Reflexão do Evangelho - Segunda-feira, 24 de outubro





Reflexão do Evangelho
Segunda-feira, 24 de outubro
Lc 13, 10-17 -  Cura da mulher encurvada
   
     
    Estava Jesus ensinando numa das sinagogas, e eis que lá se encontrava uma mulher toda encurvada, com um ‘espírito de enfermidade’. Sem se deixar intimidar por ser um dia de sábado, considerado dia de repouso total, vendo-a se aproximar, Ele lhe diz: “Mulher, estás livre da tua doença! E, impôs-lhe as mãos”. Com essas palavras, Ele aviva a ideia de que o dia de sábado também recorda a ação liberadora de Deus, que permitiu a Israel deixar a escravidão do Egito. A sinagoga estava repleta. A mulher, tocada no seu íntimo, endireitou-se e, reconhecendo a ação salvadora de Deus, o glorificava. Essa sua atitude faz com que S. Agostinho observe: “Ela tornou-se sinal do que acontece com a humanidade toda inteira, que, como aquela mulher, estava recurvada sobre a terra”.
    No entanto, os fariseus, presos a uma interpretação estrita das normas legais, não reconhecem, em Jesus, a ação de Deus que liberta os homens do mal, e não se deixam penetrar por suas palavras de perdão e de benevolência. Aborrecidos, eles recordam o ritmo divino da criação em seis dias e, com laivos de ironia, concluem: “Vinde nestes dias para serdes curados, e não no dia de sábado! ”. Jesus não nega o sábado como dia de repouso, mas não admite os exageros estabelecidos pelas prescrições e normas rituais, que ensombreavam a ajuda ao próximo. Ele coloca claramente que o cerne da Lei aponta para a vontade benfazeja e misericordiosa de Deus: o sétimo dia proclama a obra perfeita do amor do Pai e a restauração final de toda a criação. Escreve S. Ambrósio: “O sábado é figura do repouso festivo futuro. Por isso, não há repouso para as obras boas, só para as más”.
De modo geral, pode-se dizer que, ao curar a mulher encurvada, Jesus nega a representação de um Deus vingativo e cruel, e proclama que Ele não se cansa jamais de manifestar o seu amor e a sua benevolência. Obviamente, o zelo pela observância do sábado ou do domingo não justifica o fato de se permanecer cego às exigências da caridade e da misericórdia. Aliás, mesmo entre os próprios fariseus já havia uma reação contra essa interpretação exagerada; dizia um dito rabínico: “O sábado foi confiado a vós, não vós ao sábado”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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