Reflexão do Evangelho de Sexta-feira – 11 de Outubro


Reflexão do Evangelho de Sexta-feira – 11 de Outubro

Lc 11, 15-26: Jesus e Beelzebu (calúnias dos fariseus)

        

         O Senhor assegura-nos a sua proteção espiritual. Os milagres realizados por Ele ultrapassam o poder do homem, levando à conclusão: ou se crê em Jesus como “vindo de Deus” e esta é a compreensão de Nicodemos, do cego de nascença e de todos os que reconhecem nele o Messias esperado. Ou afirma-se um poder que está além do nosso controle como expressão do fundamento pessoal de nossa culpabilidade. É a este poder, que os escribas, descidos de Jerusalém, se referem ao dizer: “É por Beelzebu, príncipe dos demônios, que Ele expulsa os demônios”.

         O título Beelzebu liga-se a textos antigos e designa o primeiro dentre os inimigos de Deus, considerados pelos pagãos como demônios. Ele está à frente e governa as forças do mal, que constituem um reino em oposição ao reino de Deus. Daí as palavras de Jesus: “Todo reino dividido contra si mesmo não poderá subsistir”. As acusações dos escribas e fariseus resultam absurdas.

O tema central do presente texto é a luta entre a luz e as trevas, e a vitória da luz sobre as trevas, pois quem acolhe Jesus é iluminado pela luz da verdade e do amor divino. O demônio é aquele que recusa o amor, é mentiroso e pai da mentira. Quem recusa a verdade confessa pertencer não a Deus, mas sim ao mal e ao demônio.  As tentações no deserto demonstram a realidade temível do império do mal, que se opõe ao Messias, o Filho de Deus. O próprio Jesus, diz S. João Crisóstomo, “responde às acusações, demonstrando que expulsar os demônios, como ele acaba de fazer, é obra de um poder grandíssimo e sinal da vinda do Reino de Deus”.

         O fato de expulsar os demônios pelo “dedo de Deus” indica, segundo os Santos Padres, que Ele o faz pelo poder do Espírito de Deus. Vitória de Cristo sobre o reino do mal. Só resta uma coisa, diz o Evangelho: Recolher os despojos, que “são as ovelhas perdidas da casa de Israel”.

         No entanto, escribas e fariseus, unindo-se contra Jesus, aliam-se aos inimigos do passado, que provocaram a dispersão do povo entre as nações e negam a ação do Espírito Santo. Eles rejeitam o anúncio de Jesus e não admitem o advento do reino de Deus. A eles diz Jesus: “A palavra que eu vos disse, é ela que os julgará no último dia”. Mas “se alguém me ama, continua Jesus, guardará minha palavra e o Pai o amará, e viremos a ele e faremos nossa morada nele”.

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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