Reflexão do Evangelho de quarta-feira 24 de fevereiro



Reflexão do Evangelho de quarta-feira 24 de fevereiro
Mt 20,17-28 - Pedido da mãe dos filhos de Zebedeu
      

       A expectativa era grande. Os Apóstolos aguardavam a qualquer momento a manifestação do Reino de Deus. Com um olhar sereno, porém triste, Jesus fala de sua morte e ressurreição: “O Filho do Homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos escribas; eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios..., e três dias depois ressuscitará”. Absorvidos em seus pensamentos de glória, os discípulos não o entenderam bem. A mãe de dois deles, Tiago e João, filhos de Zebedeu, pressentindo em suas palavras o anúncio da iminência da realização messiânica, pede ao Mestre que lhes conceda, “sentaremomemn HH um à direita e outro à esquerda” em seu Reino.
Não é a primeira nem a última vez que o Evangelho sublinha o desejo de precedência. Há uma ambição a ser corrigida. Olhando para eles, pergunta-lhes Jesus: “Podeis beber o cálice que eu vou beber, ou receber o batismo que estou para receber? ”. Surpresos pela pergunta, sem titubear, eles respondem: “Nós podemos”. De fato, Tiago morrerá mártir e João estará no Calvário, partilhando do cálice com Jesus, no sofrimento da cruz. Embora não se pronuncie sobre quem irá sentar-se à direita ou à esquerda em seu Reino, Jesus não deixa de despertar nos Apóstolos a consciência de ser Ele o Filho amado de Deus, por quem e em quem se realiza o desígnio do Pai.
A decisão última cabe ao Pai. No momento, o importante não é preocupar-se com o lugar que se terá na glória do Senhor, mas empenhar-se em participar, desde já, do Reino de Deus. Observa S. Agostinho: “O caminho para sua glória, a pátria celeste, é a humildade. Se tu recusas o caminho, por que buscas a pátria? ”. Os outros Apóstolos murmuravam contra os dois irmãos, pois também eles desejavam a mesma honra. Conhecendo o que se passava em seus corações, Jesus os exorta a colocarem-se a serviço de todos, pois “aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos”. O exemplo clamava: o filho do Homem veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.
Jesus fala de serviço, simplicidade, humildade. Os Apóstolos, porém, absorvidos por pensamentos de triunfo e de glória, pareciam divagar. Eles ouviam o que Ele dizia, ouviam falar dos sofrimentos e da morte que o esperavam. Jesus falava não do futuro, mas de algo que estava acontecendo, de algo que tivera início desde quando os chamara nos primeiros dias de sua missão. Mais tarde, eles irão repetir essas palavras; agora eles continuavam prisioneiros da ideia de sua manifestação gloriosa. O Senhor se sente só. Só mais tarde, na Sexta-Feira Santa, eles as compreenderão.
Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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