Reflexão do Evangelho de segunda-feira 17 de outubro





Reflexão do Evangelho de segunda-feira 17 de outubro
Lc 12, 13-21 - Não ajuntar tesouros


    À multidão que o segue, Jesus anuncia o Reino de Deus, não apenas como algo iminente, mas, como sendo já uma realidade: “O Reino de Deus está no meio de vós”. Ao contrário de João Batista, Jesus anuncia essa vinda do Reino, não como manifestação do julgamento para os que recusam acolher a sua mensagem, mas como presença da misericórdia divina: Ele é o “profeta” da salvação. O Reino, por Ele proclamado, fala da paternidade divina, expressão de um amor criador, mas também salvador, em que o pecador não é rejeitado, mas, a partir do seu próprio pecado, é recriado: mais do que livrá-lo do mal, ele é adotado pelo Pai, que ama mesmo os que não mais o amam, com um amor sem limites.
Estando ainda a falar, aproxima-se dele um homem que expõe uma questão de herança entre ele e seu irmão, que nega conceder-lhe a parte que lhe cabe na partilha dos bens. Segundo seu costume, Jesus não intervém diretamente, mas aproveita a ocasião para elevar o espírito de seus interlocutores e fazê-los passar dos interesses temporais ao “tesouro” eterno do Reino de Deus. Assim, após alertar contra a excessiva preocupação com os bens terrenos, recomenda-lhes: “Precavei-vos cuidadosamente de qualquer tipo de ganância, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada por seus bens”.  
Para ilustrar o seu pensamento, Ele conta a parábola do rico, cuja terra tinha produzido muitos frutos. “Ele, então, refletia: Que hei de fazer? Não tenho onde guardar minha colheita”. Após construir celeiros maiores, diz: “Agora, repousa, come, bebe, regala-te”. E Jesus encerra a parábola com as palavras: “Insensato, nessa mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulaste, de quem serão? ”. E, voltando-se para seus ouvintes, conclui: “Assim, acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus”.
        Com essas palavras, o Mestre deseja conduzir não só os dois irmãos, mas todos seus ouvintes a uma situação filial com Deus, que se traduz na atitude de total disponibilidade: a avareza é afastada e passa a vigorar uma real confiança em Deus, que os torna livres para dispor generosamente de seus bens. Por isso, diante das palavras do rico que dizia: “Vou demolir meus celeiros, construir maiores, e lá hei de recolher todo o meu trigo e os meus bens”, S. Agostinho declara com ênfase: “O estômago do pobre é o depósito mais seguro para os grãos recolhidos”. É o Reino que se realiza na relação harmoniosa de uns com os outros e dos homens com Deus, Reino do serviço mútuo, em que o verdadeiro tesouro é a caridade e a fraternidade.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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