Reflexão do Evangelho de Segunda-feira – 13 de Janeiro

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira – 13 de Janeiro
Mc 1, 14-20 - Jesus inaugura sua pregação
        
         Após a prisão de João Batista, Jesus começa o seu ministério na Galileia, declarando: “O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo”. Se com João Batista a palavra profética chega ao cume de sua autoridade, com Jesus, o Reino alcança a sua plenitude, o que leva Orígenes a dizer que Jesus é o “autobasileia”: o Reino de Deus é Ele mesmo, e o caminho para se chegar a ele é o Evangelho. Ele não se contrapõe a outros reinos, mas situa-se na interioridade do homem. O mesmo Orígenes salienta que “se quisermos que Deus domine em nós, então o pecado não pode de modo algum dominar nosso corpo mortal”. E conclui: “Então Deus deve passear em nós como num paraíso espiritual e somente em nós dominar com o seu Cristo”.
O anúncio do Reino é convite à conversão. Aos seus primeiros discípulos, Jesus lança um forte apelo: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. O termo “converter” sugere a ideia de se colocar de acordo com a vertente da vida, de modo que quem dela se desliga corre o risco de deixar secar a água viva, comunicada por ela. A vertente da vida é o próprio Deus, único capaz de dessedentar-nos, graças, principalmente, ao Evangelho, anunciado por Jesus.  
         Desde o profeta Isaías, a palavra evangelho significa anúncio de um acontecimento salutar. Para os romanos, evangelho compreende a mensagem do imperador, considerado senhor do mundo e o seu redentor, que transmite não só uma notícia, mas uma mudança do mundo, tida como boa e salutar. Para os cristãos, o Evangelho adquire o sentido de proclamação efetiva da Palavra de Deus, força eficaz e renovadora da vida de quem a acolhe.
Constata-se a eficácia da Palavra na vida dos Apóstolos. De simples pescadores, eles se transformam em pescadores de homens. Eusébio de Cesareia confessa: “Também tu te darás conta, com facilidade, da divindade do poder de Jesus, se pensas a natureza e os dotes daqueles poucos pescadores ignorantes, escolhidos para acompanhá-lo. Para fazê-los seus seguidores, ele os inflamou com sua força divina, e os cumulou com a fortaleza e a firmeza de ânimo, graças àquela voz: ‘Vinde, segui-me e vos farei pescadores de homens’”.
         De fato, ficamos pasmos ao constatar que ao simples chamado do Senhor, eles imediatamente deixam “tudo” para segui-lo. Nada é anteposto ao amor de Cristo, pois como comenta Tertuliano, “pelo Senhor, eles abandonaram as relações humanas, a profissão e os negócios; como João e Tiago abandonaram seu pai e a barca, e Mateus se levantou do telônio”. Diante da entrega total dos Apóstolos, que se unem ao Mestre para nunca mais dele se separarem, S. Agostinho exclama: “Edifiquemos também nós e façamos uma casa em nosso coração, onde Ele permaneça para ensinar-nos e falar conosco”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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