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Mostrando postagens de 2018

Reflexão do Evangelho - Lc 2,1 - 14 - Abençoado Natal!

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Reflexão do Evangelho Lc 2, 1 – 14 - Abençoado Natal!

“Alegrem-se os céus, rejubile a terra! ” (Sl 95,11). O nascido da Virgem Maria, o Messias, é o Filho muito amado do Pai celestial, que, sem deixar de ser Deus, se tornou verdadeiramente homem. Em seu amor infinito, Deus se dignou escolher uma família, humilde, trabalhadora e piedosa, de uma região simples, afastada dos agitados caminhos da história: o pequeno vilarejo de Nazaré. Lá, Jesus viveu a maior parte de sua vida, no carinho e no amor de uma família, certamente, deslumbrado com as montanhas azuis, as belas colinas e os campos cultivados dos arredores. S. Francisco de Assis celebrava o Natal do Menino Jesus, com incrível alegria, mais que todas as outras solenidades. Certa feita, três anos antes de sua morte, no povoado de Greccio, ele pede a um homem chamado João, que lhe tinha grande amizade, para preparar a celebração do Natal. Dizia-lhe: “Quero lembrar o Menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num pr…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 09 de dezembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 09 de dezembro Lc 3,1-6 – João Batista, o Pregoeiro de Deus
Conquistada pelos romanos, reinava uma relativa paz por aquela região do Mediterrâneo, que compreendia o país de Israel, uma nesga de terra, onde as palmeiras e figueiras cresciam ao lado de salgueiros e pequenos bosques. Não distante do deserto, usando “uma roupa de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins”, João se autodenominava arauto da boa nova da salvação, prestes a acontecer. Vida de asceta, fiel aos seus votos de nazareno, João não bebia vinho, não cortava os cabelos, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Qual pregoeiro, com o poder magnético do diferente, dizia ser a voz daquele que grita no deserto, anunciando o “batismo de conversão para remissão dos pecados”. Albores da paz, da alegria espiritual! Para S. Hilário de Poitiers, a atitude de João Batista era provocativa, instigadora, razão de sua tal qual ansiedade em proclamar a todos a vinda do Cristo Salvador. No…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 02 de dezembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 02 de dezembro O Reino inaugurado por Jesus

O tempo do Advento, que iniciamos hoje, nos prepara para a celebração do Natal. Como na Festa de Cristo Rei, somos levados a refletir sobre o nosso renascimento, para que, superando as aparências do mundo, testemunhemos a “verdade” de nós mesmos, revelada plenamente por Aquele que nasceu em Belém, e foi julgado e condenado por Pilatos. À pergunta de Pilatos, Jesus responde: “Eu sou Rei! ”. Palavras, que, à primeira vista, nos deixam perplexos e confusos. Teria Ele vindo para instaurar um reino material, imposto pela força das armas, pela violência? Porém, as palavras seguintes nos tranquilizam. Pois, para todos nós, que pertencemos a um povo, a uma família que, neste mundo em que nascemos, conserva em si a experiência da dinâmica do espiritual, Ele acrescenta: “Mas meu reino não é daqui, porque foi para dar testemunho da verdade que Eu vim ao mundo”. Ao dizer que seu Reino é espiritual, não se afirma que ele seja a…

Reflexão de Evangelho - Domingo, 25 de novembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 25 de novembro (Cristo, Rei do Universo – Jo 18,33-37) “A glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus”
O século II é um dos mais tormentosos períodos da vida da Igreja: tempo de perseguições externas e crises internas. Como se prenunciasse as transformações por que ia passar a Igreja ao longo de sua história, com notáveis figuras e sábios cristãos, guiados pela fé, desejosos de viver a paz e preservar a unidade. Foi o século de S. Irineu de Lyon, primeiro doutor da Igreja. Nascido em Esmirna, cidade próspera e florescente da Ásia Menor, ainda jovem, ele foi para Lyon, onde, ordenado presbítero, mais tarde, Bispo, “honrava seu nome, pois era pacificador, pelo nome e pela conduta”, como escrevia Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica, V, p.70. Profundamente ligado à Sagrada Escritura, ele expressa intuições, particularmente atuais, que despertam um grande interesse, sempre crescente, sobretudo, por sua leitura atenta do ser h…

