Postagens

Mostrando postagens de 2018

Reflexão do Evangelho - Domingo, 23 setembro

Imagem
Reflexão do Evangelho Domingo, 23 de setembro Mc 9,30-37 – Poder e ambições (Quem é o maior)

Uma das características essenciais da missão de Jesus é a sua liberdade para fazer o bem e a firme convicção de ter sido enviado para comunicar a todos, especialmente aos pobres e excluídos, a mensagem do Reino de Deus. Alimenta-o a certeza de que o Reino está presente na intimidade, a mais secreta, de cada pessoa, que experimenta, antecipadamente, a superação do momento negativo da dessemelhança e da dualidade, que acompanha o ato criador. Pois ela se sente associada à ação interior de Deus, em sua vida de unidade e de comunhão trinitária: no segredo de sua alma, cada pessoa traz os “vestígios” da vida divina, que a capacitam a viver a unidade, em comunhão com todos os seus semelhantes, para além das diferenças, quaisquer que sejam. Portanto, a perfeição ou a salvação consiste em assemelhar-se, sempre mais, a Deus, em sua vida de unidade e de amor. A caminhada é longa. A perfeição não tem um de…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 16 de setembro

Imagem
Reflexão do Evangelho Domingo, 16 de setembro Mc 8,27-33 – Pedro é repreendido (A confissão de São Pedro)

O Evangelho não é um simples discurso ou uma mera palavra informativa; é vida, é ação eficaz, que transforma, converte e torna presente o Reino de Deus, cerne da pregação de Jesus e dos Apóstolos. O Reino não assume configurações geográficas: o seu “lar” é a interioridade da pessoa que acolhe a Palavra do Evangelho. Aí ele lança suas raízes, cresce e se desenvolve. Sua expressão, no interior da história, é a Igreja, fundada por Jesus, sua pedra angular. A caminho das aldeias de Cesareia de Filipe, visando introduzir os Apóstolos no mistério de sua missão, Jesus dá início ao seu plano de formar e constituir a Igreja, cuja raiz e tronco é Israel, à qual ela não deixará de estar ligada. Seus horizontes, porém, estendem-se a todos aqueles que atendem à sua mensagem, e, por conseguinte, participam da eleição divina de Israel e da esperança messiânica da salvação prometida ao mundo. Com s…

Reflexão do Evangelho de Domingo, 09 de Setembro

Imagem
Reflexão do Evangelho Domingo, 09 de setembro Mc 7,31-37 – Luz, reflexo da glória divina (cura do surdo-mudo)

O que caracteriza a pessoa humana é sua liberdade em relação ao determinismo; é sua capacidade de superar a si mesmo, numa atitude que poderia se chamar “êxtase”. Conceito essencial que permite compreender a ação benevolente de Jesus, que, através de sua missão, procura conduzir a humanidade à sua vocação suprema: a deificação, que significa tornar-se, pela graça, uma expressão luminosa do que Deus é por natureza. O primeiro importante momento desta elevação consiste, justamente, em tomar consciência da grandeza e da aspiração a uma plenitude de vida, que está presente em cada pessoa. Eis a primeira etapa espiritual, acessível à razão natural, pressuposta pelo Senhor ao anunciar o amor a Deus e aos seus semelhantes, caminho para o ingresso no “reino” da unidade. Sempre compreensivo, Jesus é ternura para com as crianças, para com os doentes, para com os pecadores. Sua missão é d…

Reflexão do Evangelho - Domingo, 02 de Setembro

Imagem
Reflexão do Evangelho Domingo, 02 de setembro Mc 7,1-8;14-15.21-23 - Diálogo com os fariseus
Perante Jesus, estavam alguns rigorosos observantes da Lei, os fariseus. Jesus os recrimina. Não porque fossem rigorosos observantes da Lei. Não! Mas por causa da hipocrisia deles; escondiam-se por detrás de uma prática meramente exterior da religião. Sentiam-se intocáveis e, no dizer de S. Clemente de Roma: “Louvavam com os lábios, porém, o coração deles não era leal a Deus, nem eles eram fiéis à sua Aliança” (Carta aos Cor. 15, 1-4). Permaneciam fechados em si mesmos, pois se consideravam inspirados ou iluminados por Deus. Apresentavam-se a modo de um partido intolerante e faccioso. Embora afirmassem, na realidade, eles não se colocavam diante de Deus, e, por isso, a ideia de conversão ou mudança no modo de pensar e agir não lhes passava pela cabeça. Nem mesmo se deixavam interrogar pelas palavras do Senhor, o que lhes permitiria um crescimento interior e a abertura espiritual para vislumbrar…

Reflexão do Evangelho - Domingo – 26 de agosto

Imagem
Reflexão do Evangelho Domingo – 26 de agosto Jo 6, 60-69 - Uma palavra dura, mas não autoritária.
No azul e no sol da manhã, borboletas multicores, pássaros saltitantes, mães, que vão à fonte, alegres e confiantes, trazendo os filhos, com seus pequenos e brilhantes olhos; mães com lágrimas, que falam de ausência, de dor, de angústia. Os Apóstolos contemplam este quadro e sentem o coração vibrar diante da vida, que desponta e madura, em íntima conexão com as paisagens, os montes e os vales. A ternura os envolve, alimentando a chama sagrada do amor, e eles, “no perene nascer das criaturas”, diria Orígenes, meditam sobre o caminho direto e seguro, indicado por Aquele que tudo é, e que está presente para além do tempo: o Mestre, Jesus. Apesar do enlevo espiritual, as palavras de Jesus os surpreendem: “Eu sou o pão da Vida, o pão que desce do céu para que não morra quem dele comer”. Seu desejo é manifesto: que eles se descentrem de si mesmos, abram suas mentes e o coração para o outro, para s…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 19 de agosto

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 19 de agosto Lc 1,39-56 – Assunção de N. Senhora

Uma mulher, simples, generosa, atenta às moções divinas, em Nazaré, numa casa modesta e humilde. Nomeada mãe dos discípulos, mãe de todos os homens, ela se chama Maria. Naquele instante, serenamente recolhida, soou-lhe aos ouvidos uma voz angelical: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo armará sua tenda sobre ti. E é por isso que o Santo gerado de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). E foi àquela Virgem de Nazaré que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó se revelou em seu amor indizível: assim aconteceu, por obra e graça do Espírito Santo, a encarnação do Filho de Deus, Jesus. Ela acreditou. Livremente, deu o seu “sim”, e levou avante sua união a Deus, no cumprimento de uma missão que a tornaria modelo de fé e de generosidade. Após o episódio das Bodas de Caná (Jo 2,1-11) e antes da cena do Calvário (Jo 19,25-27), sua presença na vida pública de Jesus aparece em alguns momentos, quais acen…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 12 de agosto

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 12 de agosto Jo 6,41-51 – Eu sou o pão da vida A gratidão em S. Agostinho 

Em S. Agostinho, a gratidão assume a forma de uma oração de reconhecimento pelos benefícios concedidos por Deus, mediante uma prática vivida com simplicidade e fidelidade. Embora, após a leitura de Hortensius, obra de Cícero, Agostinho abrace ardorosamente a vida filosófica, ainda há algo que o deixa intranquilo e insatisfeito. Seu coração estiolava! Mas, ao ouvir S. Ambrósio, o louvor e a gratidão envolvem seu ser e ele é conduzido ao sentido “escondido” dos textos bíblicos: “Se, compreendidos segundo a letra, pareciam ensinar um erro, agora, eles mostram sua significação espiritual” (Conf. V,13), conduzindo-o para o alto (ab interioribus ad superiora), para a própria realidade de Deus. Então, uma verdadeira revolução mística se realiza em sua vida: todas suas energias naturais e sua própria identidade pessoal se orientam para acolher a ação divina, inflamando-o com a chama inextin…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 05 de agosto

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 05 de agosto Jo 6, 24-35 - Jesus em Cafarnaum – Familiaridade com o povo.

Em Cafarnaum, Jesus se mostra tão humano: nada de gestos grandiosos, palavras arrebatadoras; com familiaridade se relaciona com o povo, criando ao seu redor uma atmosfera de alegria, de paz, de amor. De fato, para espanto dos escribas, vindos de Jerusalém, eles notam que o povo se sentia à vontade, perguntando-lhe, familiarmente: “Rabi, quando chegaste aqui?”. Sinal de um relacionamento franco, fraterno, amigo, existente entre eles, relacionamento que não descamba para o populismo ou para a demagogia; simplesmente, testemunha quão humano, compreensível e acolhedor é Jesus. Mesmo quando Jesus se define como “Filho do Homem”, em hebraico Ben Adam, expressão redundante de tipo semítico, Ele não se apresenta na postura de sacralidade de um profeta escatológico. Antes, apaixonado pela humanidade, pela qual se sacrificará, Ele deseja abraçar todas as pessoas criadas à imagem divina. Ded…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 29 de julho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 29 de julho Jo 6,1-15 - A multiplicação dos pães (primeira)

No azul de uma tarde de primavera, sobre uma colina coberta por uma verde relva, encontravam-se Jesus e os Apóstolos em busca de tranquilidade e solidão. Porém, numerosas pessoas, provenientes de diversas localidades, vêm ao encontro deles, sequiosas de uma palavra confortadora e das bênçãos divinas. Sem se mostrar contrariado, mas vendo-as como que “ovelhas sem pastor”, Jesus começou a ensinar-lhes e a abençoar os enfermos. As horas passam, o dia declina, os discípulos, cansados, esperam que o Mestre as despeça, para que possam ir aos campos e vilarejos dos arredores em busca de alimento. Mas, uma vez mais, Jesus se mostra humano, familiar, próximo e não indiferente aos que o rodeiam. Olhando a multidão, “teve compaixão dela”, era como ovelhas sem pastor. O que fazer? Segundo os Apóstolos, seriam necessárias, ao menos, 200 moedas de prata, para alimentá-las; mas Jesus os surpreende, ao dizer: “…

Reflexão do Evangelho - Domingo – 22 de julho

Imagem
Reflexão do Evangelho - Domingo – 22 de julho Mc 6,30-34 – Urgência da Missão

Numa tarde de primavera, após terem retornado da pregação, que o Mestre lhes confiara, os Apóstolos, cansados, se reúnem para contar-lhe o que tinham feito e ensinado. Após ouvi-los, Jesus insiste para que eles fossem a um lugar solitário, para meditar e refazer as suas forças. Ele deseja prepará-los para o futuro, ante a possível perspectiva de uma rejeição ou perseguição. Era necessário fortalecê-los, pois a força que os animava e os inspirava provinha de Deus e pressupunha uma caminhada interior, espiritual, para se identificarem, mais e mais, a Ele, o Filho de Deus, que assumiu integralmente a nossa humanidade. Porém, a multidão que o seguia, atenta, movida por curiosidade ou agradecida pelos benefícios recebidos, pôs-se a procurá-lo. Ao desembarcar, do outro lado do lago de Genesaré, Ele se depara com um grupo enorme de pessoas, aguardando-O. Compreensivo e profundamente humano, vendo-as, “Jesus ficou t…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 15 de julho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 15 de julho Mc 6,7-13 – Missão dos Doze e recomendações do Senhor

Pouco antes de enviar os Apóstolos em missão para proclamar o Evangelho do Reino, vendo a multidão “cansada e abatida como ovelhas sem pastor”, Jesus lhes diz: “Levantai o olhar e vede os campos de trigo, como já estão dourados e prontos para a colheita... A messe é grande e os operários são poucos”. A partir de então, quais peregrinos errantes, os Apóstolos levarão a todos uma mensagem de esperança e de reconciliação. Formarão, mais do que uma simples coletividade, um corpo único, a Igreja, na qual as pessoas não são diluídas; ao contrário, realizam-se em sua verdadeira diversidade. Pouco a pouco, de ouvintes atentos, eles se tornam “pescadores de homens”, conscientes de que ir além dos poderes confiados pelo Mestre ou deturpá-los seria abuso de confiança, ou traição. Para exercer esta missão de cura espiritual e física, o Mestre lhes dá instruções pormenorizadas: “Que não levem nada para…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 08 de julho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 08 de julho Mc 6,1-6 - Jesus em Nazaré
O Evangelho é eloquente ao falar da ação redentora e santificadora de Jesus, que veio conceder ao homem a adoção filial e a imortalidade. Não se trata de obrigar-se a crer em Jesus, mas viver a partir de uma confiança profunda, anseio da alma, que proporciona um estado de segurança, de paz e de alegria. Essa presença amorosa de Deus, que nos parece, por vezes, distante, mostra-se, secretamente, bem dentro de nós, constituindo uma experiência pessoal, muito maior e mais profunda do que as curas e expulsões de demônio. Não é momento para hesitar. Vale lembrar as palavras insistentes do Mestre, em seu convite para abrirmos o coração e acolhermos o amor misericordioso do Pai; Jesus indica não só outro modo possível de viver, mas questiona nossa atitude diante da vida. Não é possível deixar-se guiar pelo subjetivismo, como critério e medida da verdade; é necessário responder com o amor a presença misericordiosa do Pai e …

