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Reflexão do Evangelho - Domingo, 23 setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 23 de setembro Mc 9,30-37 – Poder e ambições (Quem é o maior)

Uma das características essenciais da missão de Jesus é a sua liberdade para fazer o bem e a firme convicção de ter sido enviado para comunicar a todos, especialmente aos pobres e excluídos, a mensagem do Reino de Deus. Alimenta-o a certeza de que o Reino está presente na intimidade, a mais secreta, de cada pessoa, que experimenta, antecipadamente, a superação do momento negativo da dessemelhança e da dualidade, que acompanha o ato criador. Pois ela se sente associada à ação interior de Deus, em sua vida de unidade e de comunhão trinitária: no segredo de sua alma, cada pessoa traz os “vestígios” da vida divina, que a capacitam a viver a unidade, em comunhão com todos os seus semelhantes, para além das diferenças, quaisquer que sejam. Portanto, a perfeição ou a salvação consiste em assemelhar-se, sempre mais, a Deus, em sua vida de unidade e de amor. A caminhada é longa. A perfeição não tem um de…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 16 de setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 16 de setembro Mc 8,27-33 – Pedro é repreendido (A confissão de São Pedro)

O Evangelho não é um simples discurso ou uma mera palavra informativa; é vida, é ação eficaz, que transforma, converte e torna presente o Reino de Deus, cerne da pregação de Jesus e dos Apóstolos. O Reino não assume configurações geográficas: o seu “lar” é a interioridade da pessoa que acolhe a Palavra do Evangelho. Aí ele lança suas raízes, cresce e se desenvolve. Sua expressão, no interior da história, é a Igreja, fundada por Jesus, sua pedra angular. A caminho das aldeias de Cesareia de Filipe, visando introduzir os Apóstolos no mistério de sua missão, Jesus dá início ao seu plano de formar e constituir a Igreja, cuja raiz e tronco é Israel, à qual ela não deixará de estar ligada. Seus horizontes, porém, estendem-se a todos aqueles que atendem à sua mensagem, e, por conseguinte, participam da eleição divina de Israel e da esperança messiânica da salvação prometida ao mundo. Com s…

Reflexão do Evangelho de Domingo, 09 de Setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 09 de setembro Mc 7,31-37 – Luz, reflexo da glória divina (cura do surdo-mudo)

O que caracteriza a pessoa humana é sua liberdade em relação ao determinismo; é sua capacidade de superar a si mesmo, numa atitude que poderia se chamar “êxtase”. Conceito essencial que permite compreender a ação benevolente de Jesus, que, através de sua missão, procura conduzir a humanidade à sua vocação suprema: a deificação, que significa tornar-se, pela graça, uma expressão luminosa do que Deus é por natureza. O primeiro importante momento desta elevação consiste, justamente, em tomar consciência da grandeza e da aspiração a uma plenitude de vida, que está presente em cada pessoa. Eis a primeira etapa espiritual, acessível à razão natural, pressuposta pelo Senhor ao anunciar o amor a Deus e aos seus semelhantes, caminho para o ingresso no “reino” da unidade. Sempre compreensivo, Jesus é ternura para com as crianças, para com os doentes, para com os pecadores. Sua missão é d…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 02 de Setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 02 de setembro Mc 7,1-8;14-15.21-23 - Diálogo com os fariseus
Perante Jesus, estavam alguns rigorosos observantes da Lei, os fariseus. Jesus os recrimina. Não porque fossem rigorosos observantes da Lei. Não! Mas por causa da hipocrisia deles; escondiam-se por detrás de uma prática meramente exterior da religião. Sentiam-se intocáveis e, no dizer de S. Clemente de Roma: “Louvavam com os lábios, porém, o coração deles não era leal a Deus, nem eles eram fiéis à sua Aliança” (Carta aos Cor. 15, 1-4). Permaneciam fechados em si mesmos, pois se consideravam inspirados ou iluminados por Deus. Apresentavam-se a modo de um partido intolerante e faccioso. Embora afirmassem, na realidade, eles não se colocavam diante de Deus, e, por isso, a ideia de conversão ou mudança no modo de pensar e agir não lhes passava pela cabeça. Nem mesmo se deixavam interrogar pelas palavras do Senhor, o que lhes permitiria um crescimento interior e a abertura espiritual para vislumbrar…

Reflexão do Evangelho - Domingo – 26 de agosto

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Reflexão do Evangelho Domingo – 26 de agosto Jo 6, 60-69 - Uma palavra dura, mas não autoritária.
No azul e no sol da manhã, borboletas multicores, pássaros saltitantes, mães, que vão à fonte, alegres e confiantes, trazendo os filhos, com seus pequenos e brilhantes olhos; mães com lágrimas, que falam de ausência, de dor, de angústia. Os Apóstolos contemplam este quadro e sentem o coração vibrar diante da vida, que desponta e madura, em íntima conexão com as paisagens, os montes e os vales. A ternura os envolve, alimentando a chama sagrada do amor, e eles, “no perene nascer das criaturas”, diria Orígenes, meditam sobre o caminho direto e seguro, indicado por Aquele que tudo é, e que está presente para além do tempo: o Mestre, Jesus. Apesar do enlevo espiritual, as palavras de Jesus os surpreendem: “Eu sou o pão da Vida, o pão que desce do céu para que não morra quem dele comer”. Seu desejo é manifesto: que eles se descentrem de si mesmos, abram suas mentes e o coração para o outro, para s…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 19 de agosto

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Reflexão do Evangelho – Domingo, 19 de agosto Lc 1,39-56 – Assunção de N. Senhora

Uma mulher, simples, generosa, atenta às moções divinas, em Nazaré, numa casa modesta e humilde. Nomeada mãe dos discípulos, mãe de todos os homens, ela se chama Maria. Naquele instante, serenamente recolhida, soou-lhe aos ouvidos uma voz angelical: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo armará sua tenda sobre ti. E é por isso que o Santo gerado de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). E foi àquela Virgem de Nazaré que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó se revelou em seu amor indizível: assim aconteceu, por obra e graça do Espírito Santo, a encarnação do Filho de Deus, Jesus. Ela acreditou. Livremente, deu o seu “sim”, e levou avante sua união a Deus, no cumprimento de uma missão que a tornaria modelo de fé e de generosidade. Após o episódio das Bodas de Caná (Jo 2,1-11) e antes da cena do Calvário (Jo 19,25-27), sua presença na vida pública de Jesus aparece em alguns momentos, quais acen…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 12 de agosto

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Reflexão do Evangelho – Domingo, 12 de agosto Jo 6,41-51 – Eu sou o pão da vida A gratidão em S. Agostinho 

Em S. Agostinho, a gratidão assume a forma de uma oração de reconhecimento pelos benefícios concedidos por Deus, mediante uma prática vivida com simplicidade e fidelidade. Embora, após a leitura de Hortensius, obra de Cícero, Agostinho abrace ardorosamente a vida filosófica, ainda há algo que o deixa intranquilo e insatisfeito. Seu coração estiolava! Mas, ao ouvir S. Ambrósio, o louvor e a gratidão envolvem seu ser e ele é conduzido ao sentido “escondido” dos textos bíblicos: “Se, compreendidos segundo a letra, pareciam ensinar um erro, agora, eles mostram sua significação espiritual” (Conf. V,13), conduzindo-o para o alto (ab interioribus ad superiora), para a própria realidade de Deus. Então, uma verdadeira revolução mística se realiza em sua vida: todas suas energias naturais e sua própria identidade pessoal se orientam para acolher a ação divina, inflamando-o com a chama inextin…