Reflexão do Evangelho do dia 26 de Junho de 2013

Quarta-feira – 26 de junho
Mt 7, 15-20: Os falsos profetas
         
          Graças à liberdade, nossas ações não são infalivelmente determinadas e os atos imorais podem ser censurados. Apesar das causas interiores e das intenções do coração permanecerem desconhecidas ou inacessíveis ao conhecimento alheio, o aspecto visível e empírico da conduta humana é passível de censura e de condenação. A motivação última ou interior permanece desconhecida, tornando compreensíveis as palavras incisivas de Jesus: “Não julgueis para não serdes julgados”.
No entanto, o Evangelho de hoje nos diz: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes”. Na Igreja nascente há verdadeiros e falsos apóstolos, profetas ligados à Igreja e pseudoprofetas. Distingui-los, não é simples. Os pseudoprofetas demonstram fé e vida cristã, mas aparentemente. A desaprovação deles baseia-se, então, nas consequências e nos efeitos de seus atos, pois neles não há coerência entre o aspecto externo e a sua natureza interna. São como “lobos vorazes”. Observa S. Hilário de Poitiers: “Muitos que se achegam, com palavras doces e com falsa mansidão, devem ser acolhidos ou não segundo o fruto de suas obras. Cada qual se dá a conhecer, não simplesmente por suas palavras, mas por suas ações e comportamento”. O critério para identificá-los é dado pelo próprio Senhor: “Não há árvore boa que dê maus frutos, e nem árvore má que dê frutos bons”. Se suas palavras e discursos não nos fazem suspeitar de suas intenções ocultas, porém, jamais seremos enganados se olharmos para os seus frutos. Diz S. Beda: “As árvores são os homens e os frutos são suas obras”.
        Embora sejam as consequências efetivas das palavras e atos que condenam os falsos profetas, no entanto, a causa última e decisiva reside na livre decisão do homem. Não se pode assinalar como fonte ou inspiração do ato pecaminoso um elemento pertencente à natureza do homem, porque, criado por Deus, ele traz a imagem e a semelhança do Senhor. Cabe a ele assemelhar-se ou não a Cristo. Cabe a ele seguir ou não os falsos profetas, que apregoam uma religião fácil, eliminando da fé cristã a cruz e a verdadeira penitência. Movidos pelos próprios interesses, eles dizem o que os outros querem ouvir. O verdadeiro profeta, identificado pelo modo de ser e de viver, produz bons frutos. Estes anunciam Cristo a quem louvam e suplicam o que necessitam.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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