Reflexão do Evangelho de Jo 19, 25-27: N. Senhora das Dores - Segunda-feira 15 de Setembro

Reflexão do Evangelho de Jo 19, 25-27: N. Senhora das Dores
Segunda-feira 15 de Setembro
      
       Caiu a noite. No cenáculo, Jesus anunciava os sofrimentos do Messias e, ao partir o pão, manifestava seu grande amor por toda a humanidade. Era a celebração da última Ceia, Jesus instituía a Eucaristia, sacramento de sua real e verdadeira presença no meio de nós. Ele e os Apóstolos cantaram o salmo final, e dirigiram-se para o Horto das Oliveiras, onde Ele se retira para orar com três de seus Apóstolos, Pedro Tiago e João. Em seu rosto transparece sofrimento, e Ele caindo de joelhos clama: “Pai se possível afaste de mim este cálice”. Aos ouvidos dos Apóstolos, entorpecidos pelo sono, chegam as palavras: “Não a minha, mas sim a tua vontade”. Luta interior, angústia, de sua fronte brotam gotas de sangue, mas, ao contrário de Adão, Ele se identifica à vontade do Pai: “Não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”.
       Naquele instante, o silêncio é quebrado, vozes e rumores soam no jardim do Getsêmani. Em meio à escuridão, o Apóstolo Judas se aproxima e, beijando-o, diz-lhe: “Salve, Rabi!” Fixando nossos olhos no Servo Sofredor, de seus lábios misericordiosos, ouvimos as palavras que Ele dirá aos seus algozes: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.
No madeiro da cruz, no auge do seu amor compassivo, Ele diz ao discípulo amado, que representa todo verdadeiro discípulo seu: “Eis tua Mãe”, e à sua Mãe: “Mulher, eis teu filho”. No interior do mistério salvador de Jesus, realizam-se a missão de Maria e a do discípulo amado, em continuidade a missão dos “pobres” de Israel, aos quais são dirigidas as bem-aventuranças.
De um modo comovedor, Jesus lega sua mãe, precioso tesouro, ao seu discípulo amado, que representa a linhagem humana cujos membros, segundo Orígenes, são chamados a serem filhos espirituais de Maria. “Ainda hoje, escreve ele, Jesus dirige-se a cada um de nós, dizendo: ‘Eis tua mãe’”.
Aos pés da cruz, uma espada transpassa o coração de Maria, dos lábios rachados do Filho ouvem-se suas carinhosas palavras, conferindo à mãe uma maternidade espiritual e universal. Nas dores de um parto dolorosíssimo, Maria acolhe a missão de mãe, mãe do Filho de Deus, mãe da Igreja. Aspecto materno da Redenção, cantado pela Igreja oriental: “As extremidades da terra vos louvam e vos chamam abençoada, e a vós clamam com amor: Alegrai-vos, Puro Pergaminho, sobre o qual a Palavra foi escrita pelo Dedo do Pai. Implorai a Ele que inscreva vossos servos no Livro da Vida, ó Theotokos”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

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