Reflexão do Evangelho de segunda-feira 08 de agosto





Reflexão do Evangelho de segunda-feira 08 de agosto
Mt 17, 22-27 - Segundo anúncio da paixão e tributo pago ao Templo


       O primeiro anúncio da Paixão deu-se após a confissão de Pedro em Cesareia. Na ocasião, Jesus confere a Pedro uma função de primeiro plano em sua Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Naquele momento, Pedro não tinha ainda compreendido a missão do Mestre em toda a sua extensão. Presos à imagem do Messias terreno, que iria restaurar o reino de Israel, os Apóstolos sentiam dificuldades em acolher o anúncio do seu sofrimento e de sua morte dolorosa. Desta vez, porém, eles já têm conhecimento dos ensinamentos de Jesus e da sua rejeição a todo poder terreno.   
Com efeito, o segundo anúncio deu-se após a Transfiguração de Jesus no monte Tabor, momento de glória e de intimidade com o Pai. “Lá diante deles, escreve S. Cirilo de Alexandria, Jesus se transfigurou, seu rosto resplandeceu como o sol. Mostrando-lhes a glória com a qual, no tempo devido, ele ressuscitaria dos mortos, prepara-os para que a hora da cruz e de sua morte não fosse ocasião de escândalo”. Mesmo assim, os Apóstolos não deixam de estranhar suas palavras, pois não tinham entendido bem a razão do seu sofrimento e que papel eles iriam desempenhar em tal acontecimento. A compreensão deles não foi imediata. Só mais tarde, graças ao Espírito Santo, eles irão compreender que foi justamente com a sua morte que o Filho de Deus se uniu profundamente a nós, identificando-se conosco na solidão da cruz e da morte. O Filho do Homem, que viria no fim dos tempos, presente na atuação profética de Jesus, e também na sua paixão e morte, uniu-se com a imagem pecadora e mortal, para conduzi-la, por sua ressurreição, à restauração gloriosa, fim supremo para o qual o homem foi criado.
Ao chegarem a Cafarnaum, eles são abordados pelos coletores dos impostos para a manutenção do Templo e do seu culto, que perguntam a Pedro: “O vosso mestre não paga o imposto? ” O modo cauteloso com que perguntam é devido ao fato de os sacerdotes serem dispensados do pagamento. E eles conheciam a fama do seu concidadão. Após observar que os filhos do rei estão isentos, numa clara alusão ao fato de ser Ele o Filho de Deus, Jesus diz a Pedro para efetuar o pagamento, a fim de que eles não se escandalizassem ou alegassem estar Ele utilizando proventos da bolsa comum. Obedecendo-o, Pedro vai ao lago e encontra, na boca do peixe por ele pescado, a importância necessária para o pagamento, sinal de que tudo está à disposição do Mestre, que goza de real liberdade: também seus seguidores, como Pedro, participam da liberdade dos filhos de Deus.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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