Reflexão do Evangelho de segunda-feira 10 de outubro





Reflexão do Evangelho de segunda-feira 10 de outubro
Lc 11,29-32 -  O sinal de Jonas


Atenta, a multidão ouvia Jesus falar que o amor a Deus e aos homens era mais importante do que as múltiplas tradições e prescrições, estabelecidas até então pelos fariseus e escribas. Ele é sinal de que Deus quer agir de um modo novo em Israel, o que comporta, evidentemente, uma diferente apreciação da Lei: o Reino de Deus, cuja finalidade é oferecer a salvação que vem de Deus, é mais que o Reino da Lei. Numa visão positiva, os fariseus visavam a santidade e a pureza de Israel, explicando as prescrições da Lei, contra a assimilação ao mundo pagão, porém, suas acusações a Jesus refletem uma ponta de inveja, por terem sido considerados até então como único padrão e critério da verdade e da ortodoxia. Mas não há propriamente uma hostilidade entre eles e Jesus, antes, o que existe é o desejo de colocar à prova a pretensão de Jesus ou a validade de sua pretensão, pedindo-lhe um sinal do alto. Mesmo o fato de alertar os discípulos contra o fermento dos fariseus, parece simplesmente indicar um modo típico de pensar, no qual Ele salienta que o único pão, necessário para alimentar a vida espiritual dos discípulos, é Ele mesmo.
Após o diálogo com os fariseus, Jesus continua a conversação com as pessoas que lá estavam e o interpelavam. Para ilustrar suas palavras, Ele os remete ao profeta Jonas, apresentado como figura de sua morte e ressurreição, e o povo de Nínive, em seu processo de penitência e conversão, simbolizando o povo libertado por Deus. Fitando-as, sem titubear, Ele as compara a uma geração adúltera e perversa, o que as espanta e as leva a resmungar entre si: “Não é possível. Essas palavras não podem ser aceitas em silêncio”. Mas sem se alterar, Jesus continua a anunciar a vitória da graça divina, manifestada na força de sua Palavra, “que, no dizer de Orígenes, não eram dons corruptíveis como o ouro ou os aromas, mas sim o perfume espiritual da fé, o suor da virtude e o sangue do martírio”.
A casuística judaica e algumas interpretações da Lei, que a transformavam num peso insuportável para as pessoas, são rejeitadas, pois a desviavam do seu verdadeiro sentido: ser sinal da misericórdia de Deus para com o seu povo, para o bem, e não para a condenação dele. Suas orientações, no sentido estrito da palavra, não constituem normas jurídicas; são princípios fundamentais, que visam nortear o agir dos discípulos nas diversas situações a serem enfrentadas por eles ao longo de sua missão evangelizadora. No entanto, por não reconhecerem sua autoridade, alguns dos ouvintes não acolhem seus ensinamentos e consideram seu comportamento como sendo incompreensível; escandalizados, afastam-se com ares ameaçadores. Os que creem nele, guiados pela liberdade da fé, que descerra a cegueira interior do coração, estreitam-se em torno dele, e reconhecem o poder irresistível da graça, que trará a salvação a todo Israel: vitória definitiva da misericórdia divina, que se estenderá a todos os povos.
Àquela altura, Jesus exorta os presentes a acolher sua Palavra, para que, uma vez convertidos, sejam perdoados e reconciliados com Deus, assim como o povo de Nínive, diante da pregação de Jonas. Pois, aos que o ouvirem, Jesus promete da parte de Deus: a garantia de salvação e de libertação, dando-lhes a possibilidade de acolher ou não, em sua pessoa, o Reino de Deus. Trata-se de uma decisão: converter-se ou não. A conversão aqui aparece como confiança nele, que torna palpável a todos os seres humanos a misericórdia divina, na qual todos têm um novo início e uma nova esperança.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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