sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Reflexão do Evangelho - Domingo, 04 de dezembro



Reflexão do Evangelho
Domingo, 04 de dezembro
Lc 3,1-12 - Pregação de João Batista

       
        Às margens do rio Jordão, destaca-se a austera e solene pessoa de S. João Batista. Último dos profetas do Antigo Testamento, ele espera ansiosamente os tempos messiânicos prometidos. Permanece firme e imóvel, o que é sugerido pelo verbo latino “stare”, pois sua função não é a de ir à procura de Jesus e segui-lo, mas é a de ser seu precursor e dar testemunho dele. Predita pelo profeta Isaías, a manifestação de Deus seria precedida pela passagem de um cortejo processional ou triunfal, que transformaria o deserto em largos vales verdejantes. À frente, em altas vozes, anunciando o novo Êxodo, estaria um profeta, que o povo julgava ser João Batista.  
Grande é a curiosidade de todos, mesmo dos próprios judeus de Jerusalém, que enviam “sacerdotes e levitas para interrogá-lo” sobre sua identidade. Conhecendo a intenção deles, sem titubear, ele declara: “Eu não sou o Cristo”, título que designa o Messias, o “ungido”, o enviado escatológico, o novo Davi, esperado pelo povo como aquele que viria para libertá-lo do jugo estrangeiro e, portanto, restabelecer o reino de Israel. Mas os mensageiros insistem. Eles querem saber de seus próprios lábios se ele é ou não o Messias. Com os olhos fixos neles, em alto e bom som, ele responde não ser aquele que daria início ao “Tempo Final”, e clama: “Preparai-vos! ”, pois, “após mim, virá aquele do qual não sou digno de desatar a correia da sandália”.
        No entanto, para não se furtar à pergunta dos que o interrogam sobre a sua missão, ele proclama o “batismo de conversão para remissão dos pecados”. João é arauto. Eis os albores da paz e da alegria espiritual, frutos do perdão e da remissão dos pecados! S. Hilário de Poitiers reconhece que “aos profetas cabe apregoar o arrependimento dos pecados, enquanto a Cristo pertence a missão de salvar os que depositam fé em seu nome”. Ao longe, nos horizontes distantes, delineia-se o vulto humano do Filho Unigênito e já se ouve o eco da voz do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.



Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

Reflexão do Evangelho - Sábado, 03 de dezembro



Reflexão do Evangelho
Sábado, 03 de dezembro
Mt 9,35-10, 1.6-8 - Compaixão pela multidão e missão dos Doze

       
        O seguidor de Jesus compreende que aceitar a salvação é transformar a morte e todas as formas de morte em passagem para a vida. Por isso, deixando-se iluminar por Cristo, ele não mais vaga na incerteza de sua sorte ou na timidez de um destino desconhecido. Com S. Agostinho, ele exclama: “Senhor, fizeste-nos para ti”! Não para indicar a ideia de que Deus o criou por necessidade, mas para significar que o seu coração foi criado de modo a ser capaz de abrir-se a Deus e de se relacionar com Ele. Sua real realização consiste em estar alegremente voltado a um Deus transcendente, tornado presente entre nós em seu Filho Jesus, em quem, dizia Pascal, “o homem ultrapassa infinitamente o homem” e toma consciência de que viver é ser pura dádiva a Deus e aos seus semelhantes.     
Esta boa notícia do Evangelho do amor e da misericórdia, os Apóstolos irão anunciar a todos os povos, levando o consolo divino e a cura da alma e do corpo às pessoas cansadas e abatidas, que jazem como ovelhas abandonadas pelo pastor, entregues à sua própria sorte. Eles não buscarão bens ou riquezas materiais, mas, quais peregrinos desapegados de tudo, viverão sem preocupações, como os pássaros do céu, sempre guiados e inspirados pelas palavras: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso”. Deleite maior, porém, era anunciar a Palavra e servir, cuidando das feridas e fraturas do coração pecador, transformando-as em fonte de alegria e fruto de purificação interior.  
No desejo de reunir todo o Israel sob o bom Pastor, Jesus recomenda aos Apóstolos de não começarem a divulgar a mensagem evangelizadora pelos pagãos ou samaritanos, mas que eles fossem primeiramente “às ovelhas perdidas de Israel”.  Essa missão dos discípulos parece indicar que Jesus contava que sua mensagem fosse acolhida por muitos, mas também não desconhecia a possibilidade de muitos a rejeitarem. Seus adversários seriam numerosos e haveria aqueles que perseguiriam os discípulos.  Daí a advertência: “Eu vos mando como ovelhas para o meio de lobos; sede, pois, astutos como as serpentes, mas simples como as pombas”. Ele, porém, não os deixará, estará sempre com eles, envolvendo-os e conduzindo-os à intimidade de vida com o Pai: “Vocês não são servos, mas sim meus amigos”, palavras que ficarão gravadas no coração de cada um deles.




Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Reflexão do Evangelho - Sexta-feira, 02 de dezembro



Reflexão do Evangelho
Sexta-feira, 02 de dezembro
Mt 9, 27-31- Cura de dois cegos
       

        A costa do mar da Galileia, descrita por Flávio Josefo, destacava-se “pela natureza extraordinária e pela beleza encantadora”. Lá, ao longo do lago de Genesaré, estendiam-se diversos e pequenos vilarejos, dos quais a pequena cidade de Cafarnaum, onde viviam Simão Pedro e seu irmão André. Certa feita, percorrendo os caminhos da região, dois cegos vem ao encontro de Jesus, clamando: “Filho de Davi, tem compaixão de nós! ”. O título “filho de Davi” traduz a expectativa popular da vinda do Messias, anunciado a Davi pelo profeta Natan e cuja promessa fora muitas vezes reiterada por Isaías, Jeremias e outros profetas. O mesmo título foi utilizado pelo anjo Gabriel no anúncio a Maria, e o evangelista S. Mateus diz que Jesus o merece juridicamente, por ser “da casa de Davi”.
Exprimindo confiança em Jesus, como enviado de Deus, os dois cegos clamam por misericórdia. No entanto, o Mestre não quer apenas curá-los da cegueira corporal, mas levá-los também ao reconhecimento da vontade benfazeja de Deus e de sua misericórdia para com eles. Observa Orígenes: “Aquele que é cego nos olhos do corpo não pode receber a luz do sol e da lua; igualmente, quem não crê não é capaz de contemplar a luz de Cristo”. Com a intenção de provocar a fé e fazê-los ter a experiência de uma nova comunhão com Deus, o Senhor lhes pergunta: “Credes vós que tenho poder de fazer isso? ”. Como tudo dependia da real decisão deles, só após terem respondido: “Sim, Senhor”, é que eles foram iluminados pelo resplendor da luz divina, sinal da comunhão salvadora de Deus.
         A cura física supõe a cura da cegueira espiritual: os dois cegos não só começam a enxergar, mas também é removida de seus corações a cegueira do erro e do pecado. Como eles alimentavam a esperança de que Jesus fosse o Messias davídico, Ele lhes recomenda: “Cuidado, para que ninguém o saiba”, pois seu desejo era que sua ação não fosse interpretada de modo errôneo, num sentido político e nacionalista: Ele os curava “segundo sua fé”, e seu desejo era que o milagre ficasse só entre eles e Deus. Mas eles não dão atenção ao pedido do Senhor e começam a divulgar por toda a parte quem os curou. Jesus os devolvia a si mesmos alegres e jubilosos, e eles se tornavam arautos do Evangelho: na experiência da graça do perdão divino, eles proclamavam a fé em Deus, “o soberano amante da vida” (Sab 11,24).




Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM