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Reflexão do Evangelho – Domingo, 17 de setembro

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Mt 18, 21-35 - O perdão das ofensas e a parábola do devedor implacável
      A salvação não é apenas uma realidade futura; ela se concretiza numa forma de vida atual que torna o homem sempre mais “humano”, e, portanto, digno de Deus. Por isso, mesmo que não corresponda a uma vida reta e justa, o homem sempre terá a possibilidade de se corrigir, graças à sua consciência moral, através da qual, nas palavras do Apóstolo S. Paulo, Deus lhe fala e lhe comunica a essência da Lei, expressa no Decálogo. Embora esta voz seja perceptível ao nosso coração, cada um de nós corre o risco de errar e de não corresponder aos ditames da consciência. Daí a pergunta de Pedro a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar ao irmão, que pecar contra mim? Até sete vezes? ”. O número sete significa totalidade. Talvez, ao dizê-lo, Pedro estivesse pensando num número elevado de vezes, o que explica a surpresa dos discípulos, quando o Mestre lhes diz: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete”. Um antigo d…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 10 de setembro

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Mt 18,15-20 - Correção fraterna

Na purificação do Templo, as palavras de Jesus transcendem o conteúdo histórico do Templo e remetem seus ouvintes à ideia de ser Ele próprio o lugar de encontro com Deus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”. O importante não é o momento em que se dá o encontro, mas sim a experiência de Deus como o atuante que realiza a nossa salvação e nos torna servidores da Palavra. Então, o que importa não é apenas a descoberta de uma verdade, mas a confiança em Deus e a imersão na realidade religiosa, que não nos permitem contentar com a mera religiosidade, muitas vezes, alimentada por símbolos e expressões secundárias. Sem dúvida não podemos ignorar que o encontro com Deus é viver, no amor, a comunhão com os seus semelhantes. Martin Buber é enfático ao afirmar: “Não a fusão na unidade, mas sim o encontro é o constitutivo básico da experiência humana do ser”. Se a unidade de fusão pode gerar uma identidade confusa e informe, a u…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 03 de setembro

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Mt 16,21-27 - Condições para seguir a Jesus

      Justamente após a profissão de fé do Apóstolo S. Pedro, os discípulos encontram-se diante de um novo enigma, apresentado por Jesus: sua paixão e morte. O autoconhecimento de Jesus traz diversas interrogações, no que se refere à sua morte e, particularmente, ao fato de sua ressurreição, que culmina com a salvação das nações. Como alimentassem a ideia de um Messias glorioso e político, os Apóstolos se sentiam perturbados, preocupados, mas não ousavam pedir-lhe um esclarecimento.  Afinal, desde um determinado momento, Jesus conta com a possibilidade de uma morte violenta, que será integrada por Ele em sua entrega consciente e total nas mãos do Pai. Assim, as palavras dirigidas aos Apóstolos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me”, tornam-se mais compreensíveis. Elas expressam o convite do Mestre para se situarem no quadro de uma confiança total em Deus, porta de entrada, em seus corações, do …

Reflexão do Evangelho – Domingo, 27 de agosto

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Mt 16,13-20 - Confissão do Apóstolo Pedro

Jesus ia a Jerusalém, acompanhado por seus Apóstolos, quando perto da bela cidade de Cesareia, reedificada pelo tetrarca Felipe, no ano 3 a.C., lhes pergunta: “Quem dizem os homens que eu sou? ”. De acordo com a opinião popular, que o identificava com um dos profetas do passado, “responderam-lhe: uns afirmam que és João Batista, outros que és Elias, outros, ainda, que és Jeremias ou um dos profetas”. E vós, o que pensais? Quem sou eu, na vossa opinião? “Para além do que se via nele, diz S. Hilário, os Apóstolos pressentem algo mais”.    Até aquele instante, Jesus se limitara a pedir aos Apóstolos que observassem o que Ele fazia e julgassem por eles mesmos. Agora, finalmente, chegara o momento de uma conversa esclarecedora sobre sua missão e eles intuíam que o Mestre esperava deles uma resposta direta, fruto de uma longa convivência. A resposta é dada por Pedro, em nome de todos: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Anteriormente, numa perspectiva …

Reflexão do Evangelho – Domingo, 20 de agosto

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Lc 1,39-56 - A visita de Maria à sua prima Isabel


Ao iniciar o relato da visita de Maria à sua prima Isabel, com a expressão “naqueles dias”, S. Lucas nos remete às origens da fé cristã. A assiduidade da oração impedia que, em Maria, mesmo as mínimas raízes do pecado encontrassem espaço em sua alma, sempre mais cândida e transparente, como um belo jardim irrigado pela graça divina. Nela, brotavam as mais belas virtudes de simplicidade e generosidade. Aberta à vontade do Pai, ela é portadora por excelência do Espírito Santo, que faz dela morada do Filho de Deus, Jesus. Em oração, ela ouve a mensagem misteriosa do Anjo, que lhe comunica o fato de sua prima Isabel, já de idade avançada, ter concebido uma criança. Com toda prontidão, refletindo em seus olhos caridade e carinho, ela se põe a caminho da casa de sua prima para servi-la. Mais tarde, cantam os poetas de Deus: “Por onde Maria passava, iluminavam-se os campos”, e ela “seguia no passo alegre da obediência e na agilidade do temor d…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 13 de agosto

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Mt 14,22-33 - Jesus caminha sobre as águas


Após despedir o povo e enviar os discípulos para a outra margem do lago, “Jesus subiu ao monte, a fim de orar”. Silêncio e solidão. Entre as nuvens, tocadas pelo vento forte, Ele divisa o pequeno barco dos discípulos, que buscavam em vão chegar a Cafarnaum.  “Na quarta vigília da noite”, nos primeiros albores do dia, Ele decide procurá-los. Soprava ainda um vento intenso, quando os Apóstolos avistam, em meio às águas encapeladas, caminhando sobre elas, um vulto que vinha ao encontro deles. Assustados, sentem um frio na espinha, o sangue gelar nas veias, e chegam a exclamar: “É um fantasma! ”. Em meio ao fragor das ondas, que ameaçavam virar o pequeno barco, eles ouvem uma voz serena, tranquilizando-os “Sou eu. Não tenhais medo”. Custava-lhes crer que fosse o Mestre, que, aliás, faz menção de passar adiante, como o fez com os discípulos em Emaús. A esse propósito, comenta S. João Crisóstomo: “Jesus não acorre logo para salvar os discípulos, mas…