido à direita do Pai, na glória celestial”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM