Reflexão do Evangelho - Quarta-feira, 26 de abril


Jo 3, 8-21 - Encontro com Nicodemos – Jesus, vida e luz


        

Há poucos dias, falávamos do encontro de Jesus com Nicodemos. Voltamos hoje a esse encontro. Jesus acaba de dizer que Ele é o Filho do Homem, que seria levantado, assim como “Moisés levantou a serpente no deserto”. Essas palavras mexeram numa ferida funda do coração de Nicodemos, que sonhava por uma vida nômade, pois, embora breve, o discurso de Jesus encerrava um convite perturbador: a necessidade de afastar-se dos seus esquemas individualistas e, livre de tudo, apostar em Deus. Mas não fica só nisso, as palavras que se seguem são ainda mais perturbadoras, por lhe sugerirem ouvir “a voz do vento, que sopra onde quer, você ouve o seu ruído, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai”. Atordoado, com os olhos arregalados, Nicodemos não tinha coragem de lançar-se na aventura proposta por Jesus. Podia não dar certo e ele estaria entrando num barco furado, sem futuro.
Naquele instante, o olhar tranquilo de Jesus o coloca na presença de Deus, que jamais abandonou o seu Povo; pelo contrário, Ele sempre se manifestou nos momentos mais difíceis de sua história. Dissipam-se as perturbações e, então, ele é impulsionado a ficar não voltado para baixo, preso às aparências e às obrigações formais da Lei, mas orientado para o alto, crendo no Deus das esperanças, que o assombra com seu amor e sua fidelidade.
Restava-lhe uma pergunta: “Por que devia o Filho do Homem ser elevado na cruz? ”. Ora, não é como algo trágico ou como o fim de todas as coisas, que Jesus fala da morte, mas como caminho para chegar à casa do Pai. Essa serenidade diante da morte reflete o seu amor, fonte de esperança, motivo da livre doação de sua vida ao Pai para a salvação da humanidade. Por isso, de modo maravilhoso, exclama Berdjaev: “A religião de Cristo é religião da liberdade e do amor”. Certo, o que no início parecia incompreensível a Nicodemos, passou a expressar liberdade interior; não liberdade filosófica ou política, mas liberdade diante da Lei e das múltiplas determinações casuísticas estabelecidas por eles, doutores da Lei, pelos escribas e fariseus.
Uma luz nova acendeu-se em seu coração, e ele contempla Jesus, face humana de Deus, que, em sua misericórdia, o acolhe para um novo começo, para um novo início. Bem. Nenhum pecado humano, nenhuma barreira prevalece sobre esse olhar acolhedor e amoroso de Jesus, que o envolve e lhe permite reconhecer que não há salvação a não ser na cruz, sinal do seu amor, caminho para a verdadeira paz interior. Com vibração, Nicodemos recomeça sua caminhada espiritual para a Terra Prometida, guiado pela força do Espírito divino, que lhe permite participar, desde agora, da “liberdade dos filhos de Deus”.


+Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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