Reflexão do Evangelho de Sábado 08 de agosto

Reflexão do Evangelho de Sábado 08 de agosto
Mt 17, 14-20: A cura do endemoninhado epilético
       
        As pessoas “admiravam-se” das palavras de Jesus, cheias de misericórdia e compreensão, mas também dos seus milagres, manifestações do seu poder sobre as doenças e as forças da natureza. O Evangelho fala dos milagres como sinais que proclamam a reconciliação e a comunhão do homem com Deus. Por isso, os primeiros cristãos tinham tendência a ver nos milagres a presença da divindade de Jesus, que, no entanto, os corrige e os faz entender que os milagres assinalam, sobretudo, a vocação do homem, criado para dominar a criação e para instaurar, no poder de Deus, um mundo de amor e de liberdade. Em outras palavras, os milagres nos inserem na dinâmica da regeneração e da reconciliação, sinal de uma criação renovada, atestada pela conversão de Nicodemos e pelas muitas curas, como a do cego de nascença.   
        No Evangelho de hoje, diante de Jesus encontra-se um pai com seu filho epilético e endemoninhado. Na ausência do Mestre, o pai havia recorrido aos discípulos, “mas eles não foram capazes de curá-lo”. Ao ouvi-lo, o olhar tranquilo e severo do Senhor dirige-se primeiramente aos Apóstolos, os quais Ele repreende: “Ó geração incrédula e perversa, até quando, estarei convosco? ” Mas um fio de voz brota dos lábios do pai, que confiante lhe diz: “Se tu podes, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Em sua bondade misericordiosa, Ele cura o jovem e o liberta do demônio.
Pasmos, os discípulos lhe perguntam: “Por que não pudemos expulsá-lo”? A resposta é direta e contundente: “Foi por causa da fraqueza da vossa fé”. A falta ou a pouca fé era um obstáculo sério para a cura. Por isso, utilizando uma hipérbole rabínica, Jesus acrescenta: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Transporta-te daqui para lá, e ele se transportará, e nada vos será impossível”. Expressão apropriada às circunstâncias, já que se encontravam ao pé do monte Tabor.

        A fé, que é busca incessante de Deus, leva S. Agostinho a dizer: “Se alguém ora para expulsar um demônio de outra pessoa, muito mais ele deve orar, com perseverança, para expulsar a própria avareza, o vício da embriaguês, a luxúria e o egoísmo da própria alma. Quantos são os vícios do homem que, se não forem eliminados, o excluem do Reino do céu! ” O homem de fé ora e participa da intimidade de Deus e, no silêncio interior, sente-se livre, sereno, capaz de expulsar o mal de sua vida e de seus irmãos.  

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