Reflexão do Evangelho de Mt 19, 23-30 - O perigo das riquezas - Terça-feira 19 de Agosto

Reflexão do Evangelho de Mt 19, 23-30 - O perigo das riquezas
Terça-feira 19 de Agosto

       Os Apóstolos acompanhavam o desenrolar do diálogo de Jesus com o jovem rico e viram sua reação diante das palavras misericordiosas do Senhor. S. Agostinho observa que o jovem não entendeu “que o supérfluo, que possuía, era necessário ao pobre” e por isso, apegado aos seus bens materiais, não segue mais de perto o Mestre. Jesus queria fazer dele um discípulo. Daí a pergunta de S. Pedro: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. O que é que vamos receber?” Sem recriminá-lo por sua expectativa de retribuição, Jesus confirma o que tinha dito ao jovem rico, lançando um apelo à perfeição, que consiste em estar livre para Deus. Aos ouvidos dos Apóstolos soa a máxima: “Deus só e em primeiro lugar”.   
       Diante deles, descortinam-se as muralhas de Jerusalém, mais exatamente, eles encontram-se diante de uma de suas portas, chamada de “olho (buraco) da agulha”, que dava acesso à cidade. Ela é estreita e os camelos para passarem por ela deviam se abaixar, tanto mais quanto maior a carga que transportavam ou quanto mais rico fosse o proprietário. Então, para fazê-los compreender suas palavras, Ele comenta com os discípulos ser mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Os discípulos ficam estupefatos. Sem dúvida, era difícil, mas não impossível. O mesmo diga-se de um rico para entrar no Reino de Deus. Ele é instado a abaixar-se, isto é, a doar-se e ir ao encontro do outro, atitude presente na prática das obras de misericórdia. Ademais, “para Deus nada é impossível”.
       A resposta do Senhor a Pedro, porta-voz dos discípulos, revela que a recomendação do Senhor, dada ao jovem rico, tinha sido acolhida por eles. E sem rodeios, acrescenta: “Em verdade te digo, tu deixaste tudo por causa de meu nome, na renovação de todas as coisas (palingenesia= recriação), receberás muito mais e herdarás a vida eterna”. E para consolá-lo, diz-lhe: “E receberás o cêntuplo ainda neste mundo”. S. Jerônimo interpreta estas palavras como uma referência aos “bens espirituais, cem vezes mais preciosos do que tudo o que se pode imaginar de carnal”. Para o Senhor, a renúncia aos bens terrenos não é uma condição indispensável para a salvação, mas imprescindível é servir ao próximo, fazendo uso das riquezas para aliviá-lo do sofrimento e da miséria. O mal consiste em ser escravo dos bens materiais e Jesus quer justamente conduzir os discípulos a um novo começo, a uma vida em seu amor dadivoso, gratuito e despretensioso.  


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

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