Reflexão do Evangelho de Segunda-feira 03 de agosto

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira 03 de agosto
Mt 14,13-21 - Multiplicação dos pães (primeira)
       
       Certa feita, os apóstolos se reúnem a Jesus para contar-lhe o que tinham feito e ensinado. Sentindo-os cansados, o Mestre os conduz para um lugar solitário, onde pudessem meditar e refazer as suas forças. Mas a multidão não o abandona, segue-o, talvez movida por curiosidade ou por gratidão pelos benefícios recebidos. Jesus não se sente incomodado ou perturbado, mas enternecido volta a ensinar. As horas passam e o dia declina, o lugar é deserto e a multidão não tem com que se alimentar. Atentos e preocupados, os discípulos chegam a lhe dizer: “Despede-os para que vão aos campos e aldeias vizinhas e comprem para si o que comer”. Olhando a multidão, Jesus “teve compaixão dela”, era como ovelhas sem pastor, e, percebendo que estava faminta, diz a Felipe: “Onde compraremos pães para alimentá-los? ” Um de seus discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, lhe informa que não havia mais do que cinco pães de cevada e dois peixes; mas como alimentar toda aquela gente! Sempre sereno e sem titubear, Ele manda que eles fizessem os mais de cinco mil homens e mulheres se acomodarem na relva verde, seu amor remove todas as barreiras e Ele está pronto a intervir em favor deles. Todos comeram e “ficaram saciados, e ainda recolheram e encheram doze cestos com os restos deixados pelos que se alimentaram”.  
        A indicação de que o lugar “era deserto” não se deve atribuir só à ênfase do Evangelista, mas também à lembrança do tempo da peregrinação do povo de Israel no deserto, figura dos tempos messiânicos. Nesse sentido, Jesus sacia não só a fome de pão ou da Lei de Deus, mas particularmente a fome “do pão de Deus, pão que desce do céu e dá vida ao mundo” (Jo 6,33). À ceia do Messias todos os famintos estão convidados.  

        Jesus é o bom pastor ou, “como aqueles homens exclamavam, o profeta que deve vir ao mundo”, que cuida do povo em sua peregrinação terrena. Referindo-se ao fato de Jesus dar graças, S. Hilário de Poitiers diz que Ele o faz “para que a multidão compreenda de quem provinha tal poder”. No deserto, Deus alimentou o povo judeu com o maná do céu, agora, a multidão é alimentada com o pão oferecido por Jesus, sinal do pão celestial, alimento de ressurreição, a Eucaristia. Perante esse milagre, prenúncio do pão eucarístico, proclama S. Hipólito de Roma: “Quem come a Vida jamais verá a morte”.

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