Reflexão do Evangelho de Domingo – 20 de Outubro


Reflexão do Evangelho de Domingo – 20 de Outubro

Lc 18, 1-8: O juiz iníquo e a viúva importuna

        

Após a parábola do amigo importuno, Jesus conta aos apóstolos a parábola do juiz iníquo, ao qual uma pobre viúva recorre, clamando por justiça. O juiz mostra-se indiferente, surdo a Deus e aos homens. Mas farto de ser importunado pela viúva, que “lhe causava fastio”, ele finalmente a atendeu. Com muito maior razão, pergunta Jesus, “não faria Deus justiça a seus eleitos que clamam a Ele dia e noite, mesmo que os faça esperar?” Certamente Deus atenderá às súplicas de seus filhos.

         Visando despertar nos discípulos a perseverança na oração, sugerida na introdução da parábola, Jesus descreve os insistentes rogos da viúva. Caso eles procedam do mesmo modo, a prece deles será acolhida pelo coração amoroso do Justo por excelência, Deus, o divino Juiz. Ainda que retarde, seu julgamento não deixará de acontecer. Mesmo que, no presente momento, eles tenham de suportar a iniquidade, o crime e o pecado, o Senhor não os abandonará e virá em socorro deles. Sua paciência é sem limites. Ela reflete a longanimidade misericordiosa do seu coração, que concede aos pecadores o tempo necessário para se arrepender e para que o número dos eleitos possa ser sempre maior.

Nesse sentido, exclama São Cirilo de Alexandria: “O contínuo apresentar-se da viúva oprimida conquistou o juiz iníquo que não temia a Deus e, contra a sua vontade, concede-lhe o que ela pedia. Como poderá aquele que ama a misericórdia e odeia a iniqüidade, que sempre estende sua mão salvadora aos que o amam, não acolher os que se achegam a Ele dia e noite?” De fato, escreve S. Agostinho, “o Senhor quis que da atitude do juiz iníquo se deduzisse o modo como Deus, bom e justo, trata com amor os que recorrem a ele pela oração”.

         Ao ouvir essas palavras, a confiança nos avigora os corações, porque, na pessoa de seu Filho Jesus, o Cordeiro que tira o pecado do mundo, Deus já veio em nosso socorro. Orígenes afirma que o próprio Jesus ora em nós: “O Filho de Deus é o sumo sacerdote das nossas súplicas e nosso defensor junto ao Pai. Ele une-se, em sua prece, àqueles que rezam e invoca em favor dos que suplicam”. Nele, os movimentos do nosso coração tornam-se uma única e ininterrupta prece, que nos permite experimentar, habitando em nós o Espírito divino, a força da Ressurreição.   

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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