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Reflexão do Evangelho de Segunda-feira – 10 de Março

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira – 10 de Março Mt 25, 31-46:  O último julgamento                         A figura do Messias se destaca da visão profética de Israel e de seu reino, e apresenta-se como a do “Filho do homem”, título não empregado em seu tempo. A passagem de Mateus refere-se ao texto bíblico de Daniel, 7, que traça, no interior de um quadro obscuro, a vinda do senhor do mundo na imagem de um “ancião dos dias”, “a quem foram dados a dominação, a glória e o reino, e todos os povos, nações e línguas devem servi-lo. O seu reinado é eterno”. Em sua primeira epístola aos Coríntios, S. Paulo diz ser o Filho do homem Jesus ressuscitado, primícias de nossa própria ressurreição (15,13ss). Assim, no fim dos tempos, tendo estabelecido sua dominação celeste sobre todo o universo, por sua ressureição e a nossa, Ele remete ao Pai o Reino, no qual o mundo a...

Reflexão do Evangelho de Domingo – 09 de Março

Reflexão do Evangelho de Domingo – 09 de Março Mt 4, 1-11: Tentação de Jesus no deserto O batismo de Jesus assinala ser Ele o verdadeiro “Ungido”, o eleito de Deus. De fato, Deus vem a nós e, no seu amor, entra em nossa história e, na pessoa de seu Filho Jesus, estabelece seu Reino de amor e de paz. Eis a missão de Jesus! Antes de iniciá-la, Ele sente necessidade de um tempo de jejum e de oração. Escreve o evangelista S. Mateus: “Ele foi conduzido pelo Espírito através do deserto durante quarenta dias, e tentado pelo demônio”.  O deserto era considerado um lugar de recolhimento e de oração, e, popularmente, era também visto como um espaço reservado ao espírito maligno. Para os monges, ele constituía o lugar de combate espiritual para poder “saborear a doçura de Deus em uma sensação de total liberdade interior”. Em humilde abandono, eles suspiravam: “acendamos em nós o fogo divino entre esforços e lágrimas”. Convite para não se deixar dominar pela ideia de um agir autônomo, s...

Reflexão do Evangelho de Sábado – 08 de Março

Reflexão do Evangelho de Sábado – 08 de Março Lc 5, 27-32 - Vocação de Mateus                   Jesus se encontra em Cafarnaum, cidade buliçosa, situada na rota de Damasco. Razão da presença aí de aduanas e dos respectivos cobradores de impostos. São os publicanos (telovai), dentre os quais se encontra Mateus, nome hebraico, provavelmente abreviação de Matatías, que significa “dom de Deus”. Jesus o chama. Na vocação de Mateus, a tradição patrística e a literatura ascética destacam dois aspectos fundamentais: o apelo gratuito e eficaz do Senhor e a resposta pronta e incondicional de Mateus. A primeira revela a bondade e o poder do Mestre, a segunda aponta para a acolhida e disponibilidade do Apóstolo. Jesus, segundo S. Beda o venerável, “viu mais com os olhos interiores do seu amor do que com os olhos corporais. Jesus viu o publicano e, porque o amou, o escolheu, e lhe disse: Segue-me, isto é, imita-me...

Reflexão do Evangelho de Sexta-feira – 07 de Março

Reflexão do Evangelho de Sexta-feira – 07 de Março Mt 9, 14-15 – Discurso sobre o jejum                             Os discípulos de João Batista e os fariseus multiplicam jejuns e orações, apesar de os profetas terem insistido menos sobre a severidade do jejum e muito mais sobre a conduta justa e caritativa para com o próximo. Em Jesus a voz dos profetas se plenifica. Embora jejue por quarenta dias, Jesus sugere uma mudança, senão um novo relacionamento com Deus e com o mundo. A prática do jejum compreende atos e atitudes que, acompanhados pela oração, servem para traduzir a humildade, o amor e a esperança do homem. O próprio Senhor, em seu jejum, declara que “o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Jejua-se não por desprezo ao alimento, considerado dom de Deus, mas para expressar sua dependência de Deus e a doação de...

Reflexão do Evangelho de Quinta-feira – 06 de Março

Reflexão do Evangelho de Quinta-feira – 06 de Março Lc 9, 22-25: Condições para seguir Jesus                   As palavras de Jesus refletem doçura e respeito à liberdade: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Sem a experiência da liberdade, o homem não se compreende e jamais será um ser responsável. Por isso, salienta S. João Crisóstomo: “Deus não força, não constrange, mas torna cada um senhor da sua livre escolha”, pois a sua missão é resgatar, na misericórdia e no amor, os corações despedaçados e a humanidade pecadora. Sem dúvida, há os que se opõem à reconciliação, levando o Mestre a intimar seus ouvintes a tomar consciência de sua liberdade positiva e escolher, de modo claro e firme. Com palavras bastante incisivas, Ele proclama: “Quem quer salvar a vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la”. Os Apóstolos e muitos ou...

Reflexão do Evangelho de Quarta-feira – 05 de Março

Reflexão do Evangelho de Quarta-feira – 05 de Março Mt 6, 1-6.16-18: A esmola em segredo                            Inicia-se com a quarta-feira de cinzas a Quaresma, que se estende até à Páscoa. Espaço de tempo dedicado, inicialmente, à preparação para o batismo, tempo de transformação e de conversão, que, mais tarde, foi assumido por toda a Igreja, despertando em nós a convicção de que o fato de se tornar cristão é um processo que compreende toda a nossa vida. O Evangelho mostra-nos como se processa esta caminhada. Já para os judeus, a oração, o jejum e a vigilância eram as colunas mestras da vida religiosa e constituíam os sinais característicos da pessoa piedosa. Porém, no tempo de Jesus, muitos os praticavam com o simples intuito de se mostrarem justos, sem um correlato interior. Era pura ostentação. Para Jesus, a verdadeira piedade é mais do que parecer bo...

Reflexão do Evangelho de Terça-feira – 04 de Março

Reflexão do Evangelho de Terça-feira – 04 de Março Mc 10, 28-31: Recompensa pelo desprendimento                   O desprendimento e a renúncia estão estreitamente ligados à prática da vida cristã.  Desde criança, somos introduzidos, por nossos pais, à prática de pequenos sacrifícios, como exercício para tornar o corpo são e forte. Pela renúncia, escreve Evágrio, “o corpo torna-se ligeiro, alegre e munido de asas”. Daí o fato de S. João Batista ser representado nos ícones com asas. Muitos outros termos, que remontam às tradições pré-cristãs, foram adotados pelos cristãos para designar a renúncia, como purificação, ascese, mortificação e domínio de si mesmo. Sem cair no estoicismo ou no maniqueísmo, a renúncia significa seguir o Senhor por ser Ele, e não os bens materiais e as paixões desordenadas, o centro da vida cristã. Renúncia ou penitência constitui a força renovadora e criativa, o dinamis...