Reflexão do Evangelho de Mt 11, 25-30 - Evangelho revelado aos simples - Sexta-feira 27 de Junho

Reflexão do Evangelho de  Mt 11, 25-30 - Evangelho revelado aos simples
Sexta-feira 27 de Junho

         Pôs-se Jesus a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos”. Os termos “céu e terra” designam toda a criação, segundo observa Santo Agostinho. Certamente, o orgulho intelectual, a frieza de coração e o fanatismo fecham o homem para as coisas de Deus e de seu Reino. O orgulho, aliás, é a raiz de todos os vícios e exerce grande influência sobre nós, impelindo-nos ao pecado.
Jesus contrasta o orgulho com a atitude de uma criança em sua simplicidade e humildade. O simples de coração vê sem pretensões, reconhece sua dependência de Deus e nele confia. As vocações de Davi e de Jeremias são dois exemplos, entre tantos outros, da predileção de Deus pelos pequenos e simples. Davi era um jovem pastor quando foi escolhido por Ele para ser rei de Israel. De origem camponesa, Jeremias não passava de um jovenzinho quando, por intervenção divina, foi consagrado como o “profeta das nações”. Deus se opõe aos orgulhosos e dá sua graça aos humildes. 
         Jesus rende graças ao Pai, porque diz Ele: “Escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”. E, mais adiante, acrescenta: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. O verbo conhecer, em seu sentido bíblico, exprime aqui a comunhão tanto no pensar como no querer. A designação “Filho de Deus” não é um simples título, mas uma intimidade, uma comunhão total e perfeita de Jesus com o Pai. Unido ao Pai, significado pelo seu coração aberto, Ele é fonte de vida para todos nós.
           Portanto, é na intimidade com Deus que os simples e pequeninos são introduzidos, quando ouvem e aceitam com fervor as palavras de Jesus. No dizer de São Gregório de Nazianzo, outro que desde pequeno demonstrou inclinação para a vida mística, “o Senhor se faz pobre; suporta a pobreza de minha carne para que eu alcance os tesouros de sua divindade. Ele tudo tem, de tudo se despoja; por um breve tempo se despoja mesmo de sua glória para que eu possa participar de sua plenitude”. Eis a maior riqueza comunicada pelo amor transbordante de seu Sagrado Coração à humanidade: fazer parte da glória, da vida íntima do Pai.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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