Reflexão do Evangelho de Segunda-feira – 27 de Janeiro

Reflexão do Evangelho de Segunda-feira – 27 de Janeiro
Mc 3, 22-30 - Jesus e Beelzebu (calúnias dos fariseus)
        
         O Senhor assegura-nos a sua proteção espiritual. Os milagres realizados por Ele ultrapassam o poder do homem, levando à conclusão: ou se crê em Jesus como “vindo de Deus” e esta é a compreensão de Nicodemos, do cego de nascença e de todos os que reconhecem nele o Messias esperado. Ou afirma-se um poder que está além do nosso controle como expressão do fundamento pessoal de nossa culpabilidade. É a este poder, que os escribas, descidos de Jerusalém, se referem ao dizer: “É por Beelzebu, príncipe dos demônios, que Ele expulsa os demônios”.
         O título Beelzebu liga-se a textos antigos e designa o primeiro dentre os inimigos de Deus, considerados pelos pagãos como demônios. Ele está à frente e governa as forças do mal, que constituem um reino em oposição ao reino de Deus. Daí as palavras de Jesus: “Todo reino dividido contra si mesmo não poderá subsistir”. As acusações dos escribas e fariseus resultam absurdas.
O tema central do presente texto é a luta entre a luz e as trevas, e a vitória da luz sobre as trevas, pois quem acolhe Jesus é iluminado pela luz da verdade. O demônio é aquele que recusa o amor, é mentiroso e pai da mentira, e quem não acolhe a verdade do amor divino, mas rejeita-a, não pertence a Deus, abraça o mal e torna-se cúmplice do maligno. Este é julgado por ele mesmo.
A realidade terrível do reino do mal se evidencia nas tentações de Jesus no deserto. Por isso, o próprio Jesus, diz S. João Crisóstomo, “ao responder às acusações, demonstra que expulsar os demônios, como ele acabara de fazer, é obra de um poder grandíssimo e sinal da vinda do Reino de Deus”. Ele o expulsa pelo “dedo de Deus” para indicar que Ele o faz pelo poder do Espírito de Deus. É a vitória de Cristo sobre o reino do mal. Resta uma só coisa, diz o Evangelho: recolher os despojos, que “são as ovelhas perdidas da casa de Israel”.
         No entanto, escribas e fariseus, unindo-se contra Jesus, aliam-se aos inimigos do passado, que provocaram a dispersão do povo entre as nações e negam a ação do Espírito Santo. Eles rejeitam o anúncio de Jesus e não admitem o advento do reino de Deus. A eles diz Jesus: “A palavra que eu vos disse, é ela que os julgará no último dia”. Mas “se alguém me ama, continua Jesus, guardará minha palavra e o Pai o amará, e viremos a ele e faremos nossa morada nele”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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