terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Quarta-feira, 22 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Quarta-feira, 22 de fevereiro
Mt 16, 13-19 - Confissão de S. Pedro


        Na bela cidade de Cesareia, reedificada pelo tetrarca Felipe, no ano 3 a.C., com o desejo de formar e constituir o novo povo de Deus, Jesus interroga os discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou? ”. A opinião popular identificava-o com um dos profetas do passado. “Responderam-lhe: uns afirmam que és João Batista, outros que és Elias, outros, ainda, que és Jeremias ou um dos profetas”. Voltando-se para os Apóstolos, Ele pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou? ”. Os Apóstolos, diz S. Hilário, “pressentem que para além do que se via nele, havia algo mais”.
Em nome de todos, não fundado em premissas puramente humanas, Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Momento solene e revelador. Através de suas palavras, Pedro expressa uma realidade divina, confirmada pelo próprio Senhor: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas! Não foram o sangue nem a carne que te revelaram isto, mas sim o meu Pai que está nos céus”. A verdadeira identidade de Jesus, sua filiação divina, declarada por Pedro, é revelada pelo Pai, e reflete a profissão de fé da Igreja da nova Aliança: “O Senhor está vivo”.  Trata-se de algo que acontece por graça divina; é revelação do alto, que nos permite reconhecer a convicção da Igreja primitiva de que a vida cristã nasceu da mensagem e da atuação de Jesus, sobretudo, da sua oferta de salvação.  
A partir de então, Jesus profere apenas algumas afirmações. Ao declarar: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”, Ele ratifica o nome dado a Simão, para designar ser ele a pedra, fundamento da Igreja, que superando a “qahal”, assembleia dos fiéis do Antigo Testamento, passa a significar a reunião de todas as gentes no único povo de Deus. O fato de S. Paulo denominá-lo “Pedro” e não “Simão”, em tão pouco tempo após a morte de Jesus, indica a existência de uma tradição já estabelecida. Ele é a rocha sobre a qual Jesus irá construir a comunidade de seus seguidores, que resistirá para sempre contra todas as forças inimigas, pois Ele estabeleceu com ela uma aliança eterna.
As palavras seguintes, narradas pelo Evangelista: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”, sugere que Pedro se tenha tornado a rocha do núcleo inicial da comunidade cristã, com poderes de ordem espiritual, que evocam a ideia rabínica de excluir da comunidade ou nela admitir. Em suma, a base do ministério de Pedro está no fato, escreve Orígenes, “de ele ter dito ao Salvador: ‘Tu és o Cristo’; melhor ainda, por tê-lo reconhecido como ‘o Filho do Deus vivo’”. Esta mesma verdade será proclamada por seus sucessores, também por todos os que seguem Jesus, aos quais Ele diz: “Bem-aventurados sois vós”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Terça-feira, 21 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Terça-feira, 21 de fevereiro
Mc 9,30-37 - Quem é o maior?


Uma das características essenciais de Jesus é a sua liberdade para fazer o bem e a firme convicção de ter sido enviado para comunicar a mensagem do Reino de Deus a todos, especialmente aos excluídos: Ele acolhe os pecadores, come com eles; é “um entregar-se nas mãos de pecadores”, fato que torna sua morte dom da salvação e convite para a comunhão com Deus.
 De imediato, os discípulos não o entendem, pois faziam uma ideia menos trágica e mais gloriosa da vinda do Messias. Daí o fato de lhe perguntarem: “Quem é o maior no Reino dos Céus”? Eles não são ainda capazes de ver quem é Jesus; há falta de compreensão; há mal-entendidos a respeito do messianismo. Escreve São Jerônimo: “Pacientemente, Jesus quer agora purificar, por meio da humildade, o desejo de glória manifestado por eles”. Chamando uma criança e colocando-a no meio deles, disse: “Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”. Paradoxalmente, a verdadeira dignidade diante de Deus é fazer-se a si mesmo pequeno.
Esse caminho espiritual implica uma mudança na maneira de ser e de pensar; é viver como filho do Pai celestial, Oceano de Caridade, pois só sendo seu filho se pode entrar no Reino. Ao tomar uma criança em seus braços, Jesus indica também a necessidade de servir os menores, os mais frágeis e insignificantes da sociedade, depositando no Pai sua confiança filial.
Da mesma forma, exclui-se a possibilidade de alguém se considerar maior que os demais, pois, em Jesus, todos são filhos e filhas amados de Deus, e a todos cabe pertencer à única e mesma categoria que o Pai confere a todos os seus filhos. Nesse sentido, destaca S. João Crisóstomo: “Todos estamos unidos no céu, ninguém é superior a outro, nem o rico ao pobre, nem o senhor ao escravo, nem o que manda ao que obedece, nem o imperador ao soldado, nem o filósofo ao bárbaro, nem o sábio ao ignorante. A todos nós, Deus concedeu graciosamente a mesma nobreza, ao dignar-se ser igualmente chamado Pai de todos”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo,ofm


