Reflexão do Evangelho de sexta-feira 15 de abril



Reflexão do Evangelho de sexta-feira 15 de abril
Jo 6, 52-59 - Jesus, pão de vida eterna


As palavras de Jesus encontram reações as mais diversas; acolhidas por alguns, elas são rejeitadas por outros, como ocorre no Evangelho de hoje, em que Jesus afirma: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. Os ouvintes se escandalizam por causa de suas palavras e pela reivindicação de Ele ser portador da vida, atribuição reservada a Deus. E, com sutileza, colocam a questão: “O que significa dar a sua carne para comer? ”.
A mesma pergunta, que, inicialmente, expressa um ato de incredulidade, voltará a ser feita, com intenção e reações diferentes, ao longo da missão pública de Jesus. Nicodemos, desejoso de conhecer melhor a sua mensagem, também o interroga: “Como poderia um homem nascer uma segunda vez? ”. O mesmo acontece com a samaritana, à beira do poço de Jacó: “Senhor, nem sequer tens uma vasilha e o poço é profundo; de onde, pois, tiras esta água viva? ”. Perguntas e atitudes diferentes, que não deixam de sugerir certa objeção às suas palavras.
Bem outra é a atitude de Maria Santíssima: após reconhecer que para Deus nada é impossível, ela não hesita, nem tampouco esboça uma questão de “poder”, mas como mulher de fé simplesmente interroga: “Como é que vai ser isso? ”. A fé não se define apenas em termos de adesão intelectual, mas supõe a presença de algo que, fazendo parte do que há de mais íntimo em nós, nos supera: a “sensação do transcendente”, experiência vivida por Maria no momento da Anunciação. Essa “sensação interior ou espiritual”, como afirma S. Macário, é fundamental para se crer agraciado pelo dom da Eucaristia, que perpetua o mistério da presença permanente e definitiva do Ressuscitado entre nós.   
Desde os escritos do Novo Testamento, multiplicam-se os testemunhos sobre a presença de Jesus na Eucaristia. Nos meados do segundo século, S. Justino afirma ser a Eucaristia, após a consagração, “não pão ou vinho comum. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso Salvador, se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciada a ação de graças com as mesmas palavras de Cristo e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e o sangue de Jesus que se encarnou”. Eis o mistério da fé! Crer na vinda do Filho de Deus, nascido de Maria, é professar a presença única e extraordinária de Jesus no pão e vinho consagrados. E não só. É estar também aberto à Palavra proclamada, ao irmão sedento, àquele que passa fome ou é excluído da sociedade: crer na presença eucarística, tão ardentemente desejada por Jesus, é vivê-la na comunhão fraterna. O pão que desceu do céu constrói a Igreja e fortalece a comunhão dos irmãos, como bem lembra S. Inácio de Antioquia: “Vós estais todos unidos, rompendo o mesmo pão que é remédio de imortalidade, antídoto para não mais morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM 

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