Reflexão do Evangelho de quinta-feira 05 de maio



Reflexão do Evangelho de quinta-feira 05 de maio
Jo 16, 16-20 - Anúncio de um breve retorno
      

Sob a forma de enigma, Jesus apresenta sua partida para junto do Pai, situando-a no esquema, tantas vezes sugerido no Evangelho, do “buscar e encontrar” ou, ainda, na oposição entre alegria e tristeza, presença e ausência. Mais adiante, ao sublinhar: “Mas a vossa tristeza se transformará em alegria”, Ele comunica aos discípulos uma nova e alegre esperança: o seu retorno ou a vitória sobre a morte. Alguns autores se baseiam nessas palavras para falar do movimento das criaturas, sobretudo do ser humano, para Cristo:  “Por quem e para quem são todas as coisas” (Rm 11,36). Nas palavras de S. Máximo, o Confessor, Cristo recapitula a história humana, desde Adão e Eva até a instauração do Reino de Deus, pois, através de sua missão, Ele efetiva a vitória sobre o pecado, e inicia uma nova ordem de justiça, de paz e de comunhão. Jesus é o novo Adão, que se dimensiona universalmente, abrangendo todas as criaturas e orientando-as de modo dinâmico para Deus: a participação do ser humano na vida divina assume a forma de um apelo, que nos impele a crescer constantemente em Deus, tornando possível a assimilação da dignidade divina para a qual fomos criados.  
Compreende-se, então, a insistência de Jesus, após a última Ceia, em dizer aos discípulos que, caso o amassem e compreendessem o sentido de sua despedida, se alegrariam com a sua morte. Escreve S. Leão Magno: “Assim como a ressurreição do Senhor foi para nós causa de alegria na solenidade pascal, assim sua ascensão aos céus é causa do gozo presente, já que recordamos e veneramos devidamente, desde agora, aquele no qual a humildade de nossa natureza senta-se em companhia de Deus Pai”. Criados à imagem e semelhança de Cristo, temos a certeza de que não só o aspecto espiritual, mas a totalidade de nossa pessoa vem transfigurada e totalmente realizada nele.  
       A natureza humana, que foi assumida em sua plenitude pela pessoa divina de Jesus, retorna para junto do Pai, purificada do pecado e libertada da corrupção da morte. Assim, pelo batismo, somos parte dessa nova natureza e já nos encontramos inseridos na vida divina do Filho de Deus, pois, proclama S. Cirilo de Alexandria: “A dignidade do Filho de Deus passou à humanidade inteira por meio do Espírito Santificador”: tornamo-nos membrosz do Corpo do Cristo.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reflexão do Evangelho - Lc 21, 5-19 - A ruína de Jerusalém e o fim dos tempos - Terça-feira 25 de Novembro e Quarta-feira 26 de Novembro