Reflexão do Evangelho de Mt 19, 16-22: O jovem rico - Segunda-feira 18 de Agosto

Reflexão do Evangelho de Mt 19, 16-22: O jovem rico
Segunda-feira 18 de Agosto 

       Um jovem procura Jesus não com o intuito de segui-lo, mas de assegurar-se da salvação: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?” A pergunta sugere a ideia de ele julgar ser possível alcançar a salvação, mediante suas obras. Convidando-o a passar de uma visão cultual e legalista a uma visão moral-espiritual, Jesus lhe diz: “Por que me perguntas sobre o que é bom? O Bom é um só”. Ninguém é bom, senão só Deus. A seguir, ao ouvi-lo afirmar que conhece e observa os mandamentos, após lançar um olhar de afeto por ele, o Mestre apresenta-lhe um desafio: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus”.   
       Este episódio gravita ao redor das posses de um jovem rico. Possivelmente, guiado pela ideia de que as riquezas e o sucesso terreno são sinais das bênçãos divinas, ele julgue que a porta de acesso ao céu esteja vinculada aos bens materiais. Como consequência, S. João Crisóstomo não o considera como alguém movido por más intenções ou “ser ele avaro e escravo do dinheiro”. Talvez, dominado por uma mentalidade materialista e, sendo presunçoso, estaria colocando sua confiança, prevalentemente, em si mesmo e em seus bens. Nesse sentido, ao chamar Jesus de “bom Mestre”, ele bem poderia estar refletindo a esperança de ganhar, através do agrado e do elogio, os bens eternos.
O Senhor o ouve pacientemente. E através de questões e breves sugestões, mais uma vez, busca elevar o pensamento do seu interlocutor a um ponto de vista sobrenatural. De início, Jesus pressupõe a validade do Decálogo, reforçado pelo fato de o jovem observar os mandamentos, para então mostrar-lhe o seu significado mais profundo: a verdade e o amor sem limites de Deus. O jovem pode segui-lo, como os Apóstolos, ou continuar o seu caminho, mantendo suas riquezas e posses materiais. Ele faz a sua opção e se afasta, levando S. Agostinho a exclamar: “Quanto se deve amar a vida que não terá jamais fim! Tu que amas esta vida na qual sofres e te afliges, em meio a tantas preocupações, busca a vida eterna, onde não suportarás estes sofrimentos, mas reinarás eternamente com Deus”.
       Esta passagem bíblica permite-nos distinguir os mandamentos de Deus, válidos para todos, dos conselhos evangélicos, abraçados pelos que desejam viver em radicalidade o preceito do amor a Deus e ao próximo. Aliás, desde os primeiros anos da Igreja, observa-se que a renúncia aos bens materiais não é um preceito obrigatório para todos. Obrigatório é ser livre em relação a todos os bens. Nos Atos dos Apóstolos, S. Pedro dirige-se a Ananias, que reservara para si uma parte do preço do campo, e lhe pergunta: “Por acaso não podias conservá-lo sem vendê-lo? E depois de vendido não podias dispor livremente da quantia?” (5,4). 


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

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