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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Reflexão do Evangelho do dia 29 de Janeiro de 2013

Terça-feira – 29 de janeiro Mc 3, 31-35 - Os verdadeiros parentes de Jesus
            O amor e o respeito de Jesus para com sua mãe e parentes são inquestionáveis. Maria e seus irmãos desejam vê-lo, mas a multidão que o rodeava era grande e eles não conseguem chegar até ele. Os discípulos notam a presença deles e avisam Jesus. Sem desprezar seus parentes, ele aproveita a ocasião para conduzir seus ouvintes ao essencial da sua missão: seu relacionamento com o Pai celestial. Por isso, elevando a voz, ele dirige-se a todos e fala-lhes da filiação divina. É a filiação espiritual, pertença à família de Deus, da qual se participa pela fé. Maria não a desconhece. Já no milagre das bodas de Caná, contempla-se sua atitude confiante, pois situando-se na ordem da fé, ela diz aos serventes: “Façam tudo o que Ele mandar”. S. Agostinho, meditando sobre essa passagem, exclama: “A nobreza do nascido se manifestou na virgindade da mãe, e a nobreza da mãe na divindade do nascido”.         Jesus tem uma i…

Reflexão do Evangelho do dia 28 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 28 de janeiro Mc 3, 22-30: Jesus e Beelzebu (calúnias dos fariseus)             O Senhor assegura-nos a sua proteção espiritual. Os milagres realizados por ele ultrapassam o poder do homem, levando à conclusão: ou se acredita em Jesus como “vindo de Deus” e esta é a compreensão de Nicodemos, do cego de nascença e de todos os que reconhecem nele o Messias esperado. Ou afirma-se que “’Beelzebu está nele’, e também: ‘é pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios’”. Acusações levantadas pelos escribas, que “haviam descido de Jerusalém”.             O título Beelzebu liga-se a textos antigos e designa o primeiro entre os inimigos de Deus, pois os deuses pagãos eram considerados como demônios. Por estar à frente e governar as forças do mal, ele é denominado o príncipe deles, constituindo um Reino em oposição ao Reino de Deus. Daí as palavras de Jesus: “Todo reino dividido contra si mesmo não poderá subsistir”. As acusações dos escribas e fariseus resultam absurdas. …

Reflexão do Evangelho do dia 27 de Janeiro de 2013

Domingo – 27 de janeiro Lc 1,1-4; 4, 14-21: Jesus em Nazaré             Jesus encontra-se na sinagoga de sua cidade. Os habitantes de Nazaré estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar a respeito dos seus ensinamentos e dos milagres realizados por ele. A curiosidade era grande. Pensavam e discutiam entre si quais seriam os sinais que ele faria em sua própria terra. Conforme costume judaico, uma passagem do profeta Isaías lhe é dado para ler. Orígenes diz ter sido “a escolha providencial, pois o texto proclama o início da era messiânica da salvação em Jesus”. Refere-se ao Messias como Deus e homem. Escreve S. Cirilo de Alexandria: “Era necessário que ele se manifestasse aos israelitas e que o mistério da encarnação resplandecesse para os que não o reconheciam”. Citando o profeta, Jesus declara-se Deus, nascido homem, para salvar o mundo. Todos não deixavam de fixá-lo. Mas com que olhar o vêem? Ao se dirigir aos fiéis, Orígenes observa que “não gostaria que seus ouvint…

Reflexão do Evangelho do dia 26 de Janeiro de 2013

Sábado – 26 de janeiro Lc 10, 1-9 – missão dos setenta e dois
Ao enviar os setenta e dois dos seus discípulos à missão, Jesus lhes apresenta o Reino de Deus como uma grande messe. A abrangência da missão é universal. Ela visa não só o povo de Israel, mas também os demais povos e nações. O objetivo é semear a Palavra de Deus no coração de todo ser humano. Colocado, justamente, no início da subida de Jesus a Jerusalém, esse episódio caracteriza a ação formadora do Senhor, no desejo de transmitir aos seus discípulos o fervor e o ardor missionários. Eles são seus continuadores. Do Senhor eles recebem a inspiração e a força para tornar a Igreja presente por toda parte, em sua intenção “católica”. Embora tal fato fosse se concretizar só após Pentecostes, já agora, na vida pública de Jesus, pode-se entrever a futura missão universal dos Apóstolos. Com efeito, observa Orígenes: “Não só os Doze Apóstolos pregaram a fé em Cristo, mas o Evangelho nos diz que outros setenta foram enviados para preg…

