domingo, 30 de agosto de 2015

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira 31 de agosto

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira 31 de agosto
Lc 4, 16-30 - Jesus em Nazaré
       
        Jesus encontra-se na sinagoga de sua cidade. Os habitantes de Nazaré estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar a respeito dos seus ensinamentos e dos milagres realizados por Ele. Perscrutando seus corações e percebendo a incredulidade enraizada em seus ouvintes, no desejo de tocá-los e levá-los à conversão, Jesus lhes diz que nenhum profeta é ouvido em sua própria terra, nem é reconhecido pelos seus parentes. Palavras duras e enérgicas. Para espanto deles, Ele acrescenta que os gentios demonstram mais fé em Deus do que os escolhidos de Israel, e exemplifica: Elias foi enviado a uma viúva, em Sarepta, na região da Sidônia, enquanto tantas outras viviam em Israel e, no tempo do profeta Eliseu, “havia muitos leprosos em Israel, todavia, nenhum deles foi curado, a não ser o sírio Naamã”.
Suas palavras despertam a indignação dos seus conterrâneos, que julgavam os gentios, isto é, os estrangeiros como pessoas distantes de Deus e, por conseguinte, excluídas da Aliança divina. Imediatamente, um murmúrio de protesto se espalhou pelos que estavam na sinagoga, que, enfurecidos, se ergueram contra Ele. Jesus, porém, não se intimida. Declara-os cegos diante da misericórdia de Deus e do seu plano redentor para todas as nações, segundo a profecia que eles tinham acabado de ouvir. Orígenes lembra que, “com Jesus, a salvação tinha irrompido no mundo, pois, através do seu ministério, iniciara-se o ano da graça e do perdão do Senhor”.

 Ao rejeitá-lo, a população leva-o a não realizar milagres, “a não ser algumas curas de enfermos”. Sem dúvida, aquele que amava todos os homens não podia deixar de amar os seus concidadãos, “mas são eles mesmos, diz S. Ambrósio, que se comportando daquele modo, renunciaram o amor à pátria”. Embora, por vezes, bastasse uma pequena centelha de fé para a realização de um milagre, Jesus nunca deixava de exigir, dos que eram curados, uma mudança interior radical. A cena está bem clara: o fato de não ser acolhido em Nazaré, sua terra, escreve S. Cirilo de Alexandria, “leva Jesus a se reportar aos pagãos, que o acolheriam e seriam curados de sua lepra”. Ele é a graça misericordiosa de Deus; Ele é a salvação para a humanidade toda inteira. Nele, reconciliados com o Pai, fundamento da plena fraternidade entre os homens, podemos exercer nossa liberdade, a verdadeira, aquela pela qual participamos da liberdade divina, a liberdade de não poder pecar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Reflexão do Evangelho de Domingo 30 de agosto

Reflexão do Evangelho de Domingo 30 de agosto
Mc 7, 1-13. 14.23 - Discussão sobre as tradições farisaicas
       
       Os pensamentos dos que estão ao seu redor e as considerações evasivas que fazem não passam despercebidos, pois Jesus conhece “até suas intenções interiores mais profundas” (S. Clemente de Roma). Por isso, firme e suavemente, Ele leva seus discípulos a se desprenderem das práticas farisaicas, meramente exteriores e insuficientes, impostas ao povo, qual fardo insuportável. De fato, por atribuírem o máximo valor aos insignificantes preceitos da Lei e estendendo-os à vida comum de cada dia, os fariseus são recriminados por Jesus pela sua hipocrisia, não por simularem, mas pelo exagerado legalismo, que impede o povo de reconhecer a misericórdia como Lei básica da Aliança divina.
Acima das prescrições e da casuística das interpretações, Jesus incute em seus discípulos a honra e o culto devidos ao Pai. Ouvindo-o, a multidão se alegrava, permanecendo, porém, um tanto ressabiada, porque acolher a palavra de Jesus era colocar-se contra os escribas e fariseus. No entanto, pouco a pouco, seus ouvintes se certificam da intransigência e do falso legalismo dos fariseus, que se tinham afastado da doutrina dos profetas, que anunciavam a justiça e a misericórdia divina. A pregação de Jesus está bem longe de um moralismo negativo, que se converte em proibições e “virtudes” formais, pois ao contrário de escravizar, Ele quer tornar os corações livres pelo cumprimento do amor a Deus e ao próximo. Ele prioriza não as prescrições e costumes, mas a vida; quem se doa aos seus semelhantes, serve a Deus e se renova interiormente.

