Reflexão do Evangelho de quarta-feira 29 de junho



Reflexão do Evangelho de quarta-feira 29 de junho
Mt 8,28-34 - A cura dos endemoninhados gadarenos
      

       Nos evangelhos, os milagres e expulsões de demônios não são vistos dentro da perspectiva de estar ou não rompendo as leis da natureza, mas como intervenções não habituais de Deus, que causam assombro ou admiração. Daí não se encontrar nos evangelhos a palavra grega “milagre” (thaumai), mas sim o fato de o povo ficar assombrado ou admirado (thamadzein) com as ações de Jesus, que age como Deus fizera na história de Israel.
Jesus vai à Decápole, situada do outro lado do mar da Galileia, numa das cidades habitadas por gregos, sob a jurisdição da província da Síria. Logo que desceu do barco, aproximam-se dele dois homens possuídos pelo demônio, descritos como possuidores de grande força: “Ninguém podia dominá-los, nem mesmo com correntes”. Porém para surpresa de todos, ao ver Jesus, “eles correm e prostram-se diante dele, clamando em alta voz: ‘Que existe entre nós e ti, Jesus, Filho de Deus? ’”. Defrontam-se o poder do mal, que produz frutos maus e dolorosos, e o poder de Deus, com atos de bondade e de misericórdia, que assombram a todos. De fato, com uma única palavra, Jesus liberta aqueles homens dos poderes obscuros que os dominavam, e manifesta ao povo o caráter salvador de sua missão. Ele não só anuncia o Reino de Deus, mas o torna realidade em sua própria pessoa, fato desconcertante para os “espíritos” e também para os homens.
 S. Jerônimo, assim, descreve esse episódio: “Jesus o expulsa. É como se Ele dissesse: sai de minha casa, que fazes em minha morada? Eu desejo entrar: ‘Sai destes homens. Sai destes homens; abandona esta morada preparada para mim. O Senhor deseja sua casa: sai destes homens”.
A expulsão de demônios e os milagres exprimem a vitória de Jesus contra o mal, pois, por seus atos bons e misericordiosos, a criação é restaurada em sua glória divina original. Como no início, tudo foi criado para o bem, também agora, afirma-se que o poder de Jesus está a serviço da bondade: “Ele fez bem todas as coisas”. Se o poder “demoníaco” afasta o ser humano de seu verdadeiro sentido, a ação miraculosa de Jesus e a expulsão de demônios assinalam o retorno da criação ao seu fim bom: nele, o ser humano e a força motriz do universo se reorientam para Deus.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM


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