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Segunda-feira, 20 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Segunda-feira, 20 de fevereiro
Mc 9,14-29 - A cura do endemoninhado epilético

       
        As pessoas “admiravam-se” não só das palavras de Jesus, cheias de bondade e compreensão, mas também dos seus milagres, vistos como manifestações do seu poder sobre as doenças e as forças da natureza. No entanto, Jesus não deseja realizar milagres em benefício próprio, para legitimar a sua missão. São sinais que revelam sua compaixão para com os que chegam a Ele com sua miséria e que têm um coração aberto para receber a boa nova alegre do Evangelho. Estes são aqueles que reconhecem, por trás de seus atos, como também de suas palavras, a realidade espiritual de sua mensagem sobre o Reino de Deus, e experimentam a proximidade de um Deus, que age simplesmente por misericórdia.    
        No Evangelho de hoje, diante de Jesus encontra-se um pai com seu filho epilético e endemoninhado. Na ausência do Mestre, o pai havia recorrido aos discípulos, “mas eles não foram capazes de curá-lo”. O olhar tranquilo e severo do Senhor dirige-se primeiramente aos Apóstolos, os quais Ele repreende: “Ó geração incrédula e perversa, até quando, estarei convosco? ”. Mas, o pai do menino doente, ao ouvi-lo dizer: “Tudo é possível para quem tem fé”, num fio de voz, proclama: “Eu creio! Ajuda minha falta de fé”.  Em sua bondade misericordiosa, e cumprindo sua missão de levar todos a terem fé em Deus, Jesus cura o jovem e o liberta do demônio.  
Pasmos, os discípulos lhe perguntam: “Por que nós não conseguimos expulsá-lo”? Embora não queira chamar a atenção sobre si mesmo e apresentar-se como alguém que saiba curar, a resposta de Jesus é direta: “Foi por causa da fraqueza da vossa fé”: Ele fala do poder da fé em contraste com uma fé fraca, e isso na realidade de seus discípulos. Mas, para que eles compreendessem que a fé é confiança em sua pessoa, através de uma hipérbole rabínica, acrescentou: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Transporta-te daqui para lá, e ele se transportará, e nada vos será impossível”. No sol da manhã, avistava-se o monte Tabor, que dava um sabor especial às suas palavras.
 A fé, fonte de salvação, se for realmente autêntica, mesmo “do tamanho de uma sementinha de mostarda”, realizará outro milagre muito mais profundo: a pertença ao Reino de Deus. Pela fé, “primeira oferta do homem a Deus”, no dizer de S. Agostinho, nós já participamos da intimidade de Deus e, confiando em Jesus, sentimo-nos serenos e livres de todos os males espirituais.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Domingo, 19 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Domingo, 19 de fevereiro
Mt 5,38-42 - Olho por olho e dente por dente


        Ao interpretar a Torá, dá-se, com Jesus, a mudança da esfera cultual para a esfera moral-espiritual. Se os códigos do Antigo Testamento falam do princípio de compensação, referendada pela lei romana do “talión”: “Vida por vida, olho por olho”, Jesus fala da justiça misericordiosa e do amor devido aos próprios inimigos. Aliás, no tempo de Jesus, a prática da Lei do Talião já estava perdendo força, assumindo, provavelmente, a forma de uma compensação pecuniária.   
Em suas pregações, Jesus destaca que a verdadeira relação de aliança com Deus compreende a comunhão com o próximo, de maneira que uma oferta feita a Deus, pelos pecados, só terá força se for acompanhada pela reconciliação com o próximo ofendido. Para Ele, o objetivo principal da Lei não consiste em frear o desejo de vingança pessoal, mas conduzir o faltoso à santidade de vida ou à caridade generosa. Perante seu apelo incisivo para que todos se assemelhem ao Pai, os doutores da Lei, surpreendidos, não o compreendem ao ouvi-lo dizer: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”.  A perfeição é possível neste mundo, pois, em Jesus, diz S. Agostinho, “a violência perde o seu ímpeto e é envolvida pelas redes da paciente caridade”; o discípulo não só vence o mal com o bem, mas chega, até mesmo, a desejar o bem daqueles que o ofendem. Tarefa ousada, resultante de uma grande força interior e espiritual.    
        Jesus subordina o ato jurídico estrito à misericórdia divina, centro e vértice espiritual dos Dez Mandamentos do Sinai. A obediência servil é rejeitada; a obediência filial da fé, fruto do amor fraterno, torna-se força universal, o espírito do universo, que sintetiza o sentido da existência humana. Por isso, Ele proclama: “Àquele que quer pleitear contigo, para tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste; e se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas”.
A Lei mosaica é superada pela Lei evangélica, introduzida por Jesus, que, sem deixar de ser judeu, questiona-os: “Se amais somente aqueles que vos amam, que mérito tereis com isso? Não agem da mesma forma os pecadores? ” Eis o objetivo principal ou o ideal a ser buscado pelos seus seguidores: serem todos, efetivamente, “filhos do Pai que está nos céus, que faz nascer o Sol sobre os maus e os bons, e chover sobre os justos e os injustos”. Assim, sem cair numa visão casuística, Ele os exorta a almejar a perfeição espiritual, graças à qual eles se tornam partícipes, desde já, da feliz eternidade do Pai.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Sábado, 18 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Sábado, 18 de fevereiro
Mc 9,2-13 - Transfiguração do Senhor
       