Reflexão do Evangelho - Domingo,18 de novembro

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Reflexão do Evangelho Domingo,18 de novembro Mt 13,24-32 - Parábola da figueira
Jesus acabara de falar do fim do mundo, suscitando dúvidas e angústia sobre o mistério do Depois. Após alguns instantes de silêncio, os Apóstolos lhe perguntam: “Quando será isso, Mestre? ”. Para que estivessem preparados e prontos para a sua vinda gloriosa, Ele lhes conta diversas parábolas, dentre as quais a de uma figueira, fonte importante de alimento para os judeus. No seu florescer, a figueira anuncia que o inverno passou e se aproxima o verão, época em que se recolhem os frutos para guardá-los. A criação encontra, de certa maneira, sentido em seu crescimento e movimento intrínseco, como consequência de ter sido criada por Deus. Não há “natureza” sem “energia” e movimento. Igualmente, a nossa realidade humana possui, em sua individualidade, graças à liberdade do amor pessoal, a capacidade de se transcender, numa ascensão inesgotável. Porém, em nossa situação existencial concreta, podemos nos deixar guia…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 11 de novembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 11 de novembro Mc 12, 41-44 - O óbolo da viúva

No Templo, mais precisamente, na praça chamada “pátio das mulheres”, onde estava o cofre para a coleta das ofertas, encontravam-se Jesus e os Apóstolos. Muitos se aproximavam do local e jogavam, como aquele homem rico, mancheias de dinheiro, sobre o piso de pedras, visando despertar a admiração de todos. O que Jesus espera é fé e vida sincera, e não grandes manifestações de piedade, nem atos de grandeza ou de vãs pretensões. Por isso, para inculcar nos Apóstolos uma fé firme e indubitável, Ele lhes diz: “Olhai para aquela mulher, uma pobre viúva, maltrapilha, que deposita no cofre apenas duas moedas de pequeno valor. Pois bem, foi esta pobre viúva que lançou mais do que todos”. Ela doa o que tinha para sua subsistência: sinal de profunda e verdadeira confiança em Deus. Ela vai além do que é negado pela força do pecado e, mesmo, pela força de sua situação de criatura humana. O gesto exprime a espontaneidade, a v…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 28 de outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 28 de outubro Mc 10,46-52 - Cura do cego de Jericó
Deus não se manifesta como um objeto, que possa ser apreendido pelo entendimento, mas sim como uma pessoa, uma presença, que, para além de todo conceito, toca o interior do ser humano, numa união de amor. É a supremacia do amor (agápe) sobre o conhecimento (gnosis), na relação espiritual e pessoal entre Deus e o homem. Isto se vê, de modo tocante, na cena da cura de um cego, que se coloca nas mãos misericordiosas de Jesus. Atitude de reverência, nascida da fé, que abrange a instância interior do coração, domínio misterioso onde, para lá dos conceitos e ideias, estabelece-se a comunhão no amor. Ao sair da cidade de Jericó, um cego, chamado Bartimeu, sentado à beira do caminho, suplica a Jesus: “Filho de Davi, Jesus tem compaixão de mim! ”. Ao ouvi-lo, Ele se detém e pergunta-lhe: “O que queres que eu te faça? ”. Trêmulo no corpo, firme no espírito, o cego responde: “Senhor, que eu possa ver novamente”. Se, p…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 21 de outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 21 de outubro Mc 10, 35-45 - O pedido dos filhos de Zebedeu
No âmago da existência, o que nos impulsiona não é propriamente um interesse geral, abstrato, mas sim uma razão viva, constante, mais de fundo, que nos envolve e se traduz em manifestações e orientações específicas, que regulam nosso agir e nossas decisões. Todavia, por vezes, os próprios Apóstolos deixam-se guiar por razões mais de superfície, mais imediatistas, na busca de honra, poder, vaidade, cargos importantes. Interpretando as palavras do Mestre como anúncio da realização messiânica do seu Reino, os dois filhos de Zebedeu vão a Jesus e pedem-lhe para ocupar os primeiros lugares, um à sua direita e outro à sua esquerda. O Mestre queria que eles estivessem imbuídos de amor, de generosidade, de cuidado, de disponibilidade; sem dúvida, havia uma ambição a ser corrigida. Mas era necessário que eles acolhessem a crítica e reconhecessem que a fé exige um confronto de base, vital, com a verdade da vi…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 14 outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 14 de outubro Mc 10,17- 27 - O jovem rico
        Um jovem procura Jesus com o intuito de assegurar-se da felicidade futura: “Bom Mestre, que farei para ganhar a vida eterna?”. Jesus ouve o jovem, sonda-o, penetra-lhe as intenções. Segundo uma mentalidade comum na época, o jovem julga que a posse de bens materiais é sinal das bênçãos divinas. E mais. Suas palavras parecem sugerir a ideia de que seria, também, possível alcançar a felicidade futura, através de obras, agrados e elogios. Ao responder: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém”, Jesus destaca que só Deus é o doador de tudo quanto é bom, inclusive a vida eterna. A seguir, procura levá-lo para lá da observância dos mandamentos, exigência válida para todos, mesmo para os gentios. Com suaves palavras, Ele destaca a necessidade de se liberar do egoísmo, que encerra o indivíduo em sua própria individualidade, separando-o de seus semelhantes, e, numa natureza fragmentária, o impede de p…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 07 de outubro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 07 de outubro Mc 10,2-12 - Perguntas sobre o divórcio
A acalorada discussão, sobre o motivo que legitimava o repúdio da própria mulher, girava ao redor das determinações do Deuteronômio, cujas expressões eram pouco precisas. Segundo a escola de Shammai, o texto bíblico devia ser interpretado em seu sentido estrito: o divórcio só seria permitido em caso de uma conduta deveras desonrante. A escola de Hillel, por sua parte, o interpretava num sentido mais amplo, segundo o qual se podia repudiar a mulher por não importa qual motivo. No mundo judaico, a mulher ocupava um lugar, relativamente, importante na sociedade e sua relação de reciprocidade e mútua responsabilidade com o homem, na caminhada para Deus, podia ser considerável. Contudo, como era comum entre os povos antigos, prevalecia a mesma mentalidade de supremacia do marido. No Cristianismo, ao proclamar a igualdade fundamental do homem e da mulher, diante de Deus e da Lei moral, mais e mais, se evidenc…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 30 de setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 30 de setembro Mc 9, 38-43, 45-48 - O uso do nome de Jesus e o escândalo a ser evitado
Na Bíblia, dar nome a uma pessoa significa ter poder sobre ela. Assim, no relato da criação, que compreende a sucessão dos atos divinos, ao longo da história, e não apenas as primeiras obras da criação, Deus, ao designar os astros por seu nome e encarregar Adão de dar nome a cada um dos animais, revela-se supremamente pessoal e todo-poderoso, jamais confundido ou identificado com as suas criaturas. Na criação do homem à imagem de Deus, exprime-se, não a conformação de Deus ao homem, mas a intangível dignidade do ser humano, cujo nome não cabe em palavras; nenhuma proposição pode resumi-lo. Conduzido pela mão amorosa de Deus, ele é investido como mestre, corresponsável pela obra criadora, sinal do seu senhorio em relação a todas as criaturas. Presença pessoal de Deus! Porém, Ele continua sendo sempre o Desconhecido. Seu nome escapa a toda apreensão, especulativamente, ad…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 23 setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 23 de setembro Mc 9,30-37 – Poder e ambições (Quem é o maior)

Uma das características essenciais da missão de Jesus é a sua liberdade para fazer o bem e a firme convicção de ter sido enviado para comunicar a todos, especialmente aos pobres e excluídos, a mensagem do Reino de Deus. Alimenta-o a certeza de que o Reino está presente na intimidade, a mais secreta, de cada pessoa, que experimenta, antecipadamente, a superação do momento negativo da dessemelhança e da dualidade, que acompanha o ato criador. Pois ela se sente associada à ação interior de Deus, em sua vida de unidade e de comunhão trinitária: no segredo de sua alma, cada pessoa traz os “vestígios” da vida divina, que a capacitam a viver a unidade, em comunhão com todos os seus semelhantes, para além das diferenças, quaisquer que sejam. Portanto, a perfeição ou a salvação consiste em assemelhar-se, sempre mais, a Deus, em sua vida de unidade e de amor. A caminhada é longa. A perfeição não tem um de…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 16 de setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 16 de setembro Mc 8,27-33 – Pedro é repreendido (A confissão de São Pedro)

O Evangelho não é um simples discurso ou uma mera palavra informativa; é vida, é ação eficaz, que transforma, converte e torna presente o Reino de Deus, cerne da pregação de Jesus e dos Apóstolos. O Reino não assume configurações geográficas: o seu “lar” é a interioridade da pessoa que acolhe a Palavra do Evangelho. Aí ele lança suas raízes, cresce e se desenvolve. Sua expressão, no interior da história, é a Igreja, fundada por Jesus, sua pedra angular. A caminho das aldeias de Cesareia de Filipe, visando introduzir os Apóstolos no mistério de sua missão, Jesus dá início ao seu plano de formar e constituir a Igreja, cuja raiz e tronco é Israel, à qual ela não deixará de estar ligada. Seus horizontes, porém, estendem-se a todos aqueles que atendem à sua mensagem, e, por conseguinte, participam da eleição divina de Israel e da esperança messiânica da salvação prometida ao mundo. Com s…

Reflexão do Evangelho de Domingo, 09 de Setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 09 de setembro Mc 7,31-37 – Luz, reflexo da glória divina (cura do surdo-mudo)

O que caracteriza a pessoa humana é sua liberdade em relação ao determinismo; é sua capacidade de superar a si mesmo, numa atitude que poderia se chamar “êxtase”. Conceito essencial que permite compreender a ação benevolente de Jesus, que, através de sua missão, procura conduzir a humanidade à sua vocação suprema: a deificação, que significa tornar-se, pela graça, uma expressão luminosa do que Deus é por natureza. O primeiro importante momento desta elevação consiste, justamente, em tomar consciência da grandeza e da aspiração a uma plenitude de vida, que está presente em cada pessoa. Eis a primeira etapa espiritual, acessível à razão natural, pressuposta pelo Senhor ao anunciar o amor a Deus e aos seus semelhantes, caminho para o ingresso no “reino” da unidade. Sempre compreensivo, Jesus é ternura para com as crianças, para com os doentes, para com os pecadores. Sua missão é d…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 02 de Setembro

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Reflexão do Evangelho Domingo, 02 de setembro Mc 7,1-8;14-15.21-23 - Diálogo com os fariseus
Perante Jesus, estavam alguns rigorosos observantes da Lei, os fariseus. Jesus os recrimina. Não porque fossem rigorosos observantes da Lei. Não! Mas por causa da hipocrisia deles; escondiam-se por detrás de uma prática meramente exterior da religião. Sentiam-se intocáveis e, no dizer de S. Clemente de Roma: “Louvavam com os lábios, porém, o coração deles não era leal a Deus, nem eles eram fiéis à sua Aliança” (Carta aos Cor. 15, 1-4). Permaneciam fechados em si mesmos, pois se consideravam inspirados ou iluminados por Deus. Apresentavam-se a modo de um partido intolerante e faccioso. Embora afirmassem, na realidade, eles não se colocavam diante de Deus, e, por isso, a ideia de conversão ou mudança no modo de pensar e agir não lhes passava pela cabeça. Nem mesmo se deixavam interrogar pelas palavras do Senhor, o que lhes permitiria um crescimento interior e a abertura espiritual para vislumbrar…