        A surpresa dos ouvintes é grande, quando eles o ouvem dizer que a verdadeira impureza não procede do exterior, mas do interior da pessoa: “Nada há no exterior do homem que, penetrando nele, o possa tornar impuro; mas o que sai do homem, isso é o que o torna impuro”. E não só. Para viver a pureza de coração é necessário passar das práticas exteriores às interiores, porque o encontro com Deus não resulta unicamente dos atos externos, mas é fruto de uma intenção reta e íntegra. E de maneira clara e inequívoca, Ele os exorta a se deixarem guiar pela prática do primeiro e maior mandamento da Lei de Deus, o amor misericordioso, vivido e testemunhado, jamais eclipsado. Se os fariseus não compreendem Jesus e bradam injúrias contra Ele, a multidão, ao contrário, rende-se aos seus ensinamentos.

Reflexão do Evangelho de Sábado 29 de agosto

Reflexão do Evangelho de Sábado 29 de agosto
Mc 25, 1-13 - Morte de João Batista
       
O Evangelho de São Marcos, de onde foi retirada a citação acima, relata a morte de João Batista como uma espécie de prelúdio à missão redentora de Jesus. Ele é apresentado como precursor do Cristo por sua morte, como o foi por sua pregação. Muitos cristãos chegam a apontar semelhanças entre os dois. Ambos foram profetas e ambos testemunharam a verdade, ao preço de sua própria vida. João Batista foi assassinado por ordem de Herodes, e Jesus, depois de ser entregue a Pôncio Pilatos por seus adversários, morreu na cruz.
Quantos seguiram Jesus no martírio, fortalecidos em seus corações pelo amor a Deus e por sua verdade! João Batista preferiu afrontar o ódio do rei, em vez de negar os mandamentos de Deus apenas para adulá-lo. Embora aconselhado por João a deixar o pecado do adultério, porque Herodes vivia em concubinato com a mulher do próprio irmão, o rei preferiu livrar-se do homem que o advertia de seu erro. Observa São Pedro Crisólogo: “A virtude torna-se indesejável para aqueles que são imorais; a integridade é motivo de sofrimento para os corruptos; a misericórdia é intolerável aos cruéis”.
Orígenes descreveu os últimos momentos da vida de João Batista, mostrando que o profeta morreu com a certeza de dever cumprido: “João reprovava Herodes com a liberdade de um profeta. Levado à prisão por causa disso, não temia a morte, mas somente pensava no Cristo que ele tinha anunciado. E não podendo ir ao seu encontro, envia dois de seus discípulos para interrogá-lo: ‘És tu aquele que deve vir? ’. Os discípulos retornam, relatando ao seu mestre o que o Salvador tinha dito. Então, João, armado para o combate, morre com segurança”.

Ele morria como viveu: dando testemunho da justiça e da liberdade do amor. Tudo depende da decisão pessoal de cada um. É o admirável apelo à conversão, ao qual Herodes permaneceu insensível. Com sua morte, João Batista proclama que a fé ultrapassa os conceitos meramente humanos e se concretiza, antes de tudo, na comunhão com o Deus vivo. Em Deus o pecado é banido e a morte é vencida. A vitória é da vida, dado que a sua misericórdia é sem limites. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Reflexão do Evangelho de Sexta-feira 28 de agosto

Reflexão do Evangelho de Sexta-feira 28 de agosto
Mt 25, 1-13 - Parábola das dez virgens
       
        O simbolismo apocalíptico corre como um fio de luz ao longo das mensagens de Jesus, cuja intenção é anunciar o Reino de Deus, que tanto pode ser momento de julgamento como de salvação. No entanto, sua Palavra é sempre expressão de seu amor misericordioso e é sinal de um ato divino, que visa indicar ao ser humano um futuro, vivido como novo caminho em cada novo instante da vida. Assim para compreender a parábola das dez virgens, algumas prudentes e outras não, é preciso situá-la na ordem da confissão ou da experiência de fé, e não estabelecer uma correlação entre o relato e o curso real dos acontecimentos.
          Ela anuncia o grande e solene encontro da humanidade com Cristo, descrito como uma festa de núpcias ou um banquete. Ninguém é excluído. Todos são convidados a participar dele, com a condição de trazer uma lâmpada, símbolo da vigilância ou, no dizer de S. Agostinho, “sinal das boas obras realizadas com coração puro”. Na esfera da vida espiritual, trazer a lâmpada acesa significa conservar a “sobriedade” (nepsis) e “o coração atento” às realidades espirituais, prova de ter atingido o estado de integridade e de terem sido alijados do seu coração o pecado e a dispersão interior, causas de desordem e confusão espiritual.

