Reflexão do Evangelho de sexta-feira 30 de setembro





Reflexão do Evangelho de sexta-feira 30 de setembro
Lc 10,13-16 - Ai de ti, Corazim!

Fatos prodigiosos foram realizados em Corazim e Betsaida sem, no entanto, suscitar em seus habitantes a consciência de culpa e, por conseguinte, o reconhecimento do pecado e de sua situação real diante de Deus. Eles não se sentem responsáveis e, muito menos, sujeitos a uma punição pelo mau uso da liberdade. Não obstante, em sua inesgotável paciência, Jesus lhes dirija um forte apelo à conversão, eles permanecem surdos e impenetráveis às suas palavras. Não creem nele. Por isso, destaca Santo Hilário de Poitiers: “Apesar de os cegos verem, os surdos ouvirem, os paralíticos caminharem, os mortos ressuscitarem, eles não foram despertados à fé”. Rejeitam não só a pregação dos Apóstolos, enviados em missão, mas as próprias palavras de Jesus. A indiferença é grande!
Na tentativa de levá-los à fé e a abrirem seus corações à misericórdia divina, Jesus refere-se às cidades de Tiro e Sidônia, que, como a cidade da Babilônia, foram consideradas emblematicamente cidades que se perderam por causa do orgulho. Aliás, onde não há humildade, não há arrependimento. Se elas foram condenadas por causa do desmando e da corrupção, ao invés delas, Nínive foi salva graças à penitência e à conversão, livremente acolhidas, após a pregação do profeta Jonas. De fato, o povo reconheceu a sua culpa, vestiu-se de “saco e cobriu-se de cinza” e, jejuando, expressou efetiva mudança de vida. Entre esforços e lágrimas, acendeu-se no coração de seus habitantes o fogo divino, o que infelizmente, não aconteceu com as duas cidades da Galileia.
Se em Jesus não há privilégios, também não existem nele medidas particulares, nem exclusão prévia de alguém ou de um grupo de pessoas. Escreve Melitão de Sardes: “Todos são atraídos por Ele e convocados a crer no Evangelho, ‘porque Cristo, nossa Páscoa, foi imolado’ (1Cor 5,7) para assim destruir o triste império da morte e ganhar para Deus, mediante seu próprio sangue, tudo quanto existe sob o céu”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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