Reflexão do Evangelho de Mt 10, 7-13 - A missão dos Doze - Quarta-feira 11 de Junho

Reflexão do Evangelho de Mt 10, 7-13 - A missão dos Doze
Quarta-feira 11 de Junho
          
         Um dia, Jesus participava de uma festa de casamento e, alertado por sua mãe, percebe o constrangimento do dono da casa, pois acabara o vinho. E para que o organizador da festa não se envergonhasse e os convivas não se entristecessem, Ele manifesta, pela primeira vez, o seu poder. O fato impressiona seus discípulos, que tinham deixado as redes sem hesitar para segui-lo. Mais tarde, Jesus escolhe dentre eles doze Apóstolos e os “envia a proclamar o Reino de Deus e a curar”. Com ênfase, recomenda-lhes que nada levem consigo, pois Ele os quer livres de todo apego aos bens materiais e de toda preocupação em obter posses terrenas. No entanto, nas areias áridas do desprendimento, suspirando por um refrigério, eles vislumbram no horizonte, num oásis de paz, o vulto do Senhor, que os proverá. “A glória deles, reflete S. Cirilo de Alexandria, não é a de não possuírem nada, mas a de se colocarem nas mãos divinas”. A renúncia alcança então seu sentido original de adesão pessoal e profunda a Deus, o que lhes permite contemplar, no cumprimento da missão confiada pelo Senhor, a aurora da alegria sobrenatural. Como discípulos, fiéis seguidores de Jesus, eles se assemelham Àquele que lhes “ordena dar gratuitamente o que gratuitamente eles tinham recebido”.
         Ao mandato de dar gratuitamente corresponde a ordem de evangelizar, fruto não de um capricho, mas do amor, “energia divina”, que inflama a alma sem cessar e a reúne a Deus pela força do Espírito Santo. O verdadeiro milagre não foi o que eles testemunharam na festa de bodas, mas é aquele que se realiza em seus corações e faz, séculos mais tarde, S. João Clímaco exclamar: “Tu feriste minha alma, ó Amor, e meu coração não pode suportar tuas chamas. Avanço, louvando-te”. 
Tomando-os à parte, Jesus confia aos Apóstolos sua própria missão terrestre, enviando-os “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Na simplicidade e despojamento, eles hão de realizá-la “em nome do Cristo”, que agiria neles e por meio deles. Experiência misteriosa e única. O Mestre garantia que a doação generosa aos seus semelhantes seria sintoma do verdadeiro amor a Deus, que pacificaria suas almas e os purificaria no cadinho do “amor insaciável”. Eles recebiam o poder de comunicar a paz do Senhor aos que fossem dignos dela e de imitar a doação gratuita de sua vida ao Pai e aos irmãos. Na eternidade, essa generosidade iria se manifestar na participação da Glória de Deus.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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