Reflexão do Evangelho de Quinta-feira – 23 de Janeiro

Reflexão do Evangelho de Quinta-feira – 23 de Janeiro
Mc 3, 7-12: As multidões seguem Jesus
        
         Por onde Jesus passava, as multidões acorriam para ouvi-lo e ver as obras que realizava. O poder de sua mensagem é impressionante. A sua palavra alimentava os que tinham fome de Deus e curava os que buscavam libertar-se de seus males. Movidos pela fé, muitos se achegavam a Jesus para tocá-lo e, pelo poder que dele provinha, eram curados e perdoados de seus pecados. Em sua presença, até os demônios tremiam e reconheciam sua verdadeira identidade, declarando: “Tu és o Filho de Deus”.  
         No entanto, S. Agostinho não deixa de observar: “Muito melhor que estar com o Senhor é ter fé nele”. Não basta estar em meio àquela multidão, pois “a fé é mais forte que tocá-lo com a mão. Se pensas que Cristo é só homem, tu o tocas, na terra, com as mãos, mas se tu crês que Cristo é o Senhor e igual ao Pai, então tu o tocas, na glória do céu”.
         Ao longo de sua missão, Jesus se entrega e se comunica aos discípulos, também a nós, pela força de uma presença cativante e pelo seu modo despretensioso e simples de ser. Suas palavras tocam os corações e os milagres realizados por Ele adquirem um sentido todo especial: são manifestações de sua misericórdia e de seu amor. As multidões afluem de todas as partes, provêm da Galileia, também dos extremos sul e norte do país. Se elas são atraídas pelos milagres e querem tocá-lo, suas palavras não deixam de ser exigentes, pois não é a quem dorme que é dado o Reino de Deus, mas aos que ouvem a Palavra e cumprem os mandamentos de Deus. Fiéis à sua mensagem, os discípulos serão, em meio ao mundo, uma imensa reserva de silêncio, de paz e de amor fraterno, tornando possíveis as boas e duráveis realizações da história.
         Os últimos versículos falam da multidão, que se acotovela para chegar até Jesus. Sentindo-se apertado e um tanto sufocado, ele pede aos discípulos um pequeno barco para melhor falar ao povo. S. Beda aproveita este detalhe para dizer: “A barca, que serve com diligência ao Senhor no mar, é a Igreja, congregada dentre as nações e que se desliza entre as ondas deste mundo. Quanto mais se dilata para receber a graça de seu fundador, tanto mais majestosa ela se torna para armazenar as coisas de seus passageiros, e assim a barca agitada por quaisquer ventos faz frente às agitadas ondas do mar”. Por isso o clamor de S. Agostinho: “Toca-o tu com a fé, ó Igreja católica, toca-o com a fé”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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