       
        A fonte de inspiração e a referência essencial da vida cristã é a nossa solidariedade com Jesus, pois, pela sua Encarnação, nossa vida, morte, dor, sofrimento estão incluídos em sua obra redentora. Sua ressurreição, podemos dizer, é a vitória definitiva do primeiro de todos os homens; é a luz que ilumina não só o nosso futuro, mas também o momento presente como atesta a Transfiguração, evidência e certeza na fé de que o homem, caído em Adão, reergue-se em Jesus e participa, desde já, da vida feliz e eterna em Deus.  
No alto da montanha, contemplando a face do Cristo transfigurado, os Apóstolos sentem-se inebriados, e, pasmos, desejam perpetuar aquele momento: “Façamos três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.  Emocionados, eles partilham da glória de Cristo, vendo-o falar com Moisés, o grande legislador de Israel, e com Elias, o maior dos profetas. Longe de se evaporar na glória celeste, a humanidade de Jesus permite-lhes contemplar a luz eterna de sua divindade e compreender que, em sua vitória, eles já participam, misteriosamente, de sua transfiguração. No Messias humilhado e sofredor da cruz, eles serão tocados pelo Filho do Homem, que os conduzirá ao coração misericordioso do Pai; agora, transfigurado, sua face reflete o fascínio irresistível daquele que cria ao seu redor uma atmosfera de paz, de amor e de alegria, levando Pedro a exclamar: “Rabi, é bom estarmos aqui”.
Através da abertura do mistério, os Apóstolos entreveem o Filho de Deus na face humana de Jesus e, na treva mais que luminosa do silêncio, sentem-se arrebatados e completamente maravilhados: realização do desígnio originário de Deus, que os envolve, integralmente, corpo, alma e espírito. S. Gregório Palamas dirá: “Se o corpo deve tomar parte, com a alma, dos bens inefáveis no século futuro, é certo que também deles deve participar, na medida do possível, desde esta vida”.
 Por conseguinte, a Transfiguração de Jesus assegura-nos que, graças à misericórdia divina, teremos também, na medida de nossa fé e de nossas obras, de nossa esperança e de nossa caridade, um corpo transfigurado semelhante ao do Senhor. Lá, no alto do monte Tabor, engalanado de luz, Jesus prenuncia o início da verdadeira nova criação de Deus, que desponta e madura dentro da vida do homem mortal: trata-se do corpo transfigurado, livre dos incômodos terrestres e participante da glória de Deus, na expectativa da segunda vinda do Senhor, que marcará o triunfo visível de Deus. Com a ressurreição final, a morte, sem deixar de ser um fator da vida humana, não dominará mais o homem em seu destino final, pois “assim como todos morreram em Adão, todos reviverão em Cristo” (1Cor 15,22).