          S. Gregório de Nissa considera que as virgens tolas “não tinham em suas almas a luz que é o fruto da virtude, nem no pensamento a lâmpada do Espírito. São chamadas de insensatas, porque a virtude é alcançada e vivida antes da chegada do Esposo”. As que possuem candeias iluminadas revelam estar preparadas espiritualmente para participar do banquete à mesa do Senhor, ao qual todos estão convidados. É a celebração do “retorno de Cristo”, dia de julgamento e de purificação, em que todo segredo é manifestado e cada um reconhecerá o seu nome, a sua identidade em Deus, segundo quem realmente ele é. Do ponto de vista temporal, a parábola inclui um elemento de indeterminação, pois não se coloca o tempo de sua realização; e quanto à natureza dos participantes, permanece a incerteza das liberdades envolvidas. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Reflexão do Evangelho de Quinta-feira 27 de agosto

Reflexão do Evangelho de Quinta-feira 27 de agosto
Mt 24, 42-51 - Vigiar para não ser surpreendido

Deus oferece o maior e mais belo tesouro, seu Reino de paz, de alegria e de justiça. Podemos perdê-lo, se não formos vigilantes. Após citar os dias que precederam ao dilúvio, o Evangelista lembra que o Reino de Deus virá como um raio que “lampeja no Oriente e ilumina até o Ocidente”. Assim será o dia da vinda do Filho do homem. Orígenes, grande escritor do século III, exorta “a vigiar, à tarde, isto é, na juventude, à meia noite, na idade média, ao canto do galo, no tempo da velhice ou de madrugada, quando a velhice está já avançada”. Continua ele – “Virá o Senhor ao que não deu sono aos seus olhos, nem descanso às suas pálpebras, e guardou o mandamento daquele que disse: Vigiai em todo tempo”. Ocorrerá, então, a parusia, a volta de Jesus, em sua glória no tempo do Fim. Os que se prepararam, na observância de seus ensinamentos, participarão em plenitude da sua alegria na glória do Pai.
Mas a vinda do Senhor, quando será? O dia e a hora só são conhecidos pelo Pai, por ninguém mais, “nem mesmo pelos anjos do céu”. O próprio Jesus diz: “Não vos pertence saber”. S. João Crisóstomo vê nessas palavras o apelo do Senhor para que “cada um sempre o espere e sempre se empenhe” no serviço aos pobres e desvalidos. Urge estar preparado para o encontro com o Senhor.
        Crer não é negar a humanidade, é desprender-se do que é falso e de tudo o que impede a realização do homem na verdade de si mesmo, de acordo com o que Deus revela e propõe em seu Filho Jesus. Tudo depende da decisão do homem. Ou ele participa pessoalmente do “pecado do mundo”, ou procura viver a virtude, que lhe permite, já no dizer de Aristóteles, praticar com facilidade e estabilidade o bem. Ao identificar a virtude com Cristo, Orígenes a considera prêmio da vida eterna.

Por conseguinte, se a graça pressupõe a natureza, a natureza, por sua vez, pressupõe a graça na medida em que a verdade de Cristo nos conduz à nossa realização integral e autêntica. Tornamo-nos assim sempre mais o que seremos eternamente em Deus. Então, no dizer de S. Agostinho, “nossa alma se une diretamente ao Senhor, sem que nada se interponha entre ela e Deus”. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Reflexão do Evangelho de Terça-feira 25 e Quarta-feira 26 de agosto

Reflexão do Evangelho de Terça-feira 25 e Quarta-feira 26 de agosto
Mt 23, 23-32 - Ai de vós fariseus