Reflexão do Evangelho – Domingo, 01 de Julho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 01 de Julho Mt 16,13-19 - Confissão do Apóstolo Pedro

Estando a caminho de Jerusalém, perto da cidade de Cesareia, reedificada pelo tetrarca Felipe, no ano 3 a.C., Jesus, acompanhado por seus Apóstolos, pergunta-lhes: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”. A resposta traduz a opinião popular, que o identificava com um dos profetas do passado: “Uns afirmam que és João Batista, outros que és Elias, outros, ainda, que és Jeremias ou um dos profetas”. A expressão “Filho do homem” traz consigo a ambiguidade entre a origem humana de Jesus, “Filho de Davi, Filho de Abraão” (Mt 1,1), e o mistério divino, apocalíptico, título indicado pelo profeta Daniel (cap. 7). Sugere-se, sem dúvida, a dualidade da natureza de Jesus, como observa S. Hilário: “Para além do que se via nele, o Cristo deixava pressentir que havia algo mais”. Daí a pergunta direta aos Apóstolos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Chegara, finalmente, o momento de uma conversa esclarecedor…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 24 de junho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 24 de junho Lc 1, 57-66.80 - Natividade de S. João Batista
       Para o mundo bíblico, o nome dado a alguém exprime a missão que ele desempenha no mundo; costume que se estende para designar os lugares aos quais está ligado algum acontecimento importante. Porém, por ocasião de uma de suas aparições misteriosas, Moisés é repreendido ao perguntar a Deus: “Qual é o seu nome?”. Dirá o Apóstolo S. Paulo: “Seu nome está acima de todo nome que se pode nomear não só neste século, mas também no vindouro” (Ef 1,21).       Mas quando se celebram as glórias de Deus por causa da criação, Ele recebe os nomes de tudo quanto foi criado, como Bom, Belo, Sabedoria, Amável, Senhor dos Senhores, que designam não propriamente o seu nome, mas a sua presença em tudo quanto existe, principalmente, no meio do seu Povo. Hoje, o Evangelho discorre sobre o nascimento do último dos profetas do Antigo Testamento, João Batista, que recebe por missão preparar a vinda de Jesus, o Salva…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 17 de junho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 17 de junho Mc 4, 26-34 - Parábola da semente e do grão de mostarda

     É na companhia de seus semelhantes que a pessoa humana encontra as condições necessárias para o seu desenvolvimento. Por sua participação na natureza comum de todos, ela transborda a realidade individual e busca as condições necessárias de sua realização. Abertura, que a coloca, livre e criticamente, diante da vida sobrenatural, não determinada por uma verdade revelada ou absoluta. Daí resulta a igualdade essencial e a mesma dignidade para todas as pessoas. Portanto, é factível afirmar que a visão cristã da criação não lhe é estranha, e que cada uma se realiza, em sua diversidade, na comunhão com todas as demais pessoas, diríamos, numa vida de Igreja, que é mais íntima e forte do que uma simples coletividade. Essa dignidade de pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fundamento da justiça e da paz, é elevada, por Jesus, o Filho de Deus, à condição da filiação divina. Com…

Reflexão do Evangelho – Domingo, 10 de junho

Imagem
Reflexão do Evangelho – Domingo, 10 de junho Mc 3,20-35 - Jesus e Belzebul
A trajetória do Antigo Testamento prossegue para além do primeiro momento histórico até um segundo e essencial momento, o Novo Testamento, na íntima conexão entre o texto escrito e uma comunidade viva. E foi no interior desta história que Jesus é reconhecido, na convicção da fé, como Messias, nosso Salvador. Missionário do Pai junto aos homens, Jesus anuncia o Evangelho, a “Boa-Nova” da presença misericordiosa de Deus no meio do seu Povo. Multidões acorrem a Ele para serem curadas e libertadas: é a realidade benfazeja do Reino de Deus, acontecimento pelo qual Deus age como Senhor, para o nosso bem, pondo fim ao mundo dominado pela injustiça e maldade, e iniciando o novo mundo da paz e da justiça. Muitos creem nEle como “vindo de Deus”, porém, os escribas, descidos de Jerusalém, numa atitude hostil, afirmam que “é por Belzebul, príncipe dos demônios, que Ele expulsa os demônios”. O título Belzebul liga-se a t…