Reflexão do Evangelho do dia 05 de Agosto de 2013


Segunda-feira – 05 de agosto

Mt 14, 13-21: Multiplicação dos pães (primeira)

         

Logo após ter recebido a notícia da morte de João Batista, Jesus, seguindo a prudência humana, retira-se para um lugar solitário, para a oração e a reflexão. S. Jerônimo observa que “ele o faz não por temer a morte, mas para impedir que os seus inimigos acrescentem um homicídio a outro ou para estender o momento de sua morte até à Páscoa”. Segundo João Crisóstomo, Jesus se retira “por não desejar que a sua identidade fosse desde já conhecida”.

        A multidão, porém, não o abandona, segue-o, talvez movida por curiosidade ou por gratidão pelos benefícios recebidos. Mas o coração de Jesus não podia resistir aos sofrimentos dos que o acompanhavam. Por isso, ao vê-la “teve compaixão dela” e, percebendo que ela estava faminta, pergunta a Felipe: “Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?” Ele bem sabia, diz o Evangelho, o que havia de fazer. Àquela multidão de cinco mil pessoas, ele vai manifestar a generosidade e a ternura do seu coração. Tanto a multidão quanto os Apóstolos irão constatar que quando Deus dá, ele o faz com abundância. De fato, “todos ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram”.

          Exclama Eusébio de Emésia: “Num lugar ermo, Aquele que lá está, está pronto a saciar a fome do mundo”. Ele toma os poucos pães e peixes e multiplica-os em benefício de todos. Porém, deixa aos Apóstolos a tarefa de distribui-los, o que é visto pela tradição cristã como um gesto profético: sinal da função dos Apóstolos e de seus sucessores na Igreja. Mais tarde, o Senhor irá nomeá-los anunciadores da Boa-Nova do Evangelho para que a Palavra de Deus se multiplique, como o pão rompido, oferecendo a todos os povos um alimento superabundante, no dizer de S. Ambrósio e S. Agostinho.

          Olhando para os céus, Jesus toma o pão e rende graças, “para dar glória Àquele, diz S. Hilário de Poitiers, de quem Ele procedia: não que lhe fosse necessário olhar o Pai com seus olhos de carne, mas para que a multidão compreendesse de quem provinha tal poder”. Se no deserto, Deus alimentara o povo judeu com o maná do céu, agora, eles são alimentados com o verdadeiro pão celestial, oferecido por Jesus. Ele é o verdadeiro pão do céu, o pão da vida, o alimento de ressurreição, que se dá a nós na Eucaristia. S. Hipólito de Roma proclama: “Quem come a vida não pode morrer”.

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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