        Os fariseus cumprem a Lei com escrupulosa exatidão, a ponto de pagar o “dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças”. Porém, não atendem a exigências de caridade e de justiça para com o pobre e desvalido. Exteriormente, comportam-se de modo exemplar, interiormente, estão distantes e afastados do verdadeiro cumprimento da Lei dada por Deus a Moisés.
Eis então que a voz do Senhor, penetrante como um dardo, ressoa aos ouvidos de todos: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! ” Vós que não cumpris o verdadeiro sentido da Lei. E de seus lábios, ecoam as palavras ditas pelos profetas, que apregoavam o direito, a misericórdia e a fidelidade. Ao invés, os fariseus agem, “como se não houvesse importância, observa S. Cirilo de Alexandria, a justiça e o amor a Deus, deveres obrigatórios a todos”. Ora, o fingimento e a falsa piedade, considerados por Jesus pecados contra o Espírito Santo, devem ser evitados por seus discípulos. Daí falar-lhes, como jamais fizera antes: “Estai atentos a não fazerdes vossa justiça diante dos homens, para que vos vejam; de outro modo não tereis recompensa diante de vosso Pai, que está nos céus” (Mt 6,1).

        Ai de vós, peritos das Escrituras! Hipócritas! O povo ouvia Jesus com espanto e temor. Caíam as máscaras dos que se consideravam sábios e guias do povo, e manifestava-se o vazio de seus corações. Essa era justamente a intenção de Jesus. Suas palavras não eram de condenação, elas visavam à conversão ou à transformação interior dos seus corações. A todos, Jesus sempre manifestou sua compaixão e carinho, e agora Ele quer convertê-los e levá-los à realização da vontade do Pai. Mas por se julgarem os únicos verdadeiros intérpretes da Lei, eles se sentem agredidos e ofendidos pelas suas palavras e, rejeitando-o, tudo fazem para que o povo não o acolha. Mas a palavra do Mestre não foi em vão. Muitos de seus ouvintes reconhecem que sua crítica funda-se no fato de os fariseus permanecerem presos às práticas exteriores, “limpar copos e pratos”, não indo além, ao sentido espiritual, à purificação interior (tò entós) do coração.  Pois é através do visível, como de um trampolim, que se eleva à contemplação do espiritual.

domingo, 23 de agosto de 2015

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira 24 de agosto

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira 24 de agosto
Jo 1, 47-51 – Encontro com Natanael

 Ao ver Natanael que se aproximava com Filipe, Jesus o acolhe com uma saudação profética: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento”. Jesus vê nele um homem sem duplicidade, em quem “não há artifícios”, isto é, uma pessoa não entregue à falsidade e à mentira. Surpreso, Natanael pergunta: “De onde me conheces? ” Buscando tranquilizá-lo, Jesus lhe diz: “Antes que Felipe te chamasse, quando estavas sob a figueira, eu te vi”. Pasmo, Natanael se prostra, exclamando: “Rabi, tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel”.
Ao falar da figueira, Jesus podia estar aludindo à árvore do paraíso ou à árvore dos idosos julgados por Daniel. Por outro lado, os livros históricos falam do repouso “sob a vinha ou a figueira”, imagem da paz, de acordo com a interpretação feita pelos profetas. Por outro lado, segundo a tradição rabínica, interpretação mais comum na época, ao falar de estar sob uma árvore, Jesus estaria sugerindo a ideia de que Natanael estivesse lendo as Escrituras, fonte do conhecimento sagrado. Mas ao dizer, por duas vezes, sob a figueira, e não sob uma figueira, Jesus sugere um contexto familiar a Natanael, que acolhe suas palavras, e as interpreta na fé. Era o sinal esperado por ele. Daí a prontidão de sua resposta: “Rabi, tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel”.

A seguir, o diálogo que Ele estabelece com Natanael oferece-nos um belo exemplo da pedagogia de Jesus para promover o crescimento na fé daquele que procura Deus. No início, Natanael confessa a sua messianidade, dizendo ser ele rei de Israel. Pouco a pouco, ele passa a reconhecê-lo como o Filho do Homem, profetizado por Daniel, imagem daquele que conduziria a humanidade toda inteira à Terra prometida. Concluindo, Jesus lhe promete revelar ainda coisas maiores, “o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. Seus horizontes espirituais hão de se tornar ainda mais amplos, graças à experiência incessantemente renovada, atestada, da luz que é Jesus.