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Sexta-feira, 17 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Sexta-feira, 17 de fevereiro
Mc 8,34-9,1 - Condições para seguir a Jesus


        Justamente após a profissão de fé do Apóstolo S. Pedro, os discípulos encontram-se diante de um novo enigma: Jesus anuncia sua paixão e morte. Alimentando o sonho da vinda de um Messias político, perturbados e preocupados, eles escutam suas palavras, sem ousar pedir-lhe um esclarecimento. Porém, ao longo do caminho, voltando-se para os discípulos, Jesus lhes diz: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me”. Segui-lo não é apenas acompanhá-lo ou ir atrás dele, mas é participar de sua vida e de sua cruz; é estar preparado a sacrificar a própria vida no anúncio do Evangelho.
No desejo de fortalecê-los, Jesus lhes apresenta uma exigência paradoxal: “Quem quer salvar a vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”.  Orígenes dirá que a expressão: “‘Perder a vida por causa de mim’, significa mais do que por causa de Jesus, é perdê-la por causa de sua união com Ele”. Para isso, era preciso assumir a decisão de abandonar a própria profissão, a própria casa, a família, para se entregarem ao anúncio da boa notícia da vinda e da proximidade do Reino de Deus. Assim, caracteriza-se uma verdadeira conversão religiosa, necessária para alguém ser membro da comunidade dos seguidores de Jesus: a renúncia corresponde ao sim, dado no momento em que decidiram segui-lo. A fonte primeira, dessa decisão, era o feliz reconhecimento de que o caminho para se chegar à salvação é Jesus, o profeta escatológico, que, proveniente de Deus, traz a alegre mensagem de que o Reino de Deus, a se efetivar no futuro, já é uma realidade presente.      
Constituídos discípulos, eles estão com Ele e são enviados a pregar, com o poder de expulsar os demônios (3,14-15), e, então, compreendem que estar em comunhão com Jesus é participar da salvação concedida por Deus à humanidade inteira. Alegria, bondade, caridade, desprendimento do mundo temporal, eles se transformam e se identificam com Jesus, cujo olhar é perdão, benevolência, compreensão. Daí o fato de eles conservarem uma das mais belas e densas lembranças da convivência com Jesus: sua oferta de salvação e a convicção de que o reinado de Deus está ligado, indubitavelmente, à própria vinda de Jesus a este mundo.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Reflexão do Evangelho - Quinta-feira, 16 de fevereiro

Reflexão do Evangelho
Quinta-feira, 16 de fevereiro
Mc 8,27-33 - Confissão de S. Pedro
        

A caminho das aldeias de Cesareia de Filipe, para introduzir os Apóstolos no mistério de sua missão, cujo objetivo era formar e reconstituir o Povo de Deus, Jesus pergunta-lhes: “E vós, quem dizeis que eu sou? ”. A resposta de Pedro, em nome de todos, é imediata e direta: “Tu és o Cristo de Deus”. 
Momento solene e revelador. Arrebatados ao âmago da vida de oração e de comunhão com o Pai, os olhos interiores dos Apóstolos se iluminam e eles reconhecem nas palavras de Jesus uma aquiescência implícita à sua missão de Servo Sofredor. Com efeito, chamando-o de “o Cristo de Deus”, o apóstolo reporta-se, evidentemente, ao Messias, compreendido não como um rei terreno e político, mas como o Salvador esperado e desejado por todos os homens, pois sua missão se estende para além dos horizontes de Israel e atinge todas as nações. É a realização da esperança messiânica: reunião de todas as gentes num só povo, o povo messiânico. Os gentios acolhidos são mais do que os prosélitos, vindos da Diáspora; compreendem, também, todos os que se converteriam à sua Palavra, proclamada até as extremidades da terra.     
Mas não só. A ação de Jesus vai além da reconciliação dos homens com Deus; estende-se à comunhão dos homens entre si, graças à solidariedade com Ele; melhor, graças à inclusão nele de toda a humanidade regenerada. Bela é a expressão de S. Atanásio: “Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus”. Se a nossa humanidade é a mesma que foi assumida pelo Filho de Deus, então, podemos afirmar que a sua humanidade não é simplesmente semelhante à nossa, mas ela é de fato a que está em nós. Daí a sublime conclusão: nele, nós todos nos encontramos, de maneira que o retorno dele ao Pai já é, em plenitude, a nossa presença junto de Deus. Exclama S. Hilário de Poitiers: “Se o Filho de Deus assumiu um corpo, Ele se fez homem; assim como a Eternidade assumiu o corpo de nossa natureza, nós devemos saber que a natureza de nosso corpo, em Cristo, pode receber o poder da Eternidade”.
 As palavras de Pedro indicam não só a prova pela qual Jesus deverá passar, mas igualmente a fé dos discípulos, que hão de acolher a sua Paixão. É o seguimento da cruz, caminho de renúncia, necessário para encontrar-se com Ele e para decidir-se por Ele. A missão de Jesus alcança o seu escopo, porque no coração do Pai, o povo messiânico participa da perfeita unidade no amor.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm