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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Reflexão do Evangelho do dia 29 de Janeiro de 2013

Terça-feira – 29 de janeiro Mc 3, 31-35 - Os verdadeiros parentes de Jesus             O amor e o respeito de Jesus para com sua mãe e parentes são inquestionáveis. Maria e seus irmãos desejam vê-lo, mas a multidão que o rodeava era grande e eles não conseguem chegar até ele. Os discípulos notam a presença deles e avisam Jesus. Sem desprezar seus parentes, ele aproveita a ocasião para conduzir seus ouvintes ao essencial da sua missão: seu relacionamento com o Pai celestial. Por isso, elevando a voz, ele dirige-se a todos e fala-lhes da filiação divina. É a filiação espiritual, pertença à família de Deus, da qual se participa pela fé. Maria não a desconhece. Já no milagre das bodas de Caná, contempla-se sua atitude confiante, pois situando-se na ordem da fé, ela diz aos serventes: “Façam tudo o que Ele mandar”. S. Agostinho, meditando sobre essa passagem, exclama: “A nobreza do nascido se manifestou na virgindade da mãe, e a nobreza da mãe na divindade do nascido”.         Jes

Reflexão do Evangelho do dia 28 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 28 de janeiro Mc 3, 22-30: Jesus e Beelzebu (calúnias dos fariseus)                         O Senhor assegura-nos a sua proteção espiritual. Os milagres realizados por ele ultrapassam o poder do homem, levando à conclusão: ou se acredita em Jesus como “vindo de Deus” e esta é a compreensão de Nicodemos, do cego de nascença e de todos os que reconhecem nele o Messias esperado. Ou afirma-se que “’Beelzebu está nele’, e também: ‘é pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios’”. Acusações levantadas pelos escribas, que “haviam descido de Jerusalém”.             O título Beelzebu liga-se a textos antigos e designa o primeiro entre os inimigos de Deus, pois os deuses pagãos eram considerados como demônios. Por estar à frente e governar as forças do mal, ele é denominado o príncipe deles, constituindo um Reino em oposição ao Reino de Deus. Daí as palavras de Jesus: “Todo reino dividido contra si mesmo não poderá subsistir”. As acusações dos escribas e faris

Reflexão do Evangelho do dia 27 de Janeiro de 2013

Domingo – 27 de janeiro Lc 1,1-4; 4, 14-21: Jesus em Nazaré                         Jesus encontra-se na sinagoga de sua cidade. Os habitantes de Nazaré estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar a respeito dos seus ensinamentos e dos milagres realizados por ele. A curiosidade era grande. Pensavam e discutiam entre si quais seriam os sinais que ele faria em sua própria terra. Conforme costume judaico, uma passagem do profeta Isaías lhe é dado para ler. Orígenes diz ter sido “a escolha providencial, pois o texto proclama o início da era messiânica da salvação em Jesus”. Refere-se ao Messias como Deus e homem. Escreve S. Cirilo de Alexandria: “Era necessário que ele se manifestasse aos israelitas e que o mistério da encarnação resplandecesse para os que não o reconheciam”. Citando o profeta, Jesus declara-se Deus, nascido homem, para salvar o mundo. Todos não deixavam de fixá-lo. Mas com que olhar o vêem? Ao se dirigir aos fiéis, Orígenes observa que “não gos

Reflexão do Evangelho do dia 26 de Janeiro de 2013

Sábado – 26 de janeiro Lc 10, 1-9 – missão dos setenta e dois Ao enviar os setenta e dois dos seus discípulos à missão, Jesus lhes apresenta o Reino de Deus como uma grande messe. A abrangência da missão é universal. Ela visa não só o povo de Israel, mas também os demais povos e nações. O objetivo é semear a Palavra de Deus no coração de todo ser humano. Colocado, justamente, no início da subida de Jesus a Jerusalém, esse episódio caracteriza a ação formadora do Senhor, no desejo de transmitir aos seus discípulos o fervor e o ardor missionários. Eles são seus continuadores. Do Senhor eles recebem a inspiração e a força para tornar a Igreja presente por toda parte, em sua intenção “católica”. Embora tal fato fosse se concretizar só após Pentecostes, já agora, na vida pública de Jesus, pode-se entrever a futura missão universal dos Apóstolos. Com efeito, observa Orígenes: “Não só os Doze Apóstolos pregaram a fé em Cristo, mas o Evangelho nos diz que outros setenta foram enviado

Reflexão do Evangelho do dia 25 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 25 de janeiro Mc 16, 15-18 – Festa da conversão de S. Paulo          O Novo Testamento narra a vocação do Apóstolo S. Paulo, no momento de sua conversão, às portas da cidade de Damasco. A graça divina, que agiu ao longo de sua vida, tem nesse momento seu ponto culminante. Discípulo de Gamaliel, célebre fariseu, perseguidor da jovem Igreja, Paulo inesperadamente se converte e se torna o grande missionário do Evangelho. Seu chamado é por ele interpretado como dom gratuito do Senhor, não resultante dos seus trabalhos e obras, mas fruto do amor e da benevolência divina. Ele fala da ação amorosa de Deus e a descreve presente em sua vida desde o seio materno (Gal 1,15). Em meio aos Apóstolos, a figura de Paulo se eleva vigorosa, em sua atuação, e firme, em suas convicções, sem demonstrar qualquer temor ao que poderia resultar de sua conversão. De fato, a experiência de Damasco marca-o profundamente. É encontro com Cristo, momento em que a graça divina, poderosa e suave,

Reflexão do Evangelho do dia 24 de Janeiro de 2013

Quinta-feira – 24 de janeiro Mc 3, 7-12: As multidões seguem Jesus                         Por onde Jesus passava, as multidões acorriam para ouvi-lo e ver as obras que realizava. O poder de sua mensagem é impressionante. A sua palavra alimentava os que tinham fome de Deus e curava os que buscavam libertar-se de seus males. Movidos pela fé, muitos se achegavam a Jesus para tocá-lo e, pelo poder que dele provinha, eram curados e perdoados de seus pecados. Em sua presença, até os demônios tremiam e reconheciam sua verdadeira identidade, declarando: “Tu és o Filho de Deus”.               No entanto, S. Agostinho não deixa de observar: “Muito melhor que estar com o Senhor é ter fé nele”. Não basta estar em meio àquela multidão, pois “a fé é mais forte que tocá-lo com a mão. Se pensas que Cristo é só homem, tu o tocas, na terra, com as mãos, mas se tu crês que Cristo é o Senhor e igual ao Pai, então tu o tocas, na glória do céu”. A fé permite-nos alçar voo, ultrapassando-nos, e al

Reflexão do Evangelho do dia 23 de Janeiro de 2013

Quarta-feira – 23 de janeiro Mc 3, 1-6: Cura do homem com mão atrofiada                         A cena da cura de um homem com mão atrofiada se passa numa sinagoga, em dia de sábado. Lá está Jesus, observado atentamente pelos escribas e fariseus, que desejavam “ver se ele curaria no sábado, para assim encontrarem algo com que o acusar”. Buscam motivos para justificar a condenação de Jesus, fato já consumado em seus corações. Guardando sempre a serenidade e sem se preocupar com os olhares maldosos dos que o cercavam, Jesus pede ao homem que venha para o meio da assembleia. Tenso, o homem aproxima-se e permanece de pé, diante do divino Mestre. É sábado, mas Jesus, sem tergiversar, num gesto de afrontamento, realiza o milagre. Como era costume seu, ele não condena seus inimigos, mas, desejando levá-los à conversão, questiona-os. Pergunta-lhes se é permitido, em dia de sábado, fazer o bem ou o mal, salvar sua vida ou arruiná-la. O silêncio dos fariseus prova sua obstinação. Não per

Reflexão do Evangelho do dia 22 de Janeiro de 2013

Terça-feira - 22 de janeiro Mc 2, 23-28: Colheita das espigas             “Jesus proclama o sábado da graça e da ressurreição eterna, e não o da Lei”, escreve S. Ambrósio. De fato, o “descanso sabático” era um tempo especial para recordar e celebrar a bondade de Deus e a de sua obra, a criação e a redenção. Dia colocado à parte para a oração. No entanto, em dia de sábado, os discípulos, com fome, arrancam espigas para comer, debulhando-as. Os escribas e fariseus ficam escandalizados. Não porque apanhavam as espigas, o que era permitido por lei, mas por o fazerem no sábado. Os evangelistas aproveitam esse episódio da vida de Jesus para revelar seu ser e sua missão.             O serviço do Templo pode dispensar os sacerdotes das exigências do Sábado. Exclama S. Hilário de Poitiers, “Jesus, é ele mesmo o Templo”. Portanto, com muito mais razão, os discípulos a serviço do Filho do Homem sentem-se dispensados de tais obrigações. Não se nega o valor do sábado. Ele continua assinal

Reflexão do Evangelho do dia 21 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 21 de janeiro Mc 2, 18-22: Discurso sobre o jejum             Em seu fervor, os discípulos de João e os fariseus multiplicam jejuns e orações. Os profetas, porém, insistiam menos sobre a severidade do jejum e muito mais sobre a conduta justa e caritativa para com o próximo. Lançam um apelo à misericórdia e à bondade. Realidade plena na pessoa de Jesus Cristo.             À pergunta dos fariseus sobre a razão por que “os seus discípulos não jejuam”, Jesus atribui-se as palavras das Escrituras que descreviam o Messias como o esposo. “Podem os amigos do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles?” Eles não são obrigados a jejuar. “Este fato demonstra, comenta S. Hilário, a alegria dos discípulos com a presença de Jesus”. Se as núpcias só se realizarão definitivamente no fim dos tempos, como se conclui da parábola do banquete e das virgens prudentes, antes, porém, do evento escatológico, o Esposo já veio, por um tempo. É a atual presença de Jesus, que se estende

Reflexão do Evangelho do dia 20 de Janeiro de 2013

Domingo – 20 de janeiro Jo 2, 1-11: Bodas de Caná                                                 Jesus, Maria e os discípulos encontravam-se, como convidados, nas bodas de Caná, festa que costumava durar normalmente sete dias. Durante as comemorações, o vinho, bebida comum naquele tempo, vem a faltar. Ao vinho se liga o simbolismo da amizade, do amor e da alegria. A Bíblia eleva-o ao nível religioso. Eis que, em meio à festa, não há mais vinho para oferecer aos convidados. Seus organizadores entreolham-se, mostram-se preocupados e constrangidos. O fato é notado por Maria, a Mãe de Jesus, o qual não tinha realizado, ainda, nenhum milagre. Sentindo o embaraço deles, ela vai ao seu filho e suas palavras soam como um apelo, discreto, porém, bastante tocante. Diz ela a Jesus: “Eles não têm vinho”.             A resposta de Jesus, literalmente, “o que há entre mim e ti”, longe de significar uma ruptura, tem um sentido religioso e, mesmo, místico.  Naquele instante, com esta expres

Reflexão do Evangelho do dia 19 de Janeiro de 2013

Sábado – 19 de janeiro Mc 2, 13-17 -  Vocação de Mateus                         Jesus se encontra em Cafarnaum, cidade buliçosa, situada na rota de Damasco. Razão da presença aí de aduanas e dos respectivos cobradores de impostos. São os publicanos (telovai), dentre os quais se encontra Mateus, nome hebraico, provavelmente abreviação de Matatías, que significa “dom de Deus”. Jesus o chama. Na vocação de Mateus, a Tradição patrística e a literatura ascética destacam dois aspectos fundamentais: o apelo gratuito e eficaz do Senhor e a resposta pronta e incondicional de Mateus. A primeira revela a bondade e o poder do Mestre, a segunda aponta para a acolhida e disponibilidade do Apóstolo. Jesus, segundo S. Beda o venerável, “viu mais com os olhos interiores do seu amor do que com os olhos corporais. Jesus viu o publicano e, porque o amou, o escolheu, e lhe disse: Segue-me, isto é, imita-me. Ele o segue, menos com seus passos, mas muito mais com seu modo de agir, pois quem está em C

Reflexão do Evangelho do dia 18 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 18 de janeiro Mc 2, 1-12:  Cura do paralítico e perdão dos pecados             Em peregrinação, Jesus chega à sua cidade, onde lhe “trouxeram um paralítico, deitado num catre”, para que fosse curado. Escreve S. Hilário de Poitiers: “É necessário examinar atentamente as palavras da cura. Ao paralítico não é dito imediatamente: sê curado, ou ainda, levanta-te e caminha, mas: ‘tem ânimo, meu filho; os teus pecados te são perdoados’”. Esta cena reflete o carinho de Jesus por aquele homem e por todas as pessoas que, na dor e na angústia, se abrem à liberdade de um amor profundo e gracioso. Amor que não é simplesmente uma norma, mas vigor interior de uma vida voltada à gratuidade da presença de Deus. Por isso, ao ler a fé que o paralítico depositava nele, Jesus lhe concede a remissão dos pecados para, em um segundo momento, manifestar o seu poder, curando-o. Com a mesma “majestade e poder com que Ele conhece os nossos pensamentos, Ele perdoa os nossos pecados” (S. Jerôn

Reflexão do Evangelho do dia 17 de Janeiro de 2013

Quinta-feira – 17 de janeiro Mc 1, 40-45: Cura de um leproso         Um leproso se aproxima de Jesus e suplica: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. Mas pode o leproso colocar toda sua confiança em Jesus? Os discípulos respondem afirmativamente. Na certeza de que ele é capaz de aliviá-los das aflições e doenças, eles depositam no coração do Senhor todas as preocupações. Porém, agora, lá está um leproso. Pela Lei mosaica, a lepra era considerada uma doença passível de excomunhão. Quem a contraísse seria excluído do convívio comunitário e se, por acaso, alguém fosse curado, ele devia submeter-se ao rito de purificação. Por isso, ao milagre da cura de um leproso sinal dos tempos messiânicos, liga-se a purificação.                                     Apesar de tantas restrições e normas, o leproso não hesita. Aproxima-se do Metre, que, sereno, não se afasta, acolhe-o. A pureza interior de Jesus é intocável. A cena comove os Apóstolos, levando-os  à admiração e ao en

Reflexão do Evangelho do dia 16 de Janeiro de 2013

Quarta-feira – 16 de janeiro Mc 1, 29-39: A cura da sogra de Pedro                         Estando a sogra do Apóstolo S. Pedro doente, Jesus entra em sua casa e dela se aproxima. O médico misericordioso toma a iniciativa. Vai ao encontro da doente e a levanta, tomando-a pela mão. Ao toque de Jesus a febre se afasta. S. Jerônimo exclama: “Que o Senhor toque também nossa mão, para que sejam purificadas nossas obras, que Ele entre em nossa casa, para que nos levantemos para servir”. De fato, o Evangelho narra que, ao entardecer, a sogra de Pedro, já curada, os servia. Os Santos Padres, a partir deste milagre, exortam a comunidade cristã a estender a mão ao que está caído para levantá-lo, comunicando-lhe novo ânimo. Estender a mão é ir ao que está aflito e angustiado ou acorrentado às realidades materiais e comunicar-lhe a Boa-Nova do Evangelho, a fim de que ele possa, pelo sacramento da confissão, especialmente pela Eucaristia, receber “o fogo do amor divino na sua alma e no

Reflexão do Evangelho do dia 14 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 14 de janeiro Mc 1, 14-20: Jesus inaugura sua pregação                         Ao chamar seus primeiros discípulos, Jesus inicia a sua missão com um forte apelo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A conversão supõe passagem de um modo de vida e de pensar para outro mais fundamental e verdadeiro. Para Jesus, converter-se é voltar-se para o Pai, fonte de vida. É sintonizar-se com Ele e viver segundo seus desígnios. O próprio termo ”converter” sugere a ideia de colocar-se de acordo com a vertente da vida, de tal modo que quem dela se desliga corre o risco de deixar secar a água viva, comunicada por ela. E a vertente é o próprio Deus, único capaz de dessedentar-nos, graças, principalmente, à Boa-Nova do Evangelho, anunciado por Jesus.  S. Jerônimo dirá: “O reino de Deus só se abriu, após a vinda daquele que disse: ‘O reino de Deus está dentro de vós’”.             Na Galileia, Jesus anuncia que o tempo assinalado para o estabelecimento do Reino tinha chegado e

Reflexão do Evangelho do dia 13 de Janeiro de 2013

Domingo – 13 de janeiro S. Lc 3, 15-16.21-22: Batismo de Jesus                                                 Nas vésperas e no início da era cristã, grande era a expectativa da vinda do Messias. O povo discutia e refletia, em seu coração, as profecias que falavam do Enviado de Deus. Por ocasião da Anunciação, a mesma atitude interior animava o coração da Virgem Maria. Humilde, ela hesita em se reconhecer naquela que o Anjo saúda com o nome de “cheia de graça”. Agora, a multidão, que buscava o batismo de João Batista, interroga-se: Não é ele, porventura, o Messias esperado? O próprio João Batista afasta toda dúvida, ao declarar: “Aquele que vem após mim me precedeu porque antes de mim ele era”. Alusão à preexistência de Jesus, o Verbo de Deus encarnado, eterno e transcendente. Em sua franqueza e humildade, João confessa não ser digno de desatar a correia das suas sandálias. Em outras palavras, ele não é nem mesmo digno de ser seu escravo.         “João batiza e Jesus aproxim

Reflexão do Evangelho do dia 12 de Janeiro de 2013

Sábado – 12 de janeiro Jo 3, 22-30: Último testemunho de João Batista                         As atividades de Jesus desenrolavam-se na região da Judeia, lugar de mananciais, talvez, não distante do rio Jordão. Após os ensinamentos, ministrados a Nicodemos a respeito do batismo, Jesus percorre a região, seguido pelos discípulos, batizando. Na mesma ocasião, João, que “não tinha ainda sido encarcerado”, batiza com água. Seus discípulos discutem com um judeu a respeito dos ritos de “purificação”, correspondente ao batismo em termos judaicos. Todos tinham diante de si, as palavras dos profetas que falavam da purificação pelo “espírito” e mesmo pelo fogo. A discussão se torna acalorada, a ponto de os discípulos de João lhe perguntarem quem é que batizava legitimamente, Jesus ou ele? Em quem acreditar? O embate é providencial. Ele propicia o testemunho final e decisivo do Precursor sobre Jesus. Ele não protesta, canta o “Nunc Dimittis”, “deixa agora seu servo ir em paz”, palavras do

Reflexão do Evangelho do dia 11 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 11 de janeiro Lc 5, 12-16: Cura de um leproso             Um leproso se aproxima de Jesus e suplica: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. Tais palavras, embora cheias de fé, levantam a questão: O leproso, pode ele colocar toda sua confiança em Jesus? Na certeza de que ele é capaz de aliviá-los das aflições e doenças, os discípulos depositam no coração do Senhor suas preocupações. Mas, agora, lá está um leproso. A lepra era considerada, pela Lei Mosaica, uma doença sujeita à excomunhão, de modo que quem a contraísse seria excluído do convívio da comunidade. Por isso, após ser constatada a cura, exigia-se a purificação propriamente dita. Ao milagre da cura da lepra, sinal dos tempos messiânicos, liga-se a purificação. Apesar de tantas restrições e normas, o leproso não evita o Mestre e dele se aproxima. Sereno, Jesus não se afasta, acolhe-o. Sua pureza interior não é jamais atingida. A cena é tocante, levando os Apóstolos à admiração e ao enlevo espiri

Reflexão do Evangelho do dia 10 de Janeiro de 2013

Quinta-feira – 10 de janeiro Lc 4, 14-22 (23-28): Jesus em Nazaré                         Jesus encontra-se na sinagoga de sua cidade. Os habitantes de Nazaré estão atentos às suas palavras, pois muitos tinham ouvido falar a respeito dos seus ensinamentos e dos milagres realizados por ele. A curiosidade era grande. Pensavam e discutiam entre si quais seriam os sinais que ele faria em sua própria terra. Conforme costume judaico, uma passagem do profeta Isaías lhe é dado para ler. Orígenes diz ter sido “a escolha providencial, pois o texto proclama o início da era messiânica da salvação em Jesus”. Refere-se ao Messias como Deus e homem. Escreve S. Cirilo de Alexandria: “Era necessário que ele se manifestasse aos israelitas e que o mistério da encarnação resplandecesse para os que não o reconheciam”. Citando o profeta, Jesus declara-se Deus, nascido homem, para salvar o mundo. Todos não deixavam de fixá-lo. Mas com que olhar o vêem? Ao se dirigir aos fiéis, Orígenes observa que “n

Reflexão do evangelho do dia 09 de Janeiro de 2013

Quarta-feira – 09 de janeiro Mc 6, 45-52: Jesus caminha sobre as águas                         Após despedir o povo e enviar os discípulos para a outra margem do lago, “Jesus subiu ao monte, a fim de orar”. Exclama S. João Crisóstomo: “No momento da prece, quão benéfica é a solidão!” Aquietam-se todas as preocupações e agitações. Ouve-se o silêncio da voz do Pai em diálogo com o Filho Jesus. “Ao escurecer, Jesus se dirige aos discípulos, caminhando sobre o mar”. Início de uma Epifania. Em meio às águas encapeladas, “por causa do forte vento que soprava”, manifesta-se o domínio absoluto do Senhor. Revela-se aos Apóstolos o mistério escondido a todos os demais.               Vindo sobre as águas, Jesus faz menção de passar adiante, como o fez com os discípulos em Emaús. Provocação para despertá-los à responsabilidade da liberdade, pois Deus é aquele que passa. Assim se deu na primeira Páscoa do Egito ou nas grandes visões de Moisés ou de Elias. Também agora com a sua vinda entr

Reflexão do Evangelho do dia 08 de Janeiro de 2013

Terça-feira – 08 de janeiro Mc 6, 34-44: Multiplicação dos pães (primeira)             Logo após ter recebido a notícia da morte de João Batista, Jesus se retira para um lugar solitário. S. Jerônimo observa que “ele o faz não por temer a morte, mas para impedir que os seus inimigos acrescentem um homicídio a outro ou para estender o momento de sua morte até à Páscoa”. Segundo S. João Crisóstomo, Jesus se retira “por não desejar que a sua identidade fosse desde já conhecida”. Mas a multidão não o abandona, segue-o onde quer que ele esteja. Talvez, movida por curiosidade ou por gratidão pelos benefícios recebidos. Ao vê-la, Jesus “teve compaixão dela” e, percebendo que ela está faminta, pergunta a Felipe: “Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?” Ele bem sabia, diz o Evangelho, o que havia de fazer. Àquela multidão de cinco mil pessoas ele vai manifestar a generosidade e a ternura do seu coração. Ela e os Apóstolos irão constatar que quando Deus dá, ele o fa

Reflexão do Evangelho do dia 07 de Janeiro de 2013

Segunda-feira – 07 de janeiro Mt 4, 12-17. 23-25: Retorno à Galileia                         Solenemente, o Evangelista anuncia o início da obra messiânica com a pregação de Jesus em Cafarnaum. O fato de Jesus ir aos confins de Zabulon e Neftali caracteriza, segundo o profeta Isaías, uma missão de luz e de paz, própria da era messiânica. Jesus anuncia a presença do Reino de Deus entre os homens. Mais especificamente, ele mostra que o Reino de Deus é a nova Aliança, fundada no amor de Deus oferecido à nossa liberdade. Convite à abertura sem reserva ao gratuito de Deus. Mas há uma contrapartida dos discípulos.  Exige-se deles, como imperativo fundamental, o compromisso de praticar o amor, mesmo em relação aos próprios inimigos. Logo no início, para segui-lo, Jesus escolhe, dentre os pescadores da Galiléia, doze Apóstolos. S. João Crisóstomo descreve-os como “pessoas de humilde condição, consideradas nada diante do mundo, mas destinadas a conquistá-lo não com a sabedoria da pala

Reflexão do Evangelho do dia 06 de Janeiro de 2013

Domingo - 06 de janeiro Mt 2, 1-12 – Epifania do Senhor             Os pastores e os reis magos são os primeiros a reconhecer Cristo como Rei e Senhor. Ao redor do presépio, reúnem-se os simples e os sábios, os pobres e os ricos com sua generosidade, o pequeno povo de Israel e os primeiros pagãos, numa perspectiva “católica”: É a Epifania, epipháneia,  manifestação de Jesus ao mundo.  Passando por Jerusalém, os “magos” interrogam Herodes sobre o local do nascimento do “rei dos judeus”. A notícia provoca comoção geral. Em Herodes assume a forma de ansiedade, pois ele já havia matado dois de seus filhos e estava prestes a matar o primogênito, Antípater, temendo que eles quisessem arrebatar-lhe o poder. Mas os magos o procuram por terem visto “sair a estrela do recém-nascido”, o que sugere aos ouvintes judeus a promessa feita a Abraão de que seus descendentes seriam como as estrelas do céu. Um desses descendentes era visto como sendo o futuro Messias (Nm 24,17). O local do nasci

Reflexão do Evangelho do dia 05 de Janeiro de 2013

Sábado – 05 de janeiro Jo 1, 43-51 – Encontro com Natanael Natanael é considerado por Jesus como um verdadeiro israelita, um homem “sem duplicidade”. Nele “não há artifícios”. Ele não é uma pessoa entregue ao fingimento e à mentira.  A declaração de Jesus expressa a pureza do coração e o dom sem reserva de Natanael. Faz-nos recordar o mandamento do Senhor: “amar a Deus, sem reserva, de todo o coração”. O contrário seria ter um “coração duplo” ou não ser alguém inteiramente de Deus. Pois alimentar a duplicidade em seu agir implicaria estar em desobediência a Deus.  A saudação a Natanael: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento” reflete o conhecimento profético de Jesus. Surpreso, Natanael pergunta: “De onde me conheces?” Buscando tranquilizá-lo, Jesus lhe diz: “Antes que Felipe te chamasse, quando estavas sob a figueira, eu te vi”. Diante de tais palavras, Natanael prostra-se, exclamando: “Rabi, tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel”. Jesus poderia estar re

Reflexão do Evangelho do dia 04 de Janeiro de 2013

Sexta-feira – 4 de janeiro Jo 1, 35-42:  Vocação dos primeiros discípulos             “No dia seguinte, João se achava lá, de novo, com dois de seus discípulos”. De modo solene e simples, o autor retrata João Batista, de pé, que olha com respeito e ternura para Jesus. O Mestre passa e “vai mais longe” e os dois discípulos, deixando tudo, seguem-no.  Emprega-se, de novo, o verbo “blepo” (ver) reforçado pelo prefixo “en”, para expressar um olhar atento e penetrante, como quando se quer identificar a verdade de uma pessoa.  Logo após, o mesmo verbo será utilizado por Jesus ao chamar Simão Pedro: “Fitando-o, disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas’”. A atração divina começa a manifestar o seu poder. O discípulo amado revive, sob um véu de nostalgia, a cena do seu primeiro encontro com Jesus.  Duas características podem ser assinaladas. Primeiramente, o emprego do verbo ver, no sentido não só corporal, mas, sobretudo, interior e espiritual. Escreve S. Agostinho: