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Reflexão do Evangelho - Domingo,18 de novembro

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Reflexão do Evangelho Domingo,18 de novembro Mt 13,24-32 - Parábola da figueira
Jesus acabara de falar do fim do mundo, suscitando dúvidas e angústia sobre o mistério do Depois. Após alguns instantes de silêncio, os Apóstolos lhe perguntam: “Quando será isso, Mestre? ”. Para que estivessem preparados e prontos para a sua vinda gloriosa, Ele lhes conta diversas parábolas, dentre as quais a de uma figueira, fonte importante de alimento para os judeus. No seu florescer, a figueira anuncia que o inverno passou e se aproxima o verão, época em que se recolhem os frutos para guardá-los. A criação encontra, de certa maneira, sentido em seu crescimento e movimento intrínseco, como consequência de ter sido criada por Deus. Não há “natureza” sem “energia” e movimento. Igualmente, a nossa realidade humana possui, em sua individualidade, graças à liberdade do amor pessoal, a capacidade de se transcender, numa ascensão inesgotável. Porém, em nossa situação existencial concreta, podemos nos deixar guia…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 11 de novembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 11 de novembro Mc 12, 41-44 - O óbolo da viúva

No Templo, mais precisamente, na praça chamada “pátio das mulheres”, onde estava o cofre para a coleta das ofertas, encontravam-se Jesus e os Apóstolos. Muitos se aproximavam do local e jogavam, como aquele homem rico, mancheias de dinheiro, sobre o piso de pedras, visando despertar a admiração de todos. O que Jesus espera é fé e vida sincera, e não grandes manifestações de piedade, nem atos de grandeza ou de vãs pretensões. Por isso, para inculcar nos Apóstolos uma fé firme e indubitável, Ele lhes diz: “Olhai para aquela mulher, uma pobre viúva, maltrapilha, que deposita no cofre apenas duas moedas de pequeno valor. Pois bem, foi esta pobre viúva que lançou mais do que todos”. Ela doa o que tinha para sua subsistência: sinal de profunda e verdadeira confiança em Deus. Ela vai além do que é negado pela força do pecado e, mesmo, pela força de sua situação de criatura humana. O gesto exprime a espontaneidade, a v…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 28 de outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 28 de outubro Mc 10,46-52 - Cura do cego de Jericó
Deus não se manifesta como um objeto, que possa ser apreendido pelo entendimento, mas sim como uma pessoa, uma presença, que, para além de todo conceito, toca o interior do ser humano, numa união de amor. É a supremacia do amor (agápe) sobre o conhecimento (gnosis), na relação espiritual e pessoal entre Deus e o homem. Isto se vê, de modo tocante, na cena da cura de um cego, que se coloca nas mãos misericordiosas de Jesus. Atitude de reverência, nascida da fé, que abrange a instância interior do coração, domínio misterioso onde, para lá dos conceitos e ideias, estabelece-se a comunhão no amor. Ao sair da cidade de Jericó, um cego, chamado Bartimeu, sentado à beira do caminho, suplica a Jesus: “Filho de Davi, Jesus tem compaixão de mim! ”. Ao ouvi-lo, Ele se detém e pergunta-lhe: “O que queres que eu te faça? ”. Trêmulo no corpo, firme no espírito, o cego responde: “Senhor, que eu possa ver novamente”. Se, p…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 21 de outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 21 de outubro Mc 10, 35-45 - O pedido dos filhos de Zebedeu
No âmago da existência, o que nos impulsiona não é propriamente um interesse geral, abstrato, mas sim uma razão viva, constante, mais de fundo, que nos envolve e se traduz em manifestações e orientações específicas, que regulam nosso agir e nossas decisões. Todavia, por vezes, os próprios Apóstolos deixam-se guiar por razões mais de superfície, mais imediatistas, na busca de honra, poder, vaidade, cargos importantes. Interpretando as palavras do Mestre como anúncio da realização messiânica do seu Reino, os dois filhos de Zebedeu vão a Jesus e pedem-lhe para ocupar os primeiros lugares, um à sua direita e outro à sua esquerda. O Mestre queria que eles estivessem imbuídos de amor, de generosidade, de cuidado, de disponibilidade; sem dúvida, havia uma ambição a ser corrigida. Mas era necessário que eles acolhessem a crítica e reconhecessem que a fé exige um confronto de base, vital, com a verdade da vi…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 14 outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 14 de outubro Mc 10,17- 27 - O jovem rico
        Um jovem procura Jesus com o intuito de assegurar-se da felicidade futura: “Bom Mestre, que farei para ganhar a vida eterna?”. Jesus ouve o jovem, sonda-o, penetra-lhe as intenções. Segundo uma mentalidade comum na época, o jovem julga que a posse de bens materiais é sinal das bênçãos divinas. E mais. Suas palavras parecem sugerir a ideia de que seria, também, possível alcançar a felicidade futura, através de obras, agrados e elogios. Ao responder: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém”, Jesus destaca que só Deus é o doador de tudo quanto é bom, inclusive a vida eterna. A seguir, procura levá-lo para lá da observância dos mandamentos, exigência válida para todos, mesmo para os gentios. Com suaves palavras, Ele destaca a necessidade de se liberar do egoísmo, que encerra o indivíduo em sua própria individualidade, separando-o de seus semelhantes, e, numa natureza fragmentária, o impede de p…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 07 de outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 07 de outubro Mc 10,2-12 - Perguntas sobre o divórcio
A acalorada discussão, sobre o motivo que legitimava o repúdio da própria mulher, girava ao redor das determinações do Deuteronômio, cujas expressões eram pouco precisas. Segundo a escola de Shammai, o texto bíblico devia ser interpretado em seu sentido estrito: o divórcio só seria permitido em caso de uma conduta deveras desonrante. A escola de Hillel, por sua parte, o interpretava num sentido mais amplo, segundo o qual se podia repudiar a mulher por não importa qual motivo. No mundo judaico, a mulher ocupava um lugar, relativamente, importante na sociedade e sua relação de reciprocidade e mútua responsabilidade com o homem, na caminhada para Deus, podia ser considerável. Contudo, como era comum entre os povos antigos, prevalecia a mesma mentalidade de supremacia do marido. No Cristianismo, ao proclamar a igualdade fundamental do homem e da mulher, diante de Deus e da Lei moral, mais e mais, se evidenc…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 30 de setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 30 de setembro Mc 9, 38-43, 45-48 - O uso do nome de Jesus e o escândalo a ser evitado
Na Bíblia, dar nome a uma pessoa significa ter poder sobre ela. Assim, no relato da criação, que compreende a sucessão dos atos divinos, ao longo da história, e não apenas as primeiras obras da criação, Deus, ao designar os astros por seu nome e encarregar Adão de dar nome a cada um dos animais, revela-se supremamente pessoal e todo-poderoso, jamais confundido ou identificado com as suas criaturas. Na criação do homem à imagem de Deus, exprime-se, não a conformação de Deus ao homem, mas a intangível dignidade do ser humano, cujo nome não cabe em palavras; nenhuma proposição pode resumi-lo. Conduzido pela mão amorosa de Deus, ele é investido como mestre, corresponsável pela obra criadora, sinal do seu senhorio em relação a todas as criaturas. Presença pessoal de Deus! Porém, Ele continua sendo sempre o Desconhecido. Seu nome escapa a toda apreensão, especulativamente, ad…