Reflexão do Evangelho de domingo 22 de novembro



Reflexão do Evangelho de domingo 22 de novembro
Jo 18,33-37 -  Cristo Rei do Universo


       O anjo Gabriel saúda Maria: “Ave, cheia de graça” (ke-karitwméne). Jesus é a plenitude da graça, o que permite a liturgia antiga denominar Maria como a Mãe do Belo amor. Ele é o fascínio da perfeição do amor, que impregna sua mãe, tornando-a cheia de graça. 
       Desde o primeiro instante de sua vida, ressoa a resposta desejada por Pilatos, que coloca em questão não o fato de Ele ser o Cristo, o Filho do Homem e Filho de Deus, mas a sua “Realeza”. O Sinédrio havia condenado Jesus por blasfêmia para a qual se previa a pena de morte. No entanto, dado que o poder de infligir tal pena era reservado aos romanos, e como tal acusação não era ainda suficiente para levá-lo à morte, o sumo sacerdote declara a Pilatos ter Ele reivindicado a realeza messiânica.   
        Tocados pelos seus ensinamentos e milagres, os que o seguiam quiseram coroá-lo rei, o que foi rejeitado claramente por Jesus. Mesmo assim, seus inimigos se aproveitarão desse fato para acusá-lo diante das autoridades romanas. Se para o povo, o título de rei significava a restauração do reino de Israel, para Pilatos soava como pretensão temporal, tornando-o rival do poder de Roma, por ele representado. S. Efrém comenta que “as palavras de seus caluniadores eram como uma coroa redentora em sua cabeça. Seu silêncio era tal que, calando-se, seus clamores tornaram mais formosa a sua coroa”.
        Longe de ser rei de Israel ou rival de César, Ele é o rei de todo o universo, invisível e, igualmente, visível, sem necessidade de ser confirmado por alguém. Ao contrário, todos os homens, qualquer posição que ocupem, não são nada diante dele. Unindo todos os povos, Ele constitui um só povo, que Ele lança numa vida errante em demanda da Terra Prometida: Ele é o Deus de um perpétuo êxodo. Seu reino não dispõe de armas e não usa de violência, mas rejeita toda acomodação ou estagnação.
         Por isso, diante da pergunta de Pilatos, Jesus responde: “Tu o dizes: eu sou rei. Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade ouve a minha voz”. Seu reino é imprevisível, espiritual, está aqui, diante deles, desejando guiar todos à verdade, que liberta os corações e instaura um reino de paz e de justiça. A propósito, Santo Agostinho nota que o letreiro no alto da cruz estava escrito “em três línguas: hebreu, grego e latim, para indicar que Ele iria reinar não só sobre os judeus, mas também sobre os gentios”, ou seja, sobre todos os povos.

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