Reflexão do Evangelho de sexta-feira 25 de março - Tríduo Pascal



Reflexão do Evangelho de sexta-feira 25 de março
Jo 18, 1 - 19,42 - Paixão de Jesus
      

       No monte das Oliveiras, Jesus reza, enquanto os Apóstolos, não muito longe, dormem. Já se ouviam, descendo de Jerusalém e subindo o monte das Oliveiras, os passos dos que irão prender Jesus. Prostrado em terra, “Ele ora com mais insistência ainda e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caiam por terra”. Indo aos discípulos, que “estavam à distância de um arremesso de pedra”, como que à procura, escreve Pascal, “de   companhia e conforto da parte dos homens”, Jesus chama por eles. Porém, vendo-os dormindo, diz-lhes: “Dormi agora e repousai”, e, em tom de reprimenda: “Não conseguis vigiar nem uma hora comigo? ”. Na realidade, tomados pelo cansaço, Pedro e os demais Apóstolos se deixam vencer pelo torpor do sono. Ele sente-se só. Ao retornar à oração, de seus lábios brotam murmúrios de uma alma aflita: “Abba, Pai, se possível afaste de mim este cálice”. Então, ao contrário de Adão, num fio de voz, Ele exclama: “Entretanto, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres... Não a minha vontade, mas a tua”: entrega total do Filho ao amor do Pai, força que lhe permitirá afrontar e vencer a morte.
Finalmente, Ele se volta para os discípulos e os acorda, dizendo: “Levantai-vos! Vamos! Eis que meu traidor está chegando”. O alto da colina ilumina-se: um apressurado grupo de soldados, com tochas acesas, aproxima-se, à frente, conduzindo-os, encontra-se Judas, que, após beijá-lo, o saúda: “Salve Mestre”.  Fixando nele seus olhos de bondade, num último apelo, sussurra-lhe Jesus: “Amigo, para que estás aqui? Com um beijo entregas o Filho do homem”. Os inimigos venciam e o plano por eles arquitetado alcançava pleno êxito: Jesus é feito prisioneiro. Tomados pelo pânico, os Apóstolos, apesar das promessas de fidelidade, dispersam-se. Somente Pedro e João o seguem, de longe. Preso, arrastado e vilipendiado, os soldados o levam consigo e o lançam na prisão: é a paixão do Senhor, mais tarde, a sua crucifixão.
No dia seguinte, 14 nisan, ao meio-dia, um grupo de pessoas avança em direção ao Gólgota. Carregando nos ombros, conforme costume da época, o braço horizontal da cruz, Jesus caminha a passos lentos. No alto da colina, o eco terrível dos martelos, que fincavam os cravos em seus pulsos e pés, soa no coração dos Apóstolos, particularmente, de sua mãe, Maria, que, com algumas mulheres, assistiam à crucifixão. Erguido do chão, os olhos de Jesus não se turvam, mas doces e serenos se voltam para seus algozes; sua voz, já entrecortada de dores, percute no silêncio dos corações indiferentes: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. A misericórdia do Crucificado supera o ar carregado e zombador dos inimigos, aos quais passam despercebidas as palavras ditas ao bom ladrão: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Vendo-o crucificado, alguns transeuntes zombam dele, outros caçoam; Ele, porém, sereno, refletindo o amor de Deus pela humanidade inteira, diz ao discípulo amado, que lá está em nome de todo verdadeiro discípulo seu: “Eis tua Mãe”, e para sua Mãe: “Eis teu filho”. Maria o abraça, afago materno, que reflete ternura e bondade, consolando-nos e animando-nos no seguimento do Filho amado.
Por volta das três horas da tarde, após sentir em seus lábios uma esponja embebida de vinagre, com voz forte, Ele brada: “Tudo está consumado”. Escreve Orígenes: “Com plena confiança, Ele entregou seu espírito nas mãos do Pai”. A terra treme, fendas aparecem nos rochedos e o centurião, que ouvira suas últimas palavras: “Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito”, confessa: “Na verdade, Ele era o Filho de Deus”. No abandono de todos, experiência verdadeiramente humana, Jesus se volta para o Pai e, na gratuidade plena, gesto verdadeiramente divino, entrega-se a Ele. É Páscoa, “passagem de Jesus deste mundo ao Pai”; Ele deu a sua vida “por nós”: a salvação, a paz e a felicidade descem até nós, banhando nossa vida e nos transformando em arautos da Boa-Nova. Com S. Agostinho dizemos: “Amemo-nos também a nós uns aos outros, como Cristo nos amou e se entregou por nós”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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