Reflexão do Evangelho do dia 25 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 25 de janeiro Mc 16, 15-18 – Festa da conversão de S. Paulo
         O Novo Testamento narra a vocação do Apóstolo S. Paulo, no momento de sua conversão, às portas da cidade de Damasco. A graça divina, que agiu ao longo de sua vida, tem nesse momento seu ponto culminante. Discípulo de Gamaliel, célebre fariseu, perseguidor da jovem Igreja, Paulo inesperadamente se converte e se torna o grande missionário do Evangelho. Seu chamado é por ele interpretado como dom gratuito do Senhor, não resultante dos seus trabalhos e obras, mas fruto do amor e da benevolência divina. Ele fala da ação amorosa de Deus e a descreve presente em sua vida desde o seio materno (Gal 1,15). Em meio aos Apóstolos, a figura de Paulo se eleva vigorosa, em sua atuação, e firme, em suas convicções, sem demonstrar qualquer temor ao que poderia resultar de sua conversão. De fato, a experiência de Damasco marca-o profundamente. É encontro com Cristo, momento em que a graça divina, poderosa e suave, penetra-…

Reflexão do Evangelho do dia 24 de Janeiro de 2013

Quinta-feira – 24 de janeiro Mc 3, 7-12: As multidões seguem Jesus             Por onde Jesus passava, as multidões acorriam para ouvi-lo e ver as obras que realizava. O poder de sua mensagem é impressionante. A sua palavra alimentava os que tinham fome de Deus e curava os que buscavam libertar-se de seus males. Movidos pela fé, muitos se achegavam a Jesus para tocá-lo e, pelo poder que dele provinha, eram curados e perdoados de seus pecados. Em sua presença, até os demônios tremiam e reconheciam sua verdadeira identidade, declarando: “Tu és o Filho de Deus”.               No entanto, S. Agostinho não deixa de observar: “Muito melhor que estar com o Senhor é ter fé nele”. Não basta estar em meio àquela multidão, pois “a fé é mais forte que tocá-lo com a mão. Se pensas que Cristo é só homem, tu o tocas, na terra, com as mãos, mas se tu crês que Cristo é o Senhor e igual ao Pai, então tu o tocas, na glória do céu”. A fé permite-nos alçar voo, ultrapassando-nos, e alcançar a salvação, part…

Reflexão do Evangelho do dia 23 de Janeiro de 2013

Quarta-feira – 23 de janeiro Mc 3, 1-6: Cura do homem com mão atrofiada             A cena da cura de um homem com mão atrofiada se passa numa sinagoga, em dia de sábado. Lá está Jesus, observado atentamente pelos escribas e fariseus, que desejavam “ver se ele curaria no sábado, para assim encontrarem algo com que o acusar”. Buscam motivos para justificar a condenação de Jesus, fato já consumado em seus corações. Guardando sempre a serenidade e sem se preocupar com os olhares maldosos dos que o cercavam, Jesus pede ao homem que venha para o meio da assembleia. Tenso, o homem aproxima-se e permanece de pé, diante do divino Mestre. É sábado, mas Jesus, sem tergiversar, num gesto de afrontamento, realiza o milagre. Como era costume seu, ele não condena seus inimigos, mas, desejando levá-los à conversão, questiona-os. Pergunta-lhes se é permitido, em dia de sábado, fazer o bem ou o mal, salvar sua vida ou arruiná-la. O silêncio dos fariseus prova sua obstinação. Não percebem que a intenção …

Reflexão do Evangelho do dia 22 de Janeiro de 2013

Terça-feira - 22 de janeiro Mc 2, 23-28: Colheita das espigas
            “Jesus proclama o sábado da graça e da ressurreição eterna, e não o da Lei”, escreve S. Ambrósio. De fato, o “descanso sabático” era um tempo especial para recordar e celebrar a bondade de Deus e a de sua obra, a criação e a redenção. Dia colocado à parte para a oração. No entanto, em dia de sábado, os discípulos, com fome, arrancam espigas para comer, debulhando-as. Os escribas e fariseus ficam escandalizados. Não porque apanhavam as espigas, o que era permitido por lei, mas por o fazerem no sábado. Os evangelistas aproveitam esse episódio da vida de Jesus para revelar seu ser e sua missão.             O serviço do Templo pode dispensar os sacerdotes das exigências do Sábado. Exclama S. Hilário de Poitiers, “Jesus, é ele mesmo o Templo”. Portanto, com muito mais razão, os discípulos a serviço do Filho do Homem sentem-se dispensados de tais obrigações. Não se nega o valor do sábado. Ele continua assinalando que o h…

Reflexão do Evangelho do dia 21 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 21 de janeiro Mc 2, 18-22: Discurso sobre o jejum
            Em seu fervor, os discípulos de João e os fariseus multiplicam jejuns e orações. Os profetas, porém, insistiam menos sobre a severidade do jejum e muito mais sobre a conduta justa e caritativa para com o próximo. Lançam um apelo à misericórdia e à bondade. Realidade plena na pessoa de Jesus Cristo.             À pergunta dos fariseus sobre a razão por que “os seus discípulos não jejuam”, Jesus atribui-se as palavras das Escrituras que descreviam o Messias como o esposo. “Podem os amigos do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles?” Eles não são obrigados a jejuar. “Este fato demonstra, comenta S. Hilário, a alegria dos discípulos com a presença de Jesus”. Se as núpcias só se realizarão definitivamente no fim dos tempos, como se conclui da parábola do banquete e das virgens prudentes, antes, porém, do evento escatológico, o Esposo já veio, por um tempo. É a atual presença de Jesus, que se estende pelos três …

Reflexão do Evangelho do dia 20 de Janeiro de 2013

Domingo – 20 de janeiro Jo 2, 1-11: Bodas de Caná             Jesus, Maria e os discípulos encontravam-se, como convidados, nas bodas de Caná, festa que costumava durar normalmente sete dias. Durante as comemorações, o vinho, bebida comum naquele tempo, vem a faltar. Ao vinho se liga o simbolismo da amizade, do amor e da alegria. A Bíblia eleva-o ao nível religioso. Eis que, em meio à festa, não há mais vinho para oferecer aos convidados. Seus organizadores entreolham-se, mostram-se preocupados e constrangidos. O fato é notado por Maria, a Mãe de Jesus, o qual não tinha realizado, ainda, nenhum milagre. Sentindo o embaraço deles, ela vai ao seu filho e suas palavras soam como um apelo, discreto, porém, bastante tocante. Diz ela a Jesus: “Eles não têm vinho”.             A resposta de Jesus, literalmente, “o que há entre mim e ti”, longe de significar uma ruptura, tem um sentido religioso e, mesmo, místico.  Naquele instante, com esta expressão, Jesus revela a função de Maria em sua miss…

Reflexão do Evangelho do dia 19 de Janeiro de 2013

Sábado – 19 de janeiro Mc 2, 13-17 -  Vocação de Mateus             Jesus se encontra em Cafarnaum, cidade buliçosa, situada na rota de Damasco. Razão da presença aí de aduanas e dos respectivos cobradores de impostos. São os publicanos (telovai), dentre os quais se encontra Mateus, nome hebraico, provavelmente abreviação de Matatías, que significa “dom de Deus”. Jesus o chama. Na vocação de Mateus, a Tradição patrística e a literatura ascética destacam dois aspectos fundamentais: o apelo gratuito e eficaz do Senhor e a resposta pronta e incondicional de Mateus. A primeira revela a bondade e o poder do Mestre, a segunda aponta para a acolhida e disponibilidade do Apóstolo. Jesus, segundo S. Beda o venerável, “viu mais com os olhos interiores do seu amor do que com os olhos corporais. Jesus viu o publicano e, porque o amou, o escolheu, e lhe disse: Segue-me, isto é, imita-me. Ele o segue, menos com seus passos, mas muito mais com seu modo de agir, pois quem está em Cristo, anda de contín…

Reflexão do Evangelho do dia 18 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 18 de janeiro Mc 2, 1-12:  Cura do paralítico e perdão dos pecados
            Em peregrinação, Jesus chega à sua cidade, onde lhe “trouxeram um paralítico, deitado num catre”, para que fosse curado. Escreve S. Hilário de Poitiers: “É necessário examinar atentamente as palavras da cura. Ao paralítico não é dito imediatamente: sê curado, ou ainda, levanta-te e caminha, mas: ‘tem ânimo, meu filho; os teus pecados te são perdoados’”. Esta cena reflete o carinho de Jesus por aquele homem e por todas as pessoas que, na dor e na angústia, se abrem à liberdade de um amor profundo e gracioso. Amor que não é simplesmente uma norma, mas vigor interior de uma vida voltada à gratuidade da presença de Deus. Por isso, ao ler a fé que o paralítico depositava nele, Jesus lhe concede a remissão dos pecados para, em um segundo momento, manifestar o seu poder, curando-o. Com a mesma “majestade e poder com que Ele conhece os nossos pensamentos, Ele perdoa os nossos pecados” (S. Jerônimo). O p…

Reflexão do Evangelho do dia 17 de Janeiro de 2013

Quinta-feira – 17 de janeiro Mc 1, 40-45: Cura de um leproso
        Um leproso se aproxima de Jesus e suplica: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. Mas pode o leproso colocar toda sua confiança em Jesus? Os discípulos respondem afirmativamente. Na certeza de que ele é capaz de aliviá-los das aflições e doenças, eles depositam no coração do Senhor todas as preocupações. Porém, agora, lá está um leproso. Pela Lei mosaica, a lepra era considerada uma doença passível de excomunhão. Quem a contraísse seria excluído do convívio comunitário e se, por acaso, alguém fosse curado, ele devia submeter-se ao rito de purificação. Por isso, ao milagre da cura de um leproso sinal dos tempos messiânicos, liga-se a purificação.                                     Apesar de tantas restrições e normas, o leproso não hesita. Aproxima-se do Metre, que, sereno, não se afasta, acolhe-o. A pureza interior de Jesus é intocável. A cena comove os Apóstolos, levando-os  à admiração e ao enlevo espirit…

Reflexão do Evangelho do dia 16 de Janeiro de 2013

Quarta-feira – 16 de janeiro Mc 1, 29-39: A cura da sogra de Pedro
                        Estando a sogra do Apóstolo S. Pedro doente, Jesus entra em sua casa e dela se aproxima. O médico misericordioso toma a iniciativa. Vai ao encontro da doente e a levanta, tomando-a pela mão. Ao toque de Jesus a febre se afasta. S. Jerônimo exclama: “Que o Senhor toque também nossa mão, para que sejam purificadas nossas obras, que Ele entre em nossa casa, para que nos levantemos para servir”. De fato, o Evangelho narra que, ao entardecer, a sogra de Pedro, já curada, os servia. Os Santos Padres, a partir deste milagre, exortam a comunidade cristã a estender a mão ao que está caído para levantá-lo, comunicando-lhe novo ânimo. Estender a mão é ir ao que está aflito e angustiado ou acorrentado às realidades materiais e comunicar-lhe a Boa-Nova do Evangelho, a fim de que ele possa, pelo sacramento da confissão, especialmente pela Eucaristia, receber “o fogo do amor divino na sua alma e no seu corpo”. To…

Reflexão do Evangelho do dia 14 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 14 de janeiro Mc 1, 14-20: Jesus inaugura sua pregação             Ao chamar seus primeiros discípulos, Jesus inicia a sua missão com um forte apelo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A conversão supõe passagem de um modo de vida e de pensar para outro mais fundamental e verdadeiro. Para Jesus, converter-se é voltar-se para o Pai, fonte de vida. É sintonizar-se com Ele e viver segundo seus desígnios. O próprio termo ”converter” sugere a ideia de colocar-se de acordo com a vertente da vida, de tal modo que quem dela se desliga corre o risco de deixar secar a água viva, comunicada por ela. E a vertente é o próprio Deus, único capaz de dessedentar-nos, graças, principalmente, à Boa-Nova do Evangelho, anunciado por Jesus.  S. Jerônimo dirá: “O reino de Deus só se abriu, após a vinda daquele que disse: ‘O reino de Deus está dentro de vós’”.             Na Galileia, Jesus anuncia que o tempo assinalado para o estabelecimento do Reino tinha chegado e exorta seus ouvintes ao…

Reflexão do Evangelho do dia 13 de Janeiro de 2013

Domingo – 13 de janeiro S. Lc 3, 15-16.21-22: Batismo de Jesus             Nas vésperas e no início da era cristã, grande era a expectativa da vinda do Messias. O povo discutia e refletia, em seu coração, as profecias que falavam do Enviado de Deus. Por ocasião da Anunciação, a mesma atitude interior animava o coração da Virgem Maria. Humilde, ela hesita em se reconhecer naquela que o Anjo saúda com o nome de “cheia de graça”. Agora, a multidão, que buscava o batismo de João Batista, interroga-se: Não é ele, porventura, o Messias esperado? O próprio João Batista afasta toda dúvida, ao declarar: “Aquele que vem após mim me precedeu porque antes de mim ele era”. Alusão à preexistência de Jesus, o Verbo de Deus encarnado, eterno e transcendente. Em sua franqueza e humildade, João confessa não ser digno de desatar a correia das suas sandálias. Em outras palavras, ele não é nem mesmo digno de ser seu escravo.         “João batiza e Jesus aproxima-se. Talvez, reflete S. Gregório de Nazianzo, p…

Reflexão do Evangelho do dia 12 de Janeiro de 2013

Sábado – 12 de janeiro Jo 3, 22-30: Último testemunho de João Batista             As atividades de Jesus desenrolavam-se na região da Judeia, lugar de mananciais, talvez, não distante do rio Jordão. Após os ensinamentos, ministrados a Nicodemos a respeito do batismo, Jesus percorre a região, seguido pelos discípulos, batizando. Na mesma ocasião, João, que “não tinha ainda sido encarcerado”, batiza com água. Seus discípulos discutem com um judeu a respeito dos ritos de “purificação”, correspondente ao batismo em termos judaicos. Todos tinham diante de si, as palavras dos profetas que falavam da purificação pelo “espírito” e mesmo pelo fogo. A discussão se torna acalorada, a ponto de os discípulos de João lhe perguntarem quem é que batizava legitimamente, Jesus ou ele? Em quem acreditar? O embate é providencial. Ele propicia o testemunho final e decisivo do Precursor sobre Jesus. Ele não protesta, canta o “Nunc Dimittis”, “deixa agora seu servo ir em paz”, palavras do velho Simeão, pronun…

Reflexão do Evangelho do dia 11 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 11 de janeiro Lc 5, 12-16: Cura de um leproso
            Um leproso se aproxima de Jesus e suplica: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. Tais palavras, embora cheias de fé, levantam a questão: O leproso, pode ele colocar toda sua confiança em Jesus? Na certeza de que ele é capaz de aliviá-los das aflições e doenças, os discípulos depositam no coração do Senhor suas preocupações. Mas, agora, lá está um leproso. A lepra era considerada, pela Lei Mosaica, uma doença sujeita à excomunhão, de modo que quem a contraísse seria excluído do convívio da comunidade. Por isso, após ser constatada a cura, exigia-se a purificação propriamente dita. Ao milagre da cura da lepra, sinal dos tempos messiânicos, liga-se a purificação. Apesar de tantas restrições e normas, o leproso não evita o Mestre e dele se aproxima. Sereno, Jesus não se afasta, acolhe-o. Sua pureza interior não é jamais atingida. A cena é tocante, levando os Apóstolos à admiração e ao enlevo espiritual. De …

Reflexão do Evangelho do dia 10 de Janeiro de 2013

Quinta-feira – 10 de janeiro Lc 4, 14-22 (23-28): Jesus em Nazaré             Jesus encontra-se na sinagoga de sua cidade. Os habitantes de Nazaré estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar a respeito dos seus ensinamentos e dos milagres realizados por ele. A curiosidade era grande. Pensavam e discutiam entre si quais seriam os sinais que ele faria em sua própria terra. Conforme costume judaico, uma passagem do profeta Isaías lhe é dado para ler. Orígenes diz ter sido “a escolha providencial, pois o texto proclama o início da era messiânica da salvação em Jesus”. Refere-se ao Messias como Deus e homem. Escreve S. Cirilo de Alexandria: “Era necessário que ele se manifestasse aos israelitas e que o mistério da encarnação resplandecesse para os que não o reconheciam”. Citando o profeta, Jesus declara-se Deus, nascido homem, para salvar o mundo. Todos não deixavam de fixá-lo. Mas com que olhar o vêem? Ao se dirigir aos fiéis, Orígenes observa que “não gostaria que seus …

Reflexão do evangelho do dia 09 de Janeiro de 2013

Quarta-feira – 09 de janeiro Mc 6, 45-52: Jesus caminha sobre as águas             Após despedir o povo e enviar os discípulos para a outra margem do lago, “Jesus subiu ao monte, a fim de orar”. Exclama S. João Crisóstomo: “No momento da prece, quão benéfica é a solidão!” Aquietam-se todas as preocupações e agitações. Ouve-se o silêncio da voz do Pai em diálogo com o Filho Jesus. “Ao escurecer, Jesus se dirige aos discípulos, caminhando sobre o mar”. Início de uma Epifania. Em meio às águas encapeladas, “por causa do forte vento que soprava”, manifesta-se o domínio absoluto do Senhor. Revela-se aos Apóstolos o mistério escondido a todos os demais.               Vindo sobre as águas, Jesus faz menção de passar adiante, como o fez com os discípulos em Emaús. Provocação para despertá-los à responsabilidade da liberdade, pois Deus é aquele que passa. Assim se deu na primeira Páscoa do Egito ou nas grandes visões de Moisés ou de Elias. Também agora com a sua vinda entre os homens. Por isso, d…

Reflexão do Evangelho do dia 08 de Janeiro de 2013

Terça-feira – 08 de janeiro Mc 6, 34-44: Multiplicação dos pães (primeira) Logo após ter recebido a notícia da morte de João Batista, Jesus se retira para um lugar solitário. S. Jerônimo observa que “ele o faz não por temer a morte, mas para impedir que os seus inimigos acrescentem um homicídio a outro ou para estender o momento de sua morte até à Páscoa”. Segundo S. João Crisóstomo, Jesus se retira “por não desejar que a sua identidade fosse desde já conhecida”. Mas a multidão não o abandona, segue-o onde quer que ele esteja. Talvez, movida por curiosidade ou por gratidão pelos benefícios recebidos. Ao vê-la, Jesus “teve compaixão dela” e, percebendo que ela está faminta, pergunta a Felipe: “Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?” Ele bem sabia, diz o Evangelho, o que havia de fazer. Àquela multidão de cinco mil pessoas ele vai manifestar a generosidade e a ternura do seu coração. Ela e os Apóstolos irão constatar que quando Deus dá, ele o faz com abundância. De …

Reflexão do Evangelho do dia 07 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 07 de janeiro Mt 4, 12-17. 23-25: Retorno à Galileia             Solenemente, o Evangelista anuncia o início da obra messiânica com a pregação de Jesus em Cafarnaum. O fato de Jesus ir aos confins de Zabulon e Neftali caracteriza, segundo o profeta Isaías, uma missão de luz e de paz, própria da era messiânica. Jesus anuncia a presença do Reino de Deus entre os homens. Mais especificamente, ele mostra que o Reino de Deus é a nova Aliança, fundada no amor de Deus oferecido à nossa liberdade. Convite à abertura sem reserva ao gratuito de Deus. Mas há uma contrapartida dos discípulos.  Exige-se deles, como imperativo fundamental, o compromisso de praticar o amor, mesmo em relação aos próprios inimigos. Logo no início, para segui-lo, Jesus escolhe, dentre os pescadores da Galiléia, doze Apóstolos. S. João Crisóstomo descreve-os como “pessoas de humilde condição, consideradas nada diante do mundo, mas destinadas a conquistá-lo não com a sabedoria da palavra elaborada, mas com …

Reflexão do Evangelho do dia 06 de Janeiro de 2013

Domingo - 06 de janeiro Mt 2, 1-12 – Epifania do Senhor
            Os pastores e os reis magos são os primeiros a reconhecer Cristo como Rei e Senhor. Ao redor do presépio, reúnem-se os simples e os sábios, os pobres e os ricos com sua generosidade, o pequeno povo de Israel e os primeiros pagãos, numa perspectiva “católica”: É a Epifania, epipháneia,  manifestação de Jesus ao mundo.  Passando por Jerusalém, os “magos” interrogam Herodes sobre o local do nascimento do “rei dos judeus”. A notícia provoca comoção geral. Em Herodes assume a forma de ansiedade, pois ele já havia matado dois de seus filhos e estava prestes a matar o primogênito, Antípater, temendo que eles quisessem arrebatar-lhe o poder. Mas os magos o procuram por terem visto “sair a estrela do recém-nascido”, o que sugere aos ouvintes judeus a promessa feita a Abraão de que seus descendentes seriam como as estrelas do céu. Um desses descendentes era visto como sendo o futuro Messias (Nm 24,17). O local do nascimento, indic…

Reflexão do Evangelho do dia 05 de Janeiro de 2013

Sábado – 05 de janeiro Jo 1, 43-51 – Encontro com Natanael
Natanael é considerado por Jesus como um verdadeiro israelita, um homem “sem duplicidade”. Nele “não há artifícios”. Ele não é uma pessoa entregue ao fingimento e à mentira.  A declaração de Jesus expressa a pureza do coração e o dom sem reserva de Natanael. Faz-nos recordar o mandamento do Senhor: “amar a Deus, sem reserva, de todo o coração”. O contrário seria ter um “coração duplo” ou não ser alguém inteiramente de Deus. Pois alimentar a duplicidade em seu agir implicaria estar em desobediência a Deus.  A saudação a Natanael: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento” reflete o conhecimento profético de Jesus. Surpreso, Natanael pergunta: “De onde me conheces?” Buscando tranquilizá-lo, Jesus lhe diz: “Antes que Felipe te chamasse, quando estavas sob a figueira, eu te vi”. Diante de tais palavras, Natanael prostra-se, exclamando: “Rabi, tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel”. Jesus poderia estar recordando a …

Reflexão do Evangelho do dia 04 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 4 de janeiro Jo 1, 35-42:  Vocação dos primeiros discípulos “No dia seguinte, João se achava lá, de novo, com dois de seus discípulos”. De modo solene e simples, o autor retrata João Batista, de pé, que olha com respeito e ternura para Jesus. O Mestre passa e “vai mais longe” e os dois discípulos, deixando tudo, seguem-no.  Emprega-se, de novo, o verbo “blepo” (ver) reforçado pelo prefixo “en”, para expressar um olhar atento e penetrante, como quando se quer identificar a verdade de uma pessoa.  Logo após, o mesmo verbo será utilizado por Jesus ao chamar Simão Pedro: “Fitando-o, disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas’”. A atração divina começa a manifestar o seu poder. O discípulo amado revive, sob um véu de nostalgia, a cena do seu primeiro encontro com Jesus.  Duas características podem ser assinaladas. Primeiramente, o emprego do verbo ver, no sentido não só corporal, mas, sobretudo, interior e espiritual. Escreve S. Agostinho: “Que dia mais